Teto da sede do Projeto 4 Varas desaba após chuva intensa em Fortaleza
Entidade estava sem apoio financeiro da Prefeitura de Fortaleza desde 2024.
O teto de uma das três ocas que compõe a sede do Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (MISMEC), conhecido como Projeto 4 Varas, desabou no bairro Barra do Ceará durante a intensa chuva registrada em Fortaleza na manhã desta terça-feira (27). Ninguém ficou ferido na ocasião.
A queda da cobertura, conforme o gestor da iniciativa, Antônio Cláudio, acontecera em decorrência da combinação entre a forte chuva e a falta de manutenção da estrutura de origem indígena — construída com tijolos e coberta por carnaúba entrelaçada.
As palhas já estavam se deteriorando. Quando chovia, não tinha condição de atender. [...] As colunas, que são de carnaubeira, apodreceram com o tempo, e com o peso da chuva de hoje de manhã, que foi absurdamente forte, pesou e uma dessas colunas quebrou e levou todas as outras juntas."
Com o desabamento, a entidade encerrou seus serviços, sem previsão de retorno. "A partir de hoje, os atendimentos vão estar suspensos. A gente só vai atender os caso de completa urgência, nas nossas instalações de alvenaria", explica.
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Antônio Cláudio detalha que a entidade estava sem apoio financeiro, e funcionava a partir de doações e do dinheiro resultante da venda dos livros do médico psiquiatra Adalberto de Paula Barreto, fundador da instituição.
"Durante 18 anos, essa manutenção foi feita em parceria com a Prefeitura. No entanto, foi cortada há dois anos em consequências de algumas mudanças do Ministério Público na forma de contratação por edital e até agora não foi refeita", explica o gestor.
Projeto não havia se recuperado de incêndio de 2025
A sede do Projeto 4 Varas já havia sido impactada durante o Réveillon do ano passado, quando outra oca foi atingida por um incêndio, e desde então operava somente com duas.
Com mais de 40 anos, a instituição atuava oferecendo ações de saúde mental à população vulnerável da região, chegando a atender mais de 6 mil pessoas mensalmente.
Porém, com a redução da capacidade provocada pelas chamas, acolhia atualmente de 1,5 mil a 2 mil pessoas por mês.
O gestor estimou que o prejuízo provocado pelas chamas e pelo desabamento é de aproximadamente R$ 420 mil.
O Diário do Nordeste solicitou esclarecimentos para a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), órgão vinculado à Prefeitura de Fortaleza, questionando a interrupção do apoio financeiro à instituição e aguarda retorno.