TJA 110 anos - Uma família moldada pelo palco

Quinta crônica da série em comemoração aos 110 anos do Theatro José de Alencar mergulha nas lembranças do ator Hiroldo Serra, da Comédia Cearense. Até domingo (21), confira diariamente um novo texto no site do Diário do Nordeste

Legenda: Haroldo e Hiroldo Serra, pai e filho, no palco do Theatro José de Alencar em 2010, com o espetáculo "A Valsa Proibida"
Foto: Arquivo pessoal

A história do jovem Theatro José de Alencar se mistura com a história da família Serra. É uma relação umbilical. Tudo começa com o pulo da morte, quando o jovem Haroldo Serra, nos anos 1950, pulava do Centro de Saúde para o segundo piso do teatro para assistir aos espetáculos. À época, vivia “duro”, sem grana.

Depois, mais um pulo, e ele estreia nos palcos do José de Alencar em 1952 pelo Grupo Teatro Experimental de Arte, com a peça "O Morro dos Ventos Uivantes", acompanhado dos companheiros B. de Paiva, Marcus Miranda e Hugo Bianchi. Foi um grupo de grande importância e chegou a produzir um espetáculo por mês. Com a ida de todos os integrantes para o Rio de Janeiro, fundou, em 1957, a Comédia Cearense, e estreou mais uma vez no palco do TJA com a peça "Lady Godiva".

Legenda: Peça "Minha Nora inglesa", da Comédia Cearense, com Haroldo e Hiramisa Serra, no Theatro José de Alencar, em 15 de abril de 1982
Foto: Vidal Cavalcante

Um ano depois, em 1958, foi a vez da estreia de Hiramisa Serra no palco do TJA com a peça "Canção dentro do Pão". Nos anos sessenta, estreiam os filhos do casal Serra - Hiroldo, Harolmisa e Haroldo Júnior, em peças infantis. Harolmisa estudava balé na academia de Hugo Bianchi; eu, Hiroldo, fazia a sonoplastia dos espetáculos, e o Júnior fazia iluminação.

Em 1976, com a peça "O Planeta das Crianças Alegres", comecei a contar meu tempo de teatro, pois fazia personagem com falas com um elenco de peso (Haroldo Serra, Ayla Maria, Antonieta Noronha e  Walden Luiz). Minha infância e adolescência foi toda vivida no TJA, onde eu passava quase todas as tardes e muitas noites assistindo às grandes companhias do Rio e São Paulo, conhecendo os artistas famosos da televisão e participando dos grandes espetáculos da Comédia Cearense.

Acompanhei por muitos anos a administração do TJA pelo meu pai, Haroldo, e minha mãe, Hiramisa Serra. Ali, eles cuidavam como se fosse sua própria casa e defendiam com unhas e dentes. Eram tempos difíceis para a manutenção do equipamento. Nos anos 1970, foi feita uma grande reforma de ordem estrutural (o Theatro corria risco de tombamento devido à estrutura de ferro que estava bastante comprometida). Durante toda a reforma, o TJA continuou funcionando. 

Legenda: Foi pelos espaços do Theatro José de Alencar que Hiroldo Serra cresceu junto à família
Foto: Nah Jereissati

Dos anos 1950 até os anos 2017 (65 anos), foram muitos aniversários do TJA em que a Comédia Cearense fez espetáculos especialmente para essas datas. Em 2017, a Comédia Cearense comemorou 60 anos de fundação e, mais uma vez no TJA, apresentou temporada do Espetáculo "O Morro do Ouro", de Eduardo Campos, e lançou o livro "Comédia Cearense 60 Anos". 

Em 2018, ganhei o presente de participar de um filme ainda inédito, "O Filho Único do Meu Pai", em que gravei cenas na plateia, palco e sala de aula do TJA. Foi uma consagração que vai ficar imortalizada nessas imagens sobre a nossa relação com o Thatro José de Alencar. Parabéns ao TJA e vida longa ao teatro cearense!

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