Yoga com pets em Fortaleza: conheça projeto que promove aulas com filhotes para adoção
Evento ajuda a divulgar abrigos e arrecadar verbas revertidas em doação de rações.
Ligação entre corpo e mente, a prática de yoga resulta em benefícios como redução do estresse, aumento da consciência corporal e equilíbrio mental. A atividade vem ganhando variações em Fortaleza e a mais recente é conhecida como “puppy yoga” ou yoga com filhotes. Nessa versão, os alunos realizam o exercício enquanto os animais ficam passeando entre o espaço.
No último domingo (18), o Diário do Nordeste conheceu o Mantra Pet, um evento beneficente que possibilita um treino de yoga rodeado por filhotes aptos para a adoção e cheios de energia.
Os alunos chegam preparados para aproveitar a aula e também oferecer carinho e amor aos animais. Logo no início, quando os participantes se organizam, estendendo tapetes e toalhas para se alongarem, os cachorrinhos passeiam no quintal e recebem carícias e afagos.
Naquele dia, eram 12 cães disponíveis para serem adotados, entre filhotes e adultos.
O propósito do evento é transformar cuidado em solidariedade: o valor arrecadado nas inscrições — uma quantia de R$ 50 por pessoa — é revertido em ração doada ao abrigo ou ao protetor de animal que participa de cada edição e também para custear os eventos.
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Em uma casa com um quintal verde e espaçoso, a reportagem conversou com Giselle Duarte, 19 anos, estudante de Medicina Veterinária na Universidade Estadual do Ceará (Uece) e uma das idealizadoras do evento.
Ela conta que a inspiração veio de outros eventos que aconteciam fora do país e eram divulgados pelas redes sociais. Junto das amigas Liz Nunes e Isabella, o trio pensou: ‘por que não fazer um em Fortaleza?’. Em julho de 2025, a primeira edição foi realizada com pouco mais de 10 pessoas.
“O primeiro evento foi bem pequeno, porque queríamos testar e deu super certo. Todo mundo gostou da ideia”, diz. A estudante conta que costuma acompanhar outros projetos voltados ao resgate de animais.
“Sempre gostei de participar de eventos de adoção, com contato com filhotes. Tudo que fosse para ajudar eles, eu estava lá”, afirma.
Assim, as amigas começaram a montar a estrutura do projeto que busca incentivar a adoção consciente, apresentando animais em busca de um lar. Hoje, Giselle transforma o jardim da própria casa em um espaço de socialização e beneficência, contando com uma equipe de 20 voluntários.
“Fazer aqui em casa já economiza um dinheirinho porque senão ia ter que gastar do que a gente arrecada [para alugar um espaço]. E as professoras que vem também são voluntárias, mas elas recebem uma ajuda de custo para o deslocamento até aqui”, explica.
Dependendo da disponibilidade dos organizadores, são realizados entre dois e quatro eventos por mês. Até janeiro de 2026, os números do impacto do evento são positivos:
- Mais de 15 edições realizadas;
- Cerca de 500 alunos participantes;
- Mais de 1,68 tonelada de ração arrecada;
- Média de 7 instituições beneficiadas, incluindo o Lar Tintin, por exemplo.
“Graças aos alunos, a gente conseguiu arrecadar tudo isso. Essa ajuda faz toda a diferença, sabe? Se não fosse por esse evento, seria bem diferente do que é hoje para os beneficiados”, ressalta Giselle.
Apoio aos abrigos e protetores
Os filhotes para adoção que participam do projeto moram em abrigos ou são cuidados por protetores animais, como Nágela Keilla que cuida do perfil @eue56patinhas e levou os cães nesse último domingo (18).
Para ela, o Mantra Pet é uma vitrine importante resultante na visibilidade dos animais e na doação de rações. “Eles precisam ser vistos para serem adotados, né? E a doação do alimento é uma ajuda muito grande para nós”, afirma.
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No dia, cerca de 12 cães estavam participando do momento, sendo sete filhotes com cerca de dois a quatro meses, e outros cinco já adultos. Entre eles estava uma cachorrinha ainda sem nome que vivia na rua e estava no cio. Ela foi resgatada no Nágela e castrada.
“Se não for adotada, infelizmente ela vai voltar para a rua porque não temos como manter mais do que já temos”, explica. Embora o foco principal do evento seja a produção de conteúdo para divulgar os animais, nada impede que uma adoção aconteça no evento.
Quando chegaram ao local, o casal de professores Geovanna Carvalho e Hugo Vale estavam de coração aberto. Ambos descobriram o projeto pelas redes sociais e tinham interesses diferentes: ela buscava o exercício de yoga, enquanto ele queria ver os filhotes, admitiu.
“Achei a ideia muito boa, principalmente a parte que o dinheiro é revestido. Ter esse contato e socializar com os cachorros é uma forma de chamar a atenção. Só por foto, a pessoa não vai se apegar tanto, mas vindo e participando de uma aula, dá tempo de se aproximar antes da adoção”
Hugo conta que era tutor de um cachorro que faleceu e sente falta de ter um companheiro. Foi assim que os noivos saíram de lá com um novo pet, a Panqueca. Ela ganhou esse nome, explica Geovanna, porque “se derrete todinha por carinho”.
A professora conta que ambos pensaram que só ia ter filhotes, mas lá encontraram outros cachorros maiores. No primeiro contato com a Panqueca, teve muito carinho e chamego.
“Foi uma das primeiras que interagiu conosco, deitou no nosso colo e estava super manhosa. A gente logo se apaixonou”, afirma.
Após conhecerem a história da cachorrinha, o coração do casal apertou, se derreteu e eles escolheram uma nova integrante de uma família que já se inicia. “Nós vamos casar no fim do ano e ela vai para nossa casa”, diz Geovanna.