No 1º mês da quadra chuvosa de 2026, veja como estão os açudes do Ceará
Apesar do ganho de água, cenário tem sido menos favorável do que no ano passado.
Três dos maiores açudes do Ceará estão entre os que mais receberam água, até agora, em 2026: Araras, no município de Varjota; Castanhão, em Alto Santo; e Orós, na cidade de mesmo nome. Apesar disso, o aporte ainda não é significativo, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
O Ceará possui, hoje, 144 açudes monitorados pela Cogerh. Até sexta-feira (13), nenhum estava sangrando, e apenas o açude de Curral Velho, em Morada Nova, tinha volume acima de 90%. Ele chegou a verter, no início de fevereiro, mas o nível voltou a cair.
Outros 40 reservatórios amargam situação complexa, com menos de 30% da capacidade preenchida. Com isso, a reserva hídrica total do Ceará está com pouco mais de 38% do volume. Em 2025, neste mesmo período, esse valor era 44,1%, com seis açudes sangrando e nove acima de 90%.
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Com a irregularidade das poucas chuvas que caíram sobre o Estado até agora, a situação das bacias (conjuntos de açudes por região) cearenses é diversa. O melhor cenário está na bacia do Alto Jaguaribe, composta por 18 açudes, entre eles o Orós: até sexta, ela tinha 69,2% da capacidade preenchida.
Em seguida, aparecem as bacias de Acaraú (onde está o Araras, 4º maior do Ceará), 66% cheia, e Litoral, com 63% do volume. O cenário contrasta com as bacias de Crateús e Médio Jaguaribe, cheias com apenas 10% e 19% da capacidade, respectivamente.
Yuri Castro, presidente da Cogerh, explica que os aportes até agora “não representam muita coisa”, principalmente após um mês de janeiro de chuvas quase 32% abaixo da média histórica.
“Tivemos um início de aporte em alguns reservatórios, mas quase insignificante. Até então, entraram 149 milhões (de m³). Para se ter ideia, nossa média é de 4 bilhões. Mas a recarga dos açudes iniciou agora”, tranquiliza.
Março e abril são os meses com maior ganho de água pelos reservatórios cearenses, lembra Yuri, de modo que o crescimento ainda pequeno dos níveis d’água “é normal para o período”.
Volume atual dos maiores açudes do Ceará
- Castanhão: 19,5%;
- Orós: 70%;
- Banabuiú: 27,3%;
- Araras: 64,84%;
- Figueiredo: 19,7%.
Situação crítica no interior
A irregularidade geográfica das chuvas leva algumas regiões do Estado a situações críticas. É o caso de Crateús, no sertão cearense. “É lá que preocupa, hoje, pelo acumulado. Temos na bacia municípios com mais de 60 mil habitantes, Novo Oriente, Quiterianópolis, Independência. Já programamos algumas ações”, adianta o presidente da Cogerh.
Yuri afirma que, caso a quadra chuvosa não gere ganhos de água significativos aos açudes da região, serão necessárias ações emergenciais para garantir o abastecimento da população – incluindo a construção de uma adutora de 18 km.
“Talvez a gente precise interligar o Açude Realejo à sede, já que o Carnaubal e o Batalhão poderão falhar no mês de dezembro, caso não tenha aporte nessa quadra chuvosa. O Realejo tem um pouco mais de água e dá uma sobrevida a Crateús”, situa.
é o volume atual do açude Realejo, em Crateús. Ele é um dos dez que compõem a bacia hidrográfica da região.
O presidente da Cogerh informa que os materiais e estruturas para possível realização da obra hídrica já estão sendo adquiridos, mas ela “só será concretizada caso não tenhamos o aporte”. Se não chover e não houver ação emergencial, o abastecimento de Crateús poderia colapsar em dezembro deste ano.
“Quem vai salvar Crateús é o Carnaubal e a interligação com o Realejo. Novo Oriente a gente consegue atender com poços, complementando com o Açude Flor do Campo. Em Independência, o Jaburu II consegue atender até a próxima quadra chuvosa, mesmo que não tenha recarga”, complementa o gestor.
Onde deve chover mais durante a quadra
Em janeiro, durante a divulgação do prognóstico da quadra chuvosa de 2026, o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, reconheceu que “existe uma incerteza muito grande” em torno do cenário, mas avaliou que as chuvas devem ser mais positivas na porção noroeste do Ceará e ter menor volume no sudeste do Estado.
Sávio destacou que, embora ainda seja pré-estação, e não estação chuvosa em si, um janeiro de poucas chuvas era “preocupante” em termos de recargas hídricas, já que o solo precisa receber umidade para que os açudes consigam reter água.
Entre janeiro e fevereiro, até a última sexta-feira (13), as maiores chuvas do Estado se concentraram nas regiões do Litoral Norte e do Cariri, dois extremos do mapa cearense. Considerando apenas fevereiro, Ibiapaba e o centro do Estado também registraram mais precipitações.