Unifor abre centro para crianças com doenças neurológicas raras; saiba como vai funcionar

Espaço de atendimento e pesquisa fica no bairro Edson Queiroz.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
Vista aérea do Nami, unidade de saúde da Universidade de Fortaleza em formato retangular amarelo. Em frente a ele, há um estacionamento com alguns carros e árvores. Atrás, pode-se ver um horizonte cheio de prédios.
Legenda: Centro ficará integrado ao Nami, no bairro Edson Queiroz, vinculado a cursos da área da saúde.
Foto: Ares Soares/Divulgação.

Doenças raras que afetam o sistema nervoso desafiam a ciência e o cotidiano de pacientes e familiares. A partir deste mês, Fortaleza passará a contar com um espaço para pesquisas e tratamento dessas condições: o Centro de Neurodesenvolvimento em Doenças Raras (CEND), instalado no Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami), no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor). 

Segundo a Fundação Edson Queiroz (FEQ), o CEND tem a missão de oferecer atendimento especializado e interdisciplinar a crianças da gestação aos 6 anos de idade, com transtornos de neurodesenvolvimento e doenças neurológicas raras no Ceará. A meta é aliar assistência à produção de conhecimento científico. 

A unidade também atuará na formação de profissionais da saúde e no desenvolvimento de pesquisas voltadas ao diagnóstico precoce em gestantes, manejo clínico e inovação terapêutica.

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Segundo o médico neuropediatra e coordenador do Centro, Eduardo Jucá, o foco não é qualquer enfermidade rara, mas sim aquelas ligadas ao desenvolvimento cerebral. “Estamos concentrados na parte do sistema nervoso associada a doenças raras e síndromes”, explica.

O propósito central da iniciativa é acolher famílias que enfrentam o desgaste de buscar diagnósticos sem sucesso em diferentes unidades de saúde. Jucá destaca que o centro busca “encurtar essa trajetória e o percurso em busca de respostas e de tratamentos”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma doença é considerada rara quando afeta até 65 pessoas a cada 100 mil indivíduos.

Onde ficará o Centro?

O atendimento funcionará de forma integrada, unindo serviços de reabilitação já existentes sob um único “guarda-chuva” operacional para dar mais suporte a pais e responsáveis.

O CEND funcionará nas dependências do Nami, no bairro Edson Queiroz. A unidade é referência em atendimento humanizado e oferece serviços à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), de tarifa popular e de planos de saúde.

Inicialmente, o fluxo de pacientes será estruturado por meio da regulação (encaminhamento) e parcerias estratégicas com outras instituições. 

Junto ao Nami, o Centro disponibilizará uma equipe profissional multidisciplinar qualificada e serviço de ultrassom para o diagnóstico precoce. Além dos profissionais e da estrutura, a FEQ oferecerá a realização, quando solicitada, do exame de exoma, por meio de parcerias com laboratórios credenciados. 

O exame de exoma é um teste genético de alta complexidade, realizado em amostras de sangue ou saliva e recomendado para o diagnóstico de doenças genéticas de difícil identificação ou quando exames anteriores forem negativos.

O que são doenças raras?

Doenças raras que afetam o sistema nervoso podem prejudicar as funções motoras, sensitivas e cognitivas da criança, afetando o desenvolvimento neurológico. Cerca de 80% das doenças raras têm origem genética e muitas delas se manifestam ainda na infância. 

No campo do sistema nervoso e de sua formação, destacam-se condições como:

  • agenesia do corpo caloso;
  • cranioestenoses;
  • hidrocefalias;
  • displasias cerebrais;
  • encefalopatias epilépticas;
  • transtornos do neurodesenvolvimento de base genética.

Frequentemente, essas doenças exigem acompanhamento contínuo e abordagem multidisciplinar, envolvendo neurologistas, geneticistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros profissionais de saúde.

Por isso, a detecção prévia é essencial para garantir que os pacientes recebam o tratamento adequado o mais rápido possível.

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Formação de profissionais

“A inauguração do CEND representa avanço significativo no cuidado às pessoas com alterações do sistema nervoso e com doenças raras e suas famílias. Estamos investindo não apenas em tratamento, mas também em pesquisa e formação de especialistas e pesquisadores em neurodesenvolvimento”, afirma a presidente da FEQ, Lenise Queiroz Rocha.

O médico e professor Eduardo Jucá também enxerga o local como um “hub que envolve esse tema, porque vai desde a pesquisa de bancada até o diagnóstico”. Como parte do tripé universitário, o CEND funcionará como um polo de formação profissional, pesquisa científica e assistência direta. 

A visão de futuro do Centro é consolidar-se como referência nacional, oferecendo tratamentos que vão da reabilitação a intervenções fetais. O foco é garantir respostas rápidas para que as crianças aproveitem os primeiros anos de vida. 

Para o neuropediatra, o papel do CEND é permitir que o paciente possa “seguir a sua trajetória desenvolvendo o máximo das suas potencialidades”.

A solenidade de inauguração do Centro será nesta quinta-feira (5), às 16h, com a presença do neurocientista Miguel Nicolelis, além de gestores da FEQ e da Unifor.

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