Mileide Mihaile usa fantasia reciclada com páginas de livros

Rainha de bateria da Unidos da Tijuca apostou em look reciclado para homenagear Carolina Maria de Jesus na Sapucaí.

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Redação producaodiario@svm.com.br
Mileide Mihaile levou literatura e consciência ambiental à Sapucaí.
Legenda: Mileide Mihaile levou literatura e consciência ambiental à Sapucaí.
Foto: Reprodução/Instagram.

Após a forte chuva que atingiu o Rio de Janeiro na sexta-feira (30), as escolas de samba retomaram os ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Entre as agremiações que passaram pela avenida esteve a Unidos da Tijuca.

Rainha de bateria da escola, Mileide Mihaile desfilou usando uma fantasia resistente à água confeccionada com cerca de 200 páginas de livros que seriam descartadas. O conceito sustentável foi levado aos mínimos detalhes: até as unhas postiças da dançarina foram produzidas com papel, reforçando a ideia de reaproveitamento.

Neste Carnaval, a Unidos da Tijuca presta homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, buscando retratar sua trajetória para além da pobreza. Considerada uma das vozes mais marcantes da literatura brasileira, Carolina ficou conhecida por registrar com profundidade o cotidiano das favelas e as desigualdades sociais, especialmente na obra “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicada em 1960 e reconhecida internacionalmente.

Ao falar sobre o figurino nas redes sociais, Mileide explicou que a fantasia carrega simbolismo e memória. “Hoje levo um pouco de Carolina Maria de Jesus para a avenida. Construímos uma fantasia a partir da reciclagem, com folhas de livros, como forma de lembrar e reverenciar uma mulher preta que escreveu mesmo quando o mundo insistia em dizer que ela não podia”.

A influenciadora destacou ainda a força da história da autora e sua capacidade de transformar o que era descartado em potência criativa. “Catadora de papel, mãe, escritora, cronista do próprio tempo. Carolina transformou aquilo que muitos descartavam em palavra, pensamento e denúncia. Fez da escrita um lugar de existência, resistência e permanência.”

Para Mileide, a homenagem vai além da representação estética. “Essa homenagem cruza a Sapucaí como memória viva. Não para representar, mas para reverenciar uma mulher que fez história com a própria voz, firme, verdadeira e eterna”, completou.

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