Ceará vai produzir fertilizantes em até 5 anos e reduzir dependência de importação

Ao todo, 17 empresas que investem no hub de hidrogênio já se movimentam para utilizar matéria-prima deste processo na fabricação do insumo

Escrito por Bruna Damasceno, bruna.damasceno@svm.com.br

Negócios
Palestra
Legenda: O secretário da agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedet), Silvio Ribeiro, falou sobre as perspectivas para o agronegócio no Ceará, durante o 3º Seminário Agrosetores
Foto: Rogério Lima / Divulgação

O Ceará será um grande produtor de fertilizantes para abastecer o mercado interno e para exportações em até cinco anos, prevê o secretário de Agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedet), Silvio Ribeiro. Ele esteve no 3º Seminário Agrosetores, nesta terça-feira (29), no Centro de Eventos.

Segundo o gestor, o grupo de investidores que deve instalar plantas de Hidrogênio Verde (H2V) pretende aproveitar uma matéria-prima usada no processo do próprio combustível também para a fabricação deste insumo. 

A avaliação é que, diante da crise de fertilizantes em consequência da guerra entre os principais exportadores (Rússia e Ucrânia), a produção nacional de adubo se tornou prioridade para esses empresários. 

A redução da oferta deste insumo encarece os produtos agrícolas e, consequentemente, a alta chega à mesa dos consumidores. 

Como serão os fertilizantes cearenses?

Os projetos de H2V já contemplam produção em larga escala de amônia para o transporte do hidrogênio para a Europa e outros países, mas essa matéria-prima também pode ser direcionada para fabricação de fertilizantes nitrogenados. 

Atualmente, há 17 memorandos de entendimento assinados para o segmento, no Complexo do Pecém. 

“Todas essas empresas já conversaram sobre a produção de fertilizantes. Até então, era uma linha secundária, mas passou a ser a principal em alguns projetos”, afirmou.

Inicialmente, acrescenta, o Hidrogênio Verde terá grande produção, mas para um mercado ainda reduzido. Nesse contexto, o insumo para o agronegócio será o alavancador do projeto. 

"O Ceará vai ter uma grande produção de fertilizantes no futuro e ser fornecedor para muitos países. Vamos ficar menos dependentes da Rússia e da Ucrânia, por exemplo", enfatiza.

Além disso, aponta, a mina de Itataia poderá produzir adubos fosfatados, em Santa Quitéria, no Interior do Ceará. 

"Blueberry cearense" deve sair do papel 

Legenda: Empresários peruanos, que produzem e exportam o equivalente a US$ 1,2 bilhões anuais em Mirtilo, poderá produzir essa fruta na Ibiapaba
Foto: Divulgação

Quatro empresas negociam o cultivo de mirtilo, conhecido como blueberry, nas regiões da Ibiapaba e do Cariri, no Interior do Ceará. Dentre elas, a Companhia chilena Hortifrut, com as tratativas mais avançadas, segundo o secretário de Agronegócio da Sedet, Silvio Ribeiro.

O secretário se encontrará com os executivos da empresa na próxima semana, em Berlim, na Alemanha, durante feira sobre o agronegócio. Os nomes dos demais players não foram divulgados. 

Conforme Silvio, o Ceará tem investido em culturas de alto valor agregado, como o mirtilo e o avocado Has (abacate). 

“O  blueberry é muito produzido no Peru, que hoje é o maior produtor e exportador do mundo, possuindo condições climáticas similares a algumas regiões do Estado, como a Ibiapaba e do Cariri”, observa, lembrando já haver tecnologias que permitem a plantação em outras áreas. 

Outro ponto, destaca, é que o blueberry é considerado uma das culturas de maior rentabilidade e valor agregado por hectare. 

“As empresas estão interessadas nessa cultura e já estamos conversando. O Peru, com 16 mil hectares, exportou US$ 1,2 bilhão no ano passado. Nós também temos potencial para fazer isso”, projetou. 

Projeto traça plano estratégico para o agronegócio cearense pela próxima década 

Palestrante
Legenda: O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amilcar Silveira, falou sobre o projeto "Sementes do Futuro"
Foto: Rogério Lima / Divulgação

O projeto “Sementes do Futuro”, lançado nesta terça-feira (29), prevê um pacto entre órgãos governamentais, universidades e centros de pesquisa para a elaboração de um plano estratégico e sustentável para o agronegócio, pelos próximos 10 anos, no Ceará. 

Segundo o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amilcar Silveira, a ideia é dobrar o número de exportações neste período, sobretudo, da carcinicultura e da fruticultura. 

"Chamamos todos os produtores, procuramos saber quais os empecilhos para o desenvolvimento, fizemos o dever de casa e agora vamos ajudá-los no desenvolvimento", iniciou. 

“Hoje, o Ceará tem 1.306 carcinicultores, mas a maioria, cerca de 85%, não tem a licença ambiental, ou seja, não pode acessar um crédito. Estamos construindo com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)  uma nova legislação para facilitar e desburocratizar a vida dos produtos rurais, mas preservando o meio ambiente”, afirmou. 

Neste primeiro momento, 100 fazendas de camarão já serão regularizadas. Com isso, os empreendedores poderão contratar operações de crédito para capital de giro e investimentos. 

Durante o evento, a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) também apresentou o novo sistema de outorga do Ceará, no âmbito do Programa Ceará Veloz. A promessa é reduzir a burocracia de emissão do documento para obras em 97%, passando de 211 dias para apenas 7 dias úteis.