Justiça suspende obras do complexo de R$ 200 milhões no aeroporto de Fortaleza

Empresa responsável disse que pedido de suspensão apresenta informações desatualizadas e imprecisas.

Escrito por
Bergson Araujo Costa bergson.costa@svm.com.br
(Atualizado às 18:37)
Imagem das obras no aeroporto de Fortaleza.
Legenda: Inicialmente, as obras tinham a previsão de encerrar até o fim de 2025.
Foto: Thiago Gadelha/SVM.

A Justiça Federal suspendeu nesta sexta-feira (20), em caráter liminar e regime de plantão, as obras do complexo logístico de R$ 200 milhões do Aeroporto de Fortaleza. As obras ocupam uma área de 88 campos de futebol.

A decisão partiu de uma ação popular que alega que a Fraport, em conjunto com a empresa Aerotrópolis, promoveu desmatamento de aproximadamente 63,7 hectares de vegetação de Mata Atlântica em área pertencente ao patrimônio da União, mediante licenciamento ambiental considerado irregular e em desacordo com o contrato de concessão do aeroporto.

Em nota ao Diário do Nordeste, a Fraport afirmou que a Aerotrópolis não é contratada da concessionária e que não é responsável pela obra mencionada no entorno do Aeroporto de Fortaleza

“O empreendimento em questão não é executado pela Fraport, mas por terceiro investidor que atua em área regularmente cedida, nos termos do contrato de concessão”, expressa ainda o comunicado.

A concessionária reforçou que, “conforme previsto contratualmente, áreas do sítio aeroportuário podem ser destinadas à exploração comercial por investidores independentes, que passam a ser integralmente responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, incluindo o cumprimento de todas as exigências legais nas esferas municipal, estadual e federal”.

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'INFORMAÇÕES DESATUALIZADAS'

A Aerotrópolis, também em nota ao Diário do Nordeste, afirmou que foi intimada em ação popular relacionada à área no entorno do aeroporto e que continuará trabalhando de forma colaborativa com todos os órgãos.

“Cabe destacar que a demanda apresentada pelo autor continha informações desatualizadas e imprecisas, contrastando com a documentação técnica da empresa, que estava devidamente atualizada e em conformidade com as exigências legais”, afirmou ainda a empresa.

A Aerotrópolis disse ainda que todas as ações executadas foram devidamente licenciadas, com base em estudos técnicos especializados, não havendo qualquer decisão definitiva que aponte irregularidade.

“A empresa reforça que o empreendimento vem sendo conduzido de forma responsável e em conformidade com a legislação aplicável”, conclui a nota da entidade.

DETERMINAÇÕES

O pedido liminar foi deferido parcialmente. Na decisão da Justiça Federal da 5ª Região, por meio da 7ª Vara Federal do Ceará, foram determinados:

  • a imediata suspensão de novas supressões de vegetação ou intervenções ambientais na área objeto da controvérsia situada no sítio aeroportuário do Aeroporto Internacional Pinto Martins;
  • a paralisação de obras ou movimentações de terra relacionadas ao empreendimento imobiliário mencionado na inicial, até ulterior deliberação deste Juízo;
  • a intimação das rés FRAPORT BRASIL S.A., AEROTRÓPOLIS EMPREENDIMENTOS S.A. e SEMACE.

Os citados têm o prazo de 10 dias para que apresentem toda a documentação referente:

  • ao licenciamento ambiental do empreendimento;
  • às autorizações para supressão vegetal;
  • aos estudos ambientais realizados;
  • aos contratos firmados entre Fraport e Aerotrópolis relativos à utilização da área.

ANDAMENTO DAS OBRAS

Imagem de satélite da área do Aeroporto de Fortaleza com seta apontando local do complexo logístico da Aerotropolis
Legenda: Complexo logístico da Aerotropolis será na margem da BR-116, na área aeroportuária de Fortaleza, como indica seta
Foto: Reprodução/Google Maps

Antes mesmo do início das obras, o empreendimento gerou inúmeras discussões sobre sua ocupação em área de vegetação.

O Diário do Nordeste questionou a Aerotrópolis sobre o andamento das obras, mas a empresa compartilhou que, neste momento, está concentrando o posicionamento nas informações já compartilhadas em nota, em razão do andamento do processo.

As obras do complexo logístico foram iniciadas ainda no ano passado e, inicialmente, tinham a previsão de encerrar até o fim de 2025.  Ao todo, serão aproximadamente 364 mil metros quadrados de área construída em uma área total de mais de 630 mil metros quadrados.

O que deve ser construído no espaço:

  • sete galpões logísticos;
  • um truck center (local para manutenção e reparo de caminhões);
  • um posto de combustível para veículos automotores;
  • um ponto de abastecimento de combustível (comércio atacadista de combustível).

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