Metrofor estuda juntar cartões de metrô e ônibus em 2026; o que muda e como fica a integração tarifária

A unificação dos bilhetes é vista como o primeiro passo para a integração tarifária, que permitiria ao passageiro usar diferentes modais pagando um único valor.

Escrito por
Thatiany Nascimento thatiany.nascimento@svm.com.br
Legenda: Desde 2014 o metrô de Fortaleza funciona em operação comercial
Foto: Fabiane de Paula

Desde 2014, quando as operações comerciais do metrô de Fortaleza tiveram início, com os usuários pagando a passagem na Linha Sul que liga Fortaleza a Maracanaú e Pacatuba, uma demanda é recorrente: a integração tarifária com os ônibus urbanos, de modo que os passageiros possam pagar uma única passagem e usufruir dos dois modais. A medida nunca saiu do papel. Agora, em um passo que pode ser o primeiro rumo à integração tarifária, o Governo do Estado estuda juntar cartões de metrô e ônibus em 2026 para que o passageiro use apenas um dispositivo no embarque.

A informação foi repassada pelo diretor-presidente do Metrofor, Plínio Pompeu, em entrevista ao Diário do Nordeste, na última sexta-feira (6) na inauguração do ramal do VLT que liga o Aeroporto à Estação Expedicionários. 

De acordo com ele, por uma determinação do governador Elmano de Freitas (PT), o Metrofor está “tentando fazer a integração dos equipamentos de leitura”, de modo que o passageiro utilize o mesmo cartão de embarque no ônibus e no metrô, ainda que pagando a tarifa separada em cada um deles, já que não há ainda a integração tarifária. 

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“Estamos olhando, já está bem desenhado eu acredito que em pouco tempo, em muito pouco tempo, estará pronto todo esse sistema. É onde nós vamos ter já é um grande passo, usar o mesmo cartão nos dois. O segundo passo é justamente a integração tarifária”, afirmou, acrescentando que a medida de junção dos cartões deve ser implantada ainda no primeiro semestre deste ano.
 
A mudança, segundo Plínio, inclui tanto o cartão de tarifa inteira quanto as carteiras estudantis. Hoje, cada sistema usa um cartão diferente: nos ônibus, o bilhete é gerido pela Prefeitura; no metrô, pelo Governo do Estado. Atualmente, a passagem do metrô na Linha Sul custa R$ 3,60 na inteira e R$ 1,80 na meia. Já nos ônibus urbanos de Fortaleza, a tarifa é de R$ 5,40 na inteira e R$ 1,50 para estudantes. 

A Linha Sul (que liga Fortaleza a Maracanaú e Pacatuba) e a Linha Oeste (que liga Fortaleza a Caucaia) cobram pelo uso, embora as tarifas sejam diferentes. Já a linha VLT Parangaba-Mucuripe e o ramal Aeroporto não cobram pela operação. 

De acordo com ele, essa unificação da bilhetagem deve ocorrer “onde atua o metrô que é Caucaia, Fortaleza, Maracanaú e Pacatuba”. O modelo também poderá ser “levado para o interior”, iniciando pelo Cariri e, posteriormente, Sobral. Mas, pondera, que na região Norte como “não tem um sistema de ônibus ainda definido, bem elaborado, é mais complicado pensar nisso”. 

Conforme Plínio, hoje, em várias estações do sistema metroviário, “o mesmo sistema de bilhetagem, é o mesmo cartão que a pessoa pega no ônibus”. Essas estruturas, aponta, são utilizadas em formato de teste.

Como fica a ideia de integração tarifária?

A integração tarifária, embora seja uma demanda antiga, ainda não ocorre entre ônibus e transportes metroferroviários na Capital e Região Metropolitana e nem tem um prazo definido. Conforme Plínio, conseguir integrar as tarifas é um “segundo passo” e, nesse processo, muitas questões ainda precisam ser melhor desenvolvidas, uma delas é a destinação da verba paga no embarque de cada veículo. 

“Quanto dessa integração, quando você compra a passagem, vamos supor, você comprou no ônibus e saiu do ônibus e entrou no metrô, tem um tempo, um prazo. Para onde vai esse dinheiro? Ele tem que ir para uma câmara de compensação e ele ser redistribuído. Olha, tantos por cento é para você (Prefeitura), tantos por cento é para você (Governo do Estado). Porque a mesma pessoa que vai ao trabalho ela vai pegar dois, três modais, dois, três veículos, seja o VLT, seja o metrô, seja o ônibus ou até a van”. 
Plínio Pompeu
Diretor-presidente do Metrofor

Além disso, um dos caminhos também considerados é que as estações metroviárias e do VLT, podem, no futuro, “quando estiverem integradas, serem utilizadas como estações como hoje existem os terminais rodoviários”. Ele explica: “ao invés de pegar todas as linhas e levar para o mesmo terminal rodoviário, você descentraliza as 20 estações que temos”. 

Legenda: A mudança inclui tanto o cartão de tarifa inteira quanto as carteiras estudantis.
Foto: Fabiane de Paula

“São 20 locais que os ônibus podem cruzar e o passageiro descer e pegar o outro com segurança, porque ele tem uma estrutura física grande já com segurança, ao invés do passageiro integrar no meio da rua, ficar numa parada de ônibus sozinho”, acrescenta. 

Questionado sobre os custos do metrô, Plínio afirmou que a tarifa do modal não pode ser considerada cara quando se observa o volume de passageiros transportados e os benefícios do serviço. Segundo ele, ao comparar com os ônibus, que utilizam vias mantidas com recursos públicos, o custo por deslocamento é semelhante, mesmo com o metrô oferecendo estrutura e serviços adicionais, como segurança.

Ele também destacou que, em grandes cidades ao redor do mundo, o metrô funciona como eixo central do transporte, responsável por concentrar e distribuir passageiros para outros modais. Na avaliação do diretor-presidente do Metrofor, esse modelo reduz o tempo de deslocamento e melhora as condições de segurança para a população.

 

 

 

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