'Ela é a minha missão', diz marido ao acompanhar tratamento hospitalar da esposa há três anos

Companheiro desistiu do trabalho para acompanhar integralmente a esposa, diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Legenda: Antônio conta que familiares não têm visitado a esposa devido à Covid-19
Foto: Divulgação/ HGWA

Ao lado da esposa diariamente, em um leito de hospital, há três anos, Antônio Martins, de 55 anos, encara a doença da mulher, Sônia Maria da Costa, de 59 anos, como uma missão. O casal está junto há mais de 30 anos e vivia tranquilamente, quando começaram a surgir os primeiros sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), diagnóstico de Sônia, em meados de 2016. 

Eu não considero isso um fardo ou um problema. Ela é a minha missão”, declara Antônio, que não pensou duas vezes ao abandonar o trabalho na construção civil para se dedicar ao tratamento da esposa. Atualmente, Sônia segue internada no setor da Unidade de Cuidados Especiais (UCE) do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA).

O casal enfrentou dificuldades até que o diagnóstico verdadeiro chegasse. Ainda em 2016, ao esperar pelos resultados de alguns exames, por vezes arranjados por pessoas próximas em clínicas particulares, Sônia já não andava, falava e comia normalmente. 

“Há muitos anos que ela vinha sentindo muitos sintomas. Não tínhamos conhecimento da doença. Ela sentia muitas dores no joelho, pés, pernas. Já foi diagnosticada com artrose, artrite, hérnia de disco, tomava remédio, melhorava e depois piorava de novo. Até que em 2016 ela levou uma queda e chorou muito, pois acreditava que não iria ficar boa e eu disse a ela que daria tudo certo”, relata Antônio.

O diagnóstico foi dado, então, no Hospital Universitário Walter Cantídio. “No HGF (Hospital Geral de Fortaleza), em uma dessas idas na Emergência, ela sofreu uma parada cardíaca e lá recebemos o diagnóstico de ELA. Ela ainda passou seis meses internada antes de ser transferida para o Waldemar”, diz Antônio.

“Ela respondia bastante, mas ultimamente vem diminuindo. Uma das nossas comunicações é com os olhos. Ela ouve bem e sempre quando quero que ela responda algo, peço para ela dar bom dia batendo os olhos duas vezes, ou até para agradecer as meninas [do hospital]”. 

Memórias

Antônio e Sônia se conheceram em Barreiras, interior do Ceará. Do relacionamento, tiveram um filho. “Eu ia pescar na cidade, não a conhecia ainda. Depois descobri que éramos primos. Ela me convidou para visitar a cidade mais vezes e, logo em seguida, se mudou para Fortaleza”, relembra o marido. Por causa da pandemia de Covid-19, o filho não tem visitado à mãe no hospital, conta Antônio.

Emoção

Quem acompanha o tratamento de Sônia também se emociona com a história de amor e dedicação do casal. “A gente se apega. Não tem como não conviver com a história e acabamos nos tornando a segunda família deles. Ela é uma paciente totalmente dependente dos cuidados de Enfermagem, pela doença incapacitante e progressiva. Ela faz uso de ventilação mecânica e se alimenta por sonda. E não tem condições de receber esses equipamentos em casa. Achamos que o que mantém ela viva é o amor e a dedicação dele com ela”, descreve a enfermeira Cláudia Renata, que acompanha o caso desde o início.

 

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