Casos de dengue no CE crescem mais de 30% em 2026; mortes já superam 2025

Apesar do aumento, Secretaria da Saúde considera cenário de baixa transmissão.

Escrito por
Nícolas Paulino nicolas.paulino@svm.com.br
Silhuetas escuras e ampliadas de vários mosquitos Aedes aegypti parados sobre uma tela branca iluminada, dentro de um laboratório.
Legenda: Mosquito transmissor da dengue se prolifera com mais facilidade no período chuvoso no Ceará.
Foto: Paulo Whitaker/Reuters.

Até o início do mês de junho, o Ceará registra um aumento de mais de 30% nos casos de dengue em relação ao mesmo período de 2025. Além disso, as cinco mortes decorrentes da doença até o momento já superam as três contabilizadas em todo o ano passado.

Os dados são do IntegraSUS, plataforma de transparência da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), e foram consultados pelo Diário do Nordeste. Informes epidemiológicos recentes da Pasta também apontam a tendência de crescimento dos casos.

Até o momento, o Estado teve 2.696 casos oficialmente confirmados – a grande maioria (2.265) por critérios laboratoriais e 431 por critérios clínico-epidemiológicos –, enquanto outros 5.951 são classificados como casos prováveis. 

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Apesar de a maior parte das notificações ter sido descartada (11.204 casos), a gravidade da doença se manifesta nos registros de complicações e óbitos. O painel contabiliza 11 casos graves de dengue no estado, além de 5 óbitos já confirmados em decorrência da infecção. 

Outras 4 mortes suspeitas seguem em investigação pelas equipes de vigilância em saúde, reforçando a importância do combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti e da busca rápida por atendimento médico diante dos primeiros sintomas.

As mortes ocorreram nas cidades de Fortaleza, Eusébio, Tianguá, Juazeiro do Norte e Jardim. O perfil das vítimas não foi divulgado.

Segundo o informe epidemiológico de arboviroses publicado pela Sesa no dia 1º de junho, o período registra alta de 32,4% em relação à mesma semana epidemiológica de 2025, quando foram confirmados 1.736 casos de dengue.

Até o dia 1º, foram registrados 10 casos suspeitos de Dengue Grave (DG). Desses, sete casos foram confirmados, quatro evoluíram para óbito por dengue e três apresentaram evolução para cura. O quinto óbito foi confirmado após o boletim ser divulgado.

A Sesa salienta que o Estado apresenta baixa proporção de confirmação entre os casos notificados, com taxa de confirmação de 14,7% (2.299/15.620) e, portanto, está “compatível com um cenário de baixa transmissão da doença”.

O aumento coincide com o período mais chuvoso no Ceará, que vai de fevereiro a maio e é capaz de aumentar a infestação do mosquito Aedes aegypti pelo acúmulo de água em quintais e espaços abertos. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), em 2026, a quadra chuvosa ficou dentro da média

Regiões mais afetadas

As Superintendências Regionais de Saúde (SR) Norte e Sul concentram os maiores percentuais de casos notificados e confirmados de dengue no Estado. Veja abaixo o comparativo entre as macrorregiões, pelos dados do IntegraSUS:

  • Cariri: 1.161 casos confirmados e 2 óbitos
  • Norte: 793 casos confirmados e 1 óbito
  • Litoral Leste: 385 casos confirmados e 0 óbitos
  • Fortaleza: 329 casos confirmados e 2 óbitos
  • Sertão Central: 28 casos confirmados e 0 óbitos

Segundo o informe oficial da Sesa, 91,8% dos municípios cearenses registraram casos prováveis de dengue, sendo 14 considerados em risco de epidemia por apresentarem incidências “alta” ou “muito alta”. 

Dos 14 municípios em risco, sete se destacam com incidências de casos confirmados alta e muito alta, “caracterizando cenários de transmissão sustentada de dengue nesses territórios”. Eles estão localizados em três regiões do Estado: 

  • Sul: Cedro, Jardim, Farias Brito e Granjeiro 
  • Norte: Hidrolândia e Guaraciaba do Norte
  • Litoral Leste: Pereiro

Apenas 10 cidades estão na lista dos municípios classificados como “silenciosos”, termo usado para áreas ou momentos epidemiológicos em que não há notificação de casos suspeitos de dengue: Antonina do Norte, Apuiarés, Barroquinha, Cariré, General Sampaio, Irauçuba, Ocara, São Luís do Curu, Senador Sá e Umari.

Sorotipos detectados

O vírus da dengue apresenta quatro sorotipos (DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4). Embora todos causem os mesmos sintomas gerais, a infecção por um deles não protege contra os outros; isso significa que uma pessoa pode ter dengue quatro vezes ao longo da vida

Em 2026, as detecções laboratoriais de sorotipos indicam a circulação predominante dos sorotipos 1 e 2 no Ceará.

Contudo, para a Sesa, a maior preocupação é o risco da reintrodução massiva do sorotipo 3, que pode ocasionar um aumento no número de casos em virtude de um alto número de indivíduos suscetíveis. Essa variação não circula com força no Estado há quase 20 anos. 

Vacinação contra a dengue

No Ceará, a campanha de vacinação contra a dengue com a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda, segue ativa e recomendada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 10 a 14 anos em todos os 184 municípios cearenses, aplicando-se o esquema de duas doses.

Uma modalidade de vacinação com o imunizante do Instituto Butantan foi temporariamente suspensa no Ceará, em conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde, na última segunda-feira (8). No Estado, a vacina contemplou profissionais de saúde da Atenção Primária e moradores de 15 a 59 anos do município de Maranguape, que fez parte de uma estratégia pioneira no país. 

Para a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Coelho, a suspensão temporária da imunização “não altera as evidências de segurança e eficácia observadas até o momento”. “As pessoas já vacinadas permanecem protegidas e continuam sendo acompanhadas pelas equipes de vigilância em saúde”, declarou nas redes sociais.

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