Wagner Moura critica pressão para perder sotaque em Hollywood

Ator falou à imprensa dos EUA sobre identidade e carreira internacional.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 13:37)
Wagner Moura foi um dos destaques de janeiro do The Hollywood Reporter.
Legenda: Wagner Moura foi um dos destaques de janeiro do The Hollywood Reporter.
Foto: Reprodução/X.

Wagner Moura é um dos destaques da edição de janeiro da “The Hollywood Reporter”, que reuniu sete atores cotados, pela primeira vez, a uma indicação ao Oscar.

O brasileiro aparece na capa ao lado de Adam Sandler, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan, Jacob Elordi, Mark Hamill e Jeremy Allen White, todos em evidência no cinema em 2025.

Durante uma mesa redonda promovida pela revista americana, o ator comentou sua trajetória fora do Brasil e refletiu sobre identidade, imigração e sotaque.

Segundo ele, nunca fez parte de seus planos abandonar suas origens para se encaixar em padrões de Hollywood.

"Nunca tive esse sonho de vir até aqui e 'tentar Hollywood'", falou. "O que me faz diferente e talvez especial para os filmes é o fato de que não sou daqui. Nunca entendi atores que tentam perder seus sotaques. Sou um ator brasileiro e represento uma quantidade enorme de pessoas que moram aqui neste país [EUA] e falam com sotaque".

Wagner também relembrou situações do início da carreira internacional, quando era questionado sobre a possibilidade de neutralizar o sotaque em papéis nos Estados Unidos.

"No início, me perguntavam se eu conseguiria interpretar um personagem com sotaque padrão americano. Eu respondia que não. Primeiro, porque eu não consigo [risos], mas também porque eu acho isso meio errado. Sou um ator brasileiro", completou.

Relação profissional com Kleber Mendonça Filho

Na entrevista, o ator ainda falou sobre a relação profissional com o diretor Kleber Mendonça Filho, que começou anos antes, em Cannes, quando o cineasta ainda atuava como jornalista e crítico.

"Eu estava em Cannes lançando 'Cidade Baixa' e ele estava lá como crítico. Nos conhecemos e nos demos bem. Quando voltei para o Brasil, vi que ele estava dirigindo curtas e eram muito bons. Em 2012, assisti 'O Som ao Redor' e pensei 'esse é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Tenho que trabalhar com esse cara'", contou Wagner.

Segundo ele, a parceria se fortaleceu a partir do contexto político vivido pelo Brasil nos últimos anos.

"Mas isso demorou. O que realmente nos juntou, na verdade, foi a política", continuou o ator. "O Brasil passou por um momento muito ruim entre 2018 e 2022 e quem fosse abertamente contra isso sofria consequências. Nós dois sofremos. Meu filme 'Marighella' estreou no festival de Berlim em 2019, mas foi censurado no Brasil".

Conforme o ator, Kleber também sofreu censura no Brasil. "Kleber também passou por isso. Nos unimos e pensamos em como reagir. E aí saiu 'O Agente Secreto', que se passa nos anos 1970, mas conversa com a história recente do Brasil", acrescentou.

Uma multidão festiva do bloco
Ana Beatriz Caldas, Diego Barbosa, João Gabriel Tréz, Lorena Cardoso
14 de Fevereiro de 2026