Que Nem Tu: Itamar Vieira Jr. fala de raízes nordestinas, cultura, 'Torto Arado' e 'Salvar o Fogo'

O escritor de "Torto Arado" e "Salvar o Fogo" é o 27º convidado do podcast Que Nem Tu

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Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 07:07)

Baiano de Salvador, o escritor Itamar Vieira Júnior esteve em Fortaleza na semana passada para lançar sua mais nova obra "Salvar o Fogo", e foi ao podcast Que Nem Tu para conversar sobre o livro e sobre como suas vivências no campo e no Nordeste afetaram sua escrita. O autor também fala sobre religiosidade, cultura e fama. 

No 27º episódio do Que Nem Tu, Itamar conversa com Alan Barros e Lorena Cardoso sobre suas lutas, desde a vida simples com a família, a passagem pela carreira acadêmica que os parentes não tiveram, e o estrelato na literatura. 

itamar Vieira Júnior, Alan Barros e Lorena Cardoso no estúdio do Que Nem Tu
Legenda: Alan Barros e Lorena Cardoso entrevistaram o escritor
Foto: Thiago Gadelha

A carreira de Itamar deslanchou com a publicação de seu primeiro romance, "Torto Arado", ganhador do Prémio LeYa em 2018, do Prêmio Jabuti em 2020 e do Prêmio Oceanos em 2020. No livro, ele conta a história das irmãs Bibiana e Belonísia, que vive em situação análoga a escravidão em uma fazenda na Bahia. 

O baiano não estava preparado para o sucesso, apesar de ter aprendido a conviver. "[Lidei] muito mal com o sucesso. Primeiro que eu sempre fui uma pessoa muito quieta, muito discreta, de não gostar de holofotes. Eu aprendi a viver sem isso. Não fazia parte da minha vida", comentou. 

Itamar Vieira Júnior no estúdio do Que Nem Tu
Legenda: O escritor Itamar Vieira Júnior foi o 27º convidado do podcast Que Nem Tu
Foto: Thiago Gadelha

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O escritor conta também ao Que Nem Tu sobre como suas vivências em várias cidades nordestinas e no campo o fez mudar seu olhar e suas obras. 

As estruturas são tão coloniais, está tudo tão presente. Parece que nossa história está carimbada ali, porque as marcas são muito visíveis. E aí historia de torto arado voltou. Não escrevi de imediato porque fui fazer doutorado depois e quando eu concluí o doutorado, retomei a história e ela tinha mudado completamente. [...] A história mudou, ganhou densidade e profundidade da minha experiência com camponeses, indígenas e quilombolas
Itamar Vieira Júnior
Escritor

E é justamente essa experiência íntima que Itamar pensou em oferecer aos seus leitores, principalmente ao público do Nordeste: "Nós que somos do Nordeste, tem um universo muito referencial que fala da nossa formação, das nossas dores e das nossas lutas. E bom, eu não podia escrever sobre outro lugar, nada diferente. Eu percebo dos leitores que eles estão adentrando as próprias histórias".

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