Proporção de atendimentos por Covid-19 volta a crescer em UPAs de Fortaleza

Número geral de assistências por síndromes gripais caiu, mas as específicas por causa da doença se mantiveram

Escrito por Nícolas Paulino , nicolas.paulino@svm.com.br

Ceará
Legenda: Unidades costumam ser a principal porta de entrada de casos moderados da Covid-19.
Foto: Thiago Gadelha

Embora tenha havido uma redução de 12% no número geral de atendimentos por síndromes gripais, nas últimas duas semanas, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Fortaleza voltaram a ter aumento na proporção de assistência a casos da Covid-19. Os dados são da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Entre os dias 12 e 25 de abril, as 12 UPAs contabilizadas no sistema realizaram 7.462 acolhimentos. Destes, 68,69% (cerca de 5.100) foram relacionados à Covid-19.

Já nas duas semanas seguintes, de 26 de abril a 9 de maio, as mesmas Unidades registraram 6.560 atendimentos, dos quais 76,55% foram motivados pela doença - cerca de 5.020 casos.

Confira as UPAs com mais atendimentos por Covid-19 nos dois períodos:

12 a 25 de abril

Jangurussu: 844
José Walter: 743
Canindezinho: 536
Cristo Redentor: 459
Praia do Futuro: 409

26 de abril a 9 de maio

Jangurussu: 975 (+15%)
José Walter: 823 (+10%)
Autran Nunes: 658
Canindezinho: 500 (-6%)
Cristo Redentor: 447 (-2,6%)

Apesar do incremento, o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) indica que, “com o pequeno número de casos diários, entramos em um período de estabilização, alterado por um discreto aumento da incidência na última semana de abril”.

O cenário epidemiológico continua de baixa transmissão (residual e limitada), após o fim da terceira onda epidêmica.
Boletim da SMS

Além disso, o informativo explica que a cidade alcançou um estágio de baixa mortalidade pela doença. “Óbitos são eventos raros”, destaca. 

Testagem precisa continuar

Para o biomédico e mestre em Microbiologia Médica, Samuel Arruda, apesar de o cenário epidemiológico cearense indicar o fim de um ciclo epidêmico, é preciso continuar monitorando o comportamento do vírus para entender se haverá estabilidade ou se novas variantes podem surgir.

“Há uma necessidade de mantermos um sistema de vigilância molecular desse vírus, testando rotineiramente, verificando na população como estão o surgimento dessas variáveis, sequenciando, para que a gente mantenha uma ideia de como ele está circulando na população”, detalha.

O especialista mantém a recomendação de testes diagnósticos para quem está com sintomas respiratórios, especialmente para aqueles que precisam viajar, para evitar o espalhamento do vírus entre outras populações.