Catedral de Fortaleza é invadida e sofre vandalismo; é o 4º ataque a templos em dois meses

Castiçais e material litúrgico já estavam prontos para serem levados.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
(Atualizado às 11:24)

A Catedral Metropolitana de Fortaleza, no Centro da capital, foi invadida e vandalizada na madrugada desta terça-feira (3). No quarto caso em menos de dois meses, a capital cearense enfrenta uma sequência de invasões e crimes contra o patrimônio religioso.  

De acordo com a Arquidiocese de Fortaleza, o templo foi invadido por volta de 1h30. Embora nenhum objeto tenha sido efetivamente levado durante a ação na Catedral, o local sofreu danos significativos. 

Um vitral de valor histórico - que data da fundação do templo, em 1978 - foi quebrado, a sacristia foi encontrada revirada e diversas peças de prata foram localizadas já preparadas para serem levadas pelos invasores.

Pedaços de vidro quebrado espalhados pelo chão de mármore escuro de uma igreja, com as arcadas e vitrais coloridos da nave principal desfocados ao fundo.
Legenda: Vitrais da década de 1970 foram quebrados.
Foto: Thiago Gadelha.

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Segundo Witalo Gomes, secretário da Catedral, a ação foi flagrada por um guarda patrimonial privado que monitora o local. O agente observou um vitral quebrado e foi averiguar.

O homem flagrado dentro do templo se assustou e fugiu, se ferindo nos estilhaços de vidro. O segurança aponta que ele teve apoio de outra pessoa, mas as câmeras de monitoramento só captaram um deles.

“As imagens não pegam com tanta nitidez por conta da chuva e a escuridão do entorno”, diz Witalo. Apesar do transtorno, nada foi levado e nenhuma imagem sacra foi destruída.

Castiçais metálicos da Catedral de Fortaleza enrolados em pano roxo para serem furtados.
Legenda: Castiçais e outros objetos chegaram a ser embalados para furto.
Foto: Thiago Gadelha.

O pároco da Catedral, padre Clairton Alexandrino, também lamentou "a igreja-mãe da Arquidiocese totalmente saqueada desse jeito". Ele lembrou que os vitrais danificados possuem valor tanto simbólico quanto histórico, e a recuperação deve ser onerosa.

"Os vitrais são caríssimos porque foram importados da Áustria e da Bélgica. Para consertar, é muito complicado, tem que mandar para São Paulo", explica.

Outros casos de furto

A instituição lembra que o ataque à Catedral não é um fato isolado, mas parte de uma série de ocorrências registradas em igrejas do Centro. 

No dia 15 de janeiro, a Capela de São Pedro, pertencente à Catedral, teve os condensadores de ar-condicionado furtados. 

No dia 26 de fevereiro, outro furto, mas de sinos, foi registrado na Igreja de São Bernardo, vinculada à Paróquia Nossa Senhora do Carmo. 

Interior de uma sacristia ou quarto de armazenamento de igreja com armários abertos revelando itens religiosos, dois crucifixos na parede, e uma grande pilha de tecidos brancos no chão de granito escuro com manchas escuras.
Legenda: Vestes e materiais litúrgicos foram revirados na sacristia da Catedral.
Foto: Thiago Gadelha.

A Arquidiocese mencionou ainda uma invasão à Igreja do Rosário, templo católico mais antigo de Fortaleza e edifício tombado desde 1983, embora os detalhes não tenham sido divulgados. 

Para a instituição, “a sociedade enfrenta uma crescente sensação de insegurança, que tem atingido, de forma particular, as igrejas, símbolos de fé e patrimônio da cidade”.

Polícia investiga caso

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) apura as circunstâncias da denúncia de dano, ocorrida nesta terça-feira (3).

Uma equipe da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi acionada para a ocorrência. O caso é investigado pela Delegacia do 24ª Distrito Policial (DP), unidade da PCCE que reforça o registro de Boletim de Ocorrência (BO) para que sejam repassadas mais informações. Diligências seguem em andamento com o intuito de identificar a autoria do crime.

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, para o Whatsapp (85) 3101-0181, ou para os telefones (85) 3101-4926/4927, da Delegacia do 24ª Distrito Policial. O sigilo e o anonimato são garantidos.

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