Origem dos nomes das ruas de Fortaleza será contada em livro

Autor cearense realiza campanha de financiamento coletivo da obra “Ruas Biográficas”

Escrito por
Antonio Laudenir laudenir.oliveira@svm.com.br
Projeto visual e a diagramação do trabalho ficaram por conta do designer gráfico Carlos Raoni
Legenda: Projeto visual e a diagramação do trabalho ficaram por conta do designer gráfico Carlos Raoni
Foto: Emmanuel Montenegro

O batismo designado para uma rua obedece a diferentes critérios. Vultos históricos, datas importantes e até mesmo características geográficas da via costumam ter influência na escolha. O contexto histórico no qual o nome foi selecionado também pode ser decisivo. Em meio à correria do cotidiano, você consegue identificar a origem da via na qual reside ou caminha com frequência?

Um iguatuense que adotou Fortaleza como casa possui autoridade no assunto. Emmanuel Montenegro guarda especial atenção à pesquisa das biografias. Foi com o olhar apurado e a curiosidade em dia que ele construiu um espaço online dedicado a contar quem são as figuras que inspiraram os nomes dos logradouros da cidade. Toda a pesquisa contida na página “Ruas Biográficas” será transformada em livro. Para isso, o escritor realiza campanha de financiamento coletivo. 

O projeto inicia hoje e continua nos próximos 31 dias. A meta é arrecadar R$ 31.270 reais. O valor será convertido na produção, impressão e entrega dos livros. Além da obra física, o apoiador contará com uma série de recompensas exclusivas como marcador de página, sketchbook, caneca e almofada. 

Os valores cabem em diferentes bolsos e com R$ 40 é possível garantir um exemplar. “São histórias ricas e que não temos conhecimento”, alerta Emmanuel Montenegro. Caso o objetivo da campanha não seja atingido, aqueles que apoiaram serão ressarcidos de forma integral. “Ruas Biográficas” será mais uma produção da Edições BPM – escritas da vida, selo editorial criado pelo cearense. 

Andarilho

A dedicação em registrar estas vias nasce a partir da paixão de Emmanuel pela arte de revelar narrativas. Ainda estudante de jornalismo, mantinha um blog intitulado “Caminhando e Escrevendo”. Certo dia, deparou-se com uma placa biográfica fixada em um muro. Foi o estopim de um mergulho nas origens das ruas. 

Intrigado pela descoberta, sua pesquisa o levou até a Capital cearense do início dos anos 1990. Desbravou a trajetória do jornalista Cláudio Pereira (1945-2010), atuante produtor cultural entre os anos 1970 e 1990. 

Referência na história da cultura de Fortaleza, Cláudio estava à frente da Fundação de Cultura e Turismo de Fortaleza (Funcet), durante a primeira gestão do prefeito Juraci Magalhães (1990-1993). Em cooperação com a iniciativa privada, a Funcet desenvolveu placas biográficas identificando as vias da cidade. Décadas se passaram e hoje são uma raridade. 

Placas hoje raras em Fortaleza
Legenda: Placas hoje raras em Fortaleza
Foto: Emmanuel Montenegro

“Encontrei outras placas biográficas, em péssimo estado de conservação, mal localizadas, algumas escondidas nas pinturas dos muros. Então, resolvi resgatar esse projeto das placas, trazendo-o para a atualidade, via Instagram”, descreve. 

A inspiração, fruto do trabalho e trajetória do gestor cultural estará impressa no livro. Cláudio Pereira será patrono da publicação e terá um capítulo especial reservado em sua homenagem. “Quando eu lancei, a ideia era incentivar as pessoas a cuidar dessa memória. Incentivar novos caminhos, a busca por leitura”, descreve Emmanuel Montenegro.

O “Ruas Biográficas” foi uma iniciativa pensada originalmente para o ambiente virtual. A transposição para o papel foi um processo considerado tranquilo, explica o autor. As fotografias das placas já contavam com qualidade de resolução. A dificuldade, lembra Emmanuel, consta basicamente nos custos de impressão. 

Observador

O cearense conseguiu, por conta destes seis anos de labuta com o perfil no Instagram, adentrar um espaço privilegiado entre os mais de 2 milhões de pessoas que vivem em Fortaleza. Ao recortar e registrar pontos geográficos inseridos em 64 bairros, ele é dono de um acervo capaz de refletir o perfil das nomenclaturas escolhidas na cidade.

Produção foi inspirada a partir de um projeto idealizado no passado de Fortaleza: as placas biográficas
Legenda: Produção foi inspirada a partir de um projeto idealizado no passado de Fortaleza: as placas biográficas
Foto: Emmanuel Montenegro

“Quando fui realizar postagens dedicadas ao Dia Internacional da Mulher, percebi um dado. De 300 ruas, 12 a 14 são com nomes de mulheres. Isso impressiona. Porque os homens são privilegiados e ganham nomes de placas. Não existem mulheres que fizeram tanto pela história e que poderiam também estar lá?”, questiona o realizador. 

Outra leitura que salta aos olhos é o volume de espaços dedicados às diferentes patentes das forças armadas. “A Ditadura vingou até os anos 1980. Era a forma de eles se homenagearem”, estipula. “Não fotografei tudo. Quero chegar algum dia. O primeiro volume será um termômetro. Quem sabe possamos fazer um segundo livro, saber mais dessa história?”, finaliza. 

Serviço: 

Campanha de financiamento do livro “Ruas Biográficas”, de Emmanuel Montenegro. Apoio pelo site 

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