Governo estuda opções de fornecedores de fertilizantes após início da guerra na Ucrânia

Por dependência do mercado internacional, o Brasil importa muitos fertilizantes da Rússia. Conflito, no entanto, poderá reduzir acesso aos produtos nas próximas semanas

Legenda: "O Mapa trabalha isso diariamente, e acabei de voltar do Irã de onde teve uma oferta enorme de fertilizantes, e ainda temos o Canadá e o Marrocos como opções para ter essas substituições", disse Tereza Cristina
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa) já está acompanhando de perto o conflito entre Rússia e Ucrânia para não ter impactos nas cadeias produtivas no Brasil, focando no mercado de fertilizantes importados de empresas russas.

A informação foi confirmada pela ministra Tereza Cristina durante evento no Banco do Nordeste nesta quinta-feira (24), em Fortaleza. 

Segundo a titular do Mapa, a situação no leste da Europa é bastante preocupante, mas poderá ser contornada com uma articulação internacional para garantir fornecedores. 

"Primeiro que o Brasil não importa só desses países, é importador de fertilizantes de vários países. Mas temos de ver o que vai acontecer e ver nossas alternativas para substituir caso tenhamos problemas com essas compras", disse.

Mercado de fertilizantes

Sobre o setor de fertilizantes, usados na produção agrícola, Tereza Cristina afirmou que o Ministério está em contato com outros países, como Irã, Canadá e Marrocos para garantir níveis de abastecimento no Brasil. 

"Com certeza (estamos acompanhando a questão das cadeias produtivas). O Mapa trabalha isso diariamente, e acabei de voltar do Irã de onde teve uma oferta enorme de fertilizantes, e ainda temos o Canadá e o Marrocos como opções para ter essas substituições. Mas claro que a situação entre Rússia e Ucrânia preocupa", explicou a ministra.

Crise global 

Vale ressaltar que o mundo já vinha passando por uma crise de abastecimento de fertilizantes por conta do desequilíbrio das cadeias globais gerado pela crise do novo coronavírus. 

Com níveis menores de produção, empresas no Brasil e no Ceará indicaram aumento de preços e falta de estoque nos últimos meses. Pequenos produtores, que não tinham mais acesso ao produto, informaram que os preços de frutas e hortaliças poderiam também sofrerem oscilações para cima, encarecendo os alimentos.