Ceará sem festa: confira os impactos da pandemia no setor de eventos do Estado

Neste domingo (2), o Verso faz um apanhado do que foi adiado ou adaptado devido ao contexto de pandemia

Escrito por
Diego Barbosa e João Lima Neto verso@verdesmares.com.br
(Atualizado às 09:55, em 02 de Agosto de 2020)
ceará sem festa
Legenda: Por conta da pandemia, eventos culturais tradicionais do Estado foram adiados ou adaptados à realidade virtual

É um desafio instigante imaginar a terra de Alencar sem grandes movimentações. Despontando como um dos destinos turísticos mais procurados por brasileiros e estrangeiros, o solo cearense tem cada vez mais sediado iniciativas, projetos e espetáculos capazes de reunir multidões a partir de diferentes apelos e abordagens.

Exatamente por conta dessas aglomerações, dado o contexto de pandemia do novo coronavírus, muitos projetos foram cancelados ou, mediante decisão da organização, ganharam nova data e/ou formato para acontecer. Embora Fortaleza, desde o dia 20 de julho, tenha avançado para a quarta e última fase do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais do Governo do Ceará, ainda não há uma previsão de quando acontecimentos presenciais ligados a entretenimento e cultura voltarão a ser realizados.

Até lá, o nebuloso panorama amarga o cotidiano de uma extensa gama de trabalhadores ligados ao setor. Por meio do especial “Ceará sem festa”, publicado hoje e amanhã (3), o Verso analisa o impacto da pandemia de Covid-19 no âmbito em questão. Nesta primeira matéria, o foco recai sobre dados relativos ao mercado de empregos no ramo e como o calendário de espetáculos e iniciativas culturais tem se remodelado para driblar o difícil contexto.

Pesquisa

Um estudo realizado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) demonstra que, até o início da crise pandêmica, o setor empregava em torno de 1,8 milhão de profissionais diretos e terceirizados no Brasil. Com o cancelamento e adiamento de eventos, mais de 240 mil dessas pessoas perderam os empregos até o final de abril, e a tendência é que o número cresça para 563 mil demissões até este mês. Caso não haja segurança nas variáveis que definirão o retorno das atividades, a estatística pode subir, em outubro, para 841 mil desempregados. 

Membro da diretoria da Abrape, Eberth Santos afirma que pouquíssimas empresas tiveram condições de manter o quadro de funcionários. Sendo assim, a avaliação do gestor é que a pandemia é bastante devastadora para a área – detentora de uma cadeia produtiva com mais de 52 segmentos atrelados a ela. 
Numa escala local, contudo, alguns passos foram dados.

“A partir da abertura de diálogo com o poder público existindo neste momento, nós acreditamos que possamos construir, a quatro mãos, um retorno às nossas atividades de uma forma segura e responsável”, situa Eberth.
 

De acordo com ele, ao longo das últimas semanas, a Abrape esteve envolvida em três reuniões com o propósito de buscar soluções para a área: duas delas com o Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus; e uma com o Secretário de Saúde do Estado, Dr. Cabeto. “Levamos para eles, inclusive, nossa sugestão de protocolo de funcionamento das demandas ligadas ao setor”, acrescenta.

De maneira a superar a intrincada situação, o gestor ainda situa algumas ações que estão acontecendo, como o movimento Sons do Bem – iniciativa social que visa ajudar, por meio da doação de cestas básicas, profissionais autônomos ligados ao mercado da música e a idealização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), estabelecendo regras para a remarcação de eventos adiados ou cancelados em virtude da pandemia.

Há também a Medida Provisória 948 (MP 948) – publicada em abril pelo Ministério do Turismo, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública – a qual ordena questões como cancelamento de serviços, reservas e eventos nos setores de turismo e cultura, definindo regras para um cenário pós-pandemia e proporcionando maior segurança para produtores e promotores dessas atividades.

A fim de mensurar a dimensão do impacto no setor em âmbito cearense, preparamos um quadro com alguns dos principais eventos que tiveram as datas modificadas ou as programações adaptadas devido ao atual contexto. A aposta em edições virtuais demonstra a flexibilidade da área.

Eventos no Ceará em 2020

MARÇO
Baú da Taty Girl
Quando seria: 18 de março
Quando será: 17 de outubro

Barril Fest Retrô
Quando seria: 21 de março
Quando será: Data indefinida

Fans Fortaleza
Quando seria: 28 de março
Quando será: 5 de dezembro

ABRIL
Som do mar
Quando seria: 4 de abril
Quando será: Data indefinida

Garota VIP Fortaleza
Quando seria: 30 de abril
Quando será: 7 de novembro

Solange Almeida – Minha História
Quando seria: 11 de abril
Quando será: Data indefinida

MAIO
DFB Festival
Quando seria: 1º a 16 de maio
*Realizado virtualmente, no formato DFB DigiFest, entre 1º de junho e 31 de julho

Show Manu Gavassi
Quando seria: 7 de maio de 2020
Quando será: 16 de maio de 2021

O Encontro - Léo Santana, Harmonia do Samba e Parangolé
Quando seria: 16 de maio
Quando será: 19 de setembro

Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha
Quando seria: 31 de maio a 13 de junho
Quando será: A proposta da Prefeitura de Barbalha, em parceria com a Paróquia de Santo Antônio, é que a festa aconteça em outubro, na festa da copadroeira do Município, Nossa Senhora do Rosário, festejada dia 7.

JUNHO
Buteco do Gusttavo Lima
Quando seria: 6 de junho
Quando será: Data indefinida

JULHO
Expocrato
Quando seria: 12 a 19 de julho
*Evento virtual realizado no último sábado (1º), às 20h, com live de Fagner e Xand

Fortal 2020
Quando seria: 23 a 26 de julho de 2020
Quando será: 22 a 25 de julho de 2021. Este ano, porém, uma edição virtual foi realizada em 25 de julho, com um encontro de trios online puxado por Wesley Safadão e Bell Marques.

SETEMBRO
Cine Ceará
Quando seria: 12 a 19 de setembro
Quando será: 28 de novembro a 4 de dezembro. A ideia é que essa edição seja híbrida, com atividades presenciais (se estiverem permitidas) e virtuais.

Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga
Quando seria: 5 a 12 de setembro
Quando será: Algumas atividades estão previstas para acontecer pela internet (debates, palestras e seminários), na data agendada; as presenciais, se houverem, ainda não estão definidas.

NOVEMBRO/DEZEMBRO
Casa Cor Ceará
Quando seria: 4 de novembro a 6 de dezembro
Quando será: Outubro de 2020 em edição virtual

>> SAIBA MAIS

No Especial "Ceará sem festa" desta segunda-feira (3), traremos relatos de profissionais da cadeira produtiva de grandes espetáculos do Estado

 

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