A partir do uso das plantas, a fitoenergética remonta às tradições para tratar a saúde

O método terapêutico auxilia na restauração do equilíbrio e envolve espécies como o alecrim, manjericão, hortelã e o eucalipto em soluções naturais

Legenda: As folhas de hortelã normalmente são usadas para criar soluções naturais no combate à má digestão

Fundamentada em saberes da tradição, a fitoenergética envolve o uso das plantas em tratamentos de saúde. Aplicação de banhos, chás, sprays e aromas, dentre outras soluções naturais são caminhos para fortalecer o equilíbrio. Esse potencial energético das plantas é conhecido dentre os cuidados rotineiros com a saúde em geral. Mesmo de maneira inconsciente, esse poder curativo é bastante aplicado, seja para acalmar os nervos com um chá de camomila ou melhorar a digestão com o de hortelã.

Um olhar para a fitoenergética revela como esse costume nasceu e se fortaleceu com a formação da nossa cultura e ancestralidade. "Cresci ouvindo os meus avós dizendo que chás curavam tudo. Boldo para dor de barriga, camomila para dormir, hortelã para aliviar a ansiedade, entre tantos outros conselhos de tratamento. Aprendi com a minha ancestralidade muito do que sei hoje e fui um pouco mais além", situa a estudante de Ciências Sociais Amábyle Cavalcante.

Além de usar as plantas para o seu autocuidado, ela passou a estudar sobre óleos essenciais (extraídos da natureza) e abriu uma loja virtual de cosméticos veganos. Com o estudo, Amábyle criou fórmulas naturais para aliviar sintomas como cólicas menstruais e dores musculares.

Ela também percebeu que, em tempos tão corridos e cheios de cobranças, é preciso se dar a oportunidade de cuidar do corpo e do espírito, todos os dias, como lugares sagrados da existência de cada um. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) já reconhece a fitoenergética como uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.

Nós estamos estruturalmente habituados a recorrer à medicina ocidental. Embora muito antes dela, os indígenas e africanos já ocupavam esse espaço com um grande nível de sabedoria a respeito de cada propriedade das plantas, desde o uso da cura física, espiritual e na culinária", recapitula a estudante.

Básico

Autora do livro "Manual de magia com as ervas", ao lado de Bruno Gimenes, a pesquisadora Patrícia Cândido investiga a fitoenergética há 20 anos e resume qual seria sua função básica. "Vai além do uso dos chás, próprio da fitoterapia. Traz um conceito mais amplo. E utiliza a força vital das plantas para promover o bem-estar e a saúde com diferentes aplicações: sprays, banhos, uso de sachês, aromas, temperos, entre outras fórmulas de concentração da vibração de cada planta", identifica.

O interesse pela fitoenergética começou quando ela passou a consumir chás com regularidade, a fim de reduzir a ansiedade e aumentar sua disposição para o dia a dia. Hoje, ela sinaliza que a pesquisa envolve 118 plantas catalogadas e rendeu uma série de publicações no mercado editorial, a exemplo da obra "Fitoenergética - a energia das plantas no equilíbrio da alma" (também assinada por Bruno Gimenes).

Legenda: Planta forte, a sálvia ajuda na limpeza das vias respiratórias e, no campo mental, estimula o equilíbrio da razão

Para Amábyle Cavalcante, existe ainda um certo temor das pessoas a respeito dos tratamentos que envolvam mudanças no campo energético e espiritual do indivíduo. Isso revela o quanto a fitoenergética ainda tem espaço para crescer como uma possibilidade terapêutica.

Entusiasta do poder das plantas, ela vislumbra esse horizonte com otimismo. "Tudo isso diz muito sobre diversificar nosso olhar e nos permitirmos ser cuidados por uma herança poderosa que nossos ancestrais deixaram", sintetiza.

Alternativa

Segundo o terapeuta integrativo Júnior Quintella, a procura pela fitoenergética costuma ser, ainda, uma alternativa secundária em relação a outros tratamentos. Ele enfatiza como o campo é "riquíssimo" e, apesar do poder das ervas envolver uma referência ancestral, essa interação com a natureza, por ora, carece de mais divulgação e respeito.

É possível ter resultados incríveis. Há especialistas em ervas que sabem curar qualquer coisa, sem a menor dificuldade, e tudo que eles aprenderam foi interagindo com as plantas. Então esse costume é um grande resgate pra nossa sociedade. Com um uso responsável das ervas, você utiliza a planta com um fim, ela melhora esse ponto e várias outras coisas", observa Quintella.

Tipos

O uso das plantas varia de tradição para tradição, destaca o terapeuta, entre rezadeiros, terreiros de umbanda, candomblé, rituais da Jurema Sagrada, na cultura indígena e até na Igreja Católica (com incensos). Tudo influencia, de algum modo, a maneira como terapeutas e diversos cuidadores fazem uso da fitoenergética.

Nesse contexto, há as plantas "super populares", como a arruda e o pinhão-roxo, que normalmente são usadas para absorção de energias densas e limpeza energética. O alecrim, o manjericão e a alfavaca estão entre as "ervas de equilíbrio" mais utilizadas. E a hortelã e o eucalipto costumam ser adotados para problemas respiratórios, a exemplo do descongestionamento nasal.

Legenda: O eucalipto é adotado em aplicações para aliviar problemas respiratórios

Júnior Quintella enfatiza, ainda, como a manipulação dessas plantas é fundamental para dosar a intensidade de atuação delas no organismo e no campo energético dos pacientes. O terapeuta alerta que o uso de cada planta deve ser orientado por um especialista, de acordo com cada fim terapêutico.

"Tem os florais, que são feitos a partir da vibração energética das flores. Posso pegar a planta direto do galho e passar pelo corpo do paciente também. E isso pode ter um efeito curativo, caso seja uma erva de absorção e que eu intencione essa limpeza de partículas negativas", exemplifica.

Funcionais

Boldo-do-chile
Conhecida por equilibrar o excesso de ego. Estimula posturas saudáveis em todas as situações da vida, libera sofrimentos reprimidos. É uma erva de equilíbrio.

Guaraná
Neutraliza a ação de energias densas no corpo emocional do indivíduo. Estimula a estabilidade de humor, acalma os instintos do 'eu inferior'.

Melissa
Estimula a doçura, traz consciência da infância para melhor assimilar o presente, eliminando traumas, dentre outros bloqueios.

Pariparoba 
Acalma os instintos e a hiperatividade. Ajuda a relaxar, evita o estresse físico, e estimula a integridade do indivíduo.

Pitangueira
Energética, a planta gera vitalidade nas células e desenvolve a imunidade. Traz clareza mental e lucidez.

Sálvia 
Estimula o equilíbrio da razão, ajuda a desenvolver uma linguagem mais criativa e dinâmica. Trabalha o desenvolvimento da expressão verbal.

Tomilho
Ativa a glândula tireoide, permite sentir o gosto apurado dos alimentos e estimula a lógica e a comunicação.

Unha-de-gato
Ajuda o indivíduo a se harmonizar com as estruturas da vida. Estimula a sabedoria para evoluir com as dificuldades e perceber o valor das coisas e da saúde que já têm.

Legenda: Unha-de-gato

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