Vereadores de Morada Nova são alvos de prisão preventiva da PF

A ação investiga um esquema envolvendo organização criminosa em financiamento ilícito de campanhas eleitorais.

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 16:28)

A Câmara de Vereadores de Morada Nova (CE), no Vale do Jaguaribe, é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (12), durante a deflagração da Operação Traditori. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva, incluindo cinco contra vereadores.

A ação investiga um esquema envolvendo organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e financiamento ilícito de campanhas eleitorais. 

Vereadores que são alvos: 

  • Hilmar Sérgio (PT) - Presidente da Câmara Municipal;
  • Gleide Rabelo (PT) - Secretária na Mesa Diretora da Câmara;
  • Régis Rumão (PP) - vereador da Câmara Municipal;
  • Júnior do Dedé (PSB) - Secretário de Administração do município;
  • Claudio Roberto Chaves da Silva - Cláudio Maroca (PT) - vereador da Câmara Municipal.

Marco Bica, superintendente da Sohidra, ex-procurador da Prefeitura de Morada Nova e ex-presidente da Câmara, também foi alvo da operação, mas não está preso, como informado inicialmente. Em nota, Marquinhos negou que tenha sido expedido um mandado de prisão contra ele. O político ressaltou que confia plenamente na Justiça e reforçou que "a verdade prevalecerá".

"Para preservar a Sohidra e garantir a tranquilidade das investigações, tomei a decisão de me afastar do cargo de superintendente enquanto os fatos são apurados", informou em nota pública.

"Reitero que estou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos e confio que a Justiça será feita", finalizou.

PF cumpre mandado na Câmara dos Vereadores de Morada Nova.
Legenda: PF cumpre mandado na Câmara dos Vereadores de Morada Nova.
Foto: Reprodução/Instagram/Divulgação/PF

No Instagram, a Câmara de Vereadores de Morada Nova informou que "estão suspensas as atividades e a sessão legislativa previstas para hoje".

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) também cumpre 30 mandados de busca e apreensão em diversos endereços. Entre os locais vistoriados estão a sede da Câmara Municipal, residências e empresas ligadas aos investigados.

Segundo as investigações, o grupo criminoso seria ligado a uma facção com atuação no Vale do Jaguaribe e teria estruturado um esquema de movimentação e ocultação de recursos ilícitos, posteriormente utilizados para financiar campanhas nas eleições municipais de 2024.

O inquérito iniciou após o compartilhamento legal de dados pela Delegacia de Polícia Civil de Morada Nova e pela DPI Sul. A apuração identificou indícios de infiltração do crime organizado na esfera política local.

A operação ocorre nos municípios de Fortaleza, Chorozinho, Morada Nova, Limoeiro do Norte e Pedra Branca, no Ceará, além da cidade de São Paulo (SP).

Agentes públicos serão afastados de cargos

As medidas judiciais foram autorizadas pela 93ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Além das prisões e buscas, a decisão também determina afastamento cautelar de agentes públicos, bem como sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro da organização criminosa.

A FICCO/CE reúne forças de segurança estaduais e federais, incluindo Polícia Civil do Ceará (PCCE), Polícia Federal, Polícia Militar do Ceará (PMCE), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

O que dizem os partidos políticos?

Procurado pela reportagem, o PT Ceará informou, por meio de sua secretaria de comunicação, que ainda não teve acesso ao processo e não foi notificado oficialmente até o momento. 

O Diário do Nordeste procurou a assessoria de imprensa do PSB e a direção do PP. A reportagem será atualizada quando houver algum retorno.

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