Do backstage à passarela, cearenses registram participação na 48ª SPFW

Evento encerrado na última sexta-feira (18) contou, inclusive, com um desfile em homenagem ao Cariri

Legenda: Referências ao artesanato em couro do mestre Espedito Seleiro estavam evidentes nos looks apresentados pela marca Amapô
Foto: FOTOS: AGÊNCIA FOTOSITE

Eles estavam na plateia, nos holofotes e por trás das lentes. Nascidos na Região do Cariri, em Fortaleza e Limoeiro do Norte, cearenses ocuparam diferentes posições na 48ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), encerrada na última sexta-feira (18). Alguns tiveram até a oportunidade de ver looks, com os quais contribuíram, na passarela do evento, como foi o caso de Cris Romão, 31 anos, estudante do curso de Desenhista de Moda do Senac Crato.

Ela e os demais colegas de turma, que viveram experiência semelhante no Dragão Fashion Brasil 2019, ao apresentar a coleção Cariri Visceral, assumiram, desta vez, responsabilidade maior com a marca de jeanswear Amapô. A parceria foi proposta pelo Senac Crato. “A SPFW não abre portas para estudantes apresentarem trabalhos, é um evento apropriado somente para grandes marcas. Então, não podíamos perder de vista esse DNA da grife, nem deixar de lado as referências da nossa região”, explica Cris.

O resultado da colaboração foi a coleção “SerTão Cariri”, que transformou a passarela numa verdadeira festa cearense, com direito aos modelos dançando forró durante o desfile, e o mestre Espedito Seleiro, de Nova Olinda, aplaudindo na plateia. Nos 30 looks apresentados, inúmeras referências ao artesanato e à religiosidade da região Sul do Ceará.

Legenda: Acima, look inspirado num trabalho artesanal do Centro Cultural Mestre Noza, que faz referência às casas do Horto, em Juazeiro do Norte
Foto: FOTO: AGÊNCIA FOTOSITE

A produção foi supervisionada pelas sócias da Amapô, Carolina Gold e Pitty Taliani. Elas fizeram três visitas ao Cariri para conhecer a região e dialogar com os alunos. “A gente fez como se fosse um workshop. Falamos para eles: olhem para dentro de suas casas, para aquele paninho que cobre o filtro da mãe de vocês, para as fotos de família, para as ruas de Juazeiro ou de Crato, para as pessoas, e vamos focar na estética do que está perto da gente. Eles entenderam muito bem isso”, avalia Carolina.

A experiência de dois meses de trabalho valeu por um ano, segundo a estudante Cris Romão. “Ao mesmo tempo em que a gente apresentava para elas a nossa cultura, estávamos também aprendendo novas coisas, conhecendo novos artistas. Tinha gente daqui que não conhecia o próprio Espedito Seleiro, para você ver como cada um tem seu universo”, observa a cratense, que prestigiou o desfile no último dia 17 de outubro.

Legenda: Símbolos religiosos, como a figura de Padre Cícero e dos ex-votos (na calça) e a de Santo Antônio (na meia) também marcaram a coleção
Foto: FOTOS: AGÊNCIA FOTOSITE

Os arabescos em couro do mestre de Nova Olinda estavam presentes desde a decoração da passarela até as roupas e acessórios utilizados pelos modelos. O trabalho de artesãos do Centro Cultural Mestre Noza, os trajes de reisado e mesmo as vestes do Padre Cícero e das beatas também foram ressignificados na passarela. “Acho que o desfile pode até ter ficado um pouco literal, mas é isso mesmo que a gente queria trazer para o mundo, fazer com que as pessoas se identifiquem, se valorizem, criando mesmo essa visualização mais geral de tudo que a gente tem ali no Cariri”, completa Carolina Gold.

Outros olhares

Além dessa participação expressiva dos estudantes, os profissionais cearenses deixaram suas contribuições na SPFW. Foi o caso do consagrado estilista Lino Villaventura, que mais uma vez desfilou criações autorais. Já Celina Hissa, fundadora da marca Catarina Mina, foi convidada para um painel no Projeto Estufa, plataforma criada pelo evento para apresentar novas formas de criar, distribuir e produzir nesse setor.

Legenda: Celina Hissa, da Catarina Mina, em painel do Projeto Estufa, na SPFW

A fortalezense participou da mesa-redonda “Moda, Transparência e Tecnologia: construindo relações de confiança”. “Colaboramos como única marca do Nordeste neste painel. Lançamos um olhar sobre a importância e o impacto da valorização do artesanato, de entender esse modo de trabalho feito à mão”, destaca.

Da região do Jaguaribe, a fotógrafa Karla Brights, residente em São Paulo há quase três anos, somou sua participação ao time de cearenses nesta SPFW. Ela fotografou o backstage de beleza e moda para a revista Vogue pela primeira vez, apesar de nos dois anos anteriores já ter feito registros semelhantes para a publicação Brava.

Legenda: Registro da fotógrafa cearense Karla Brights: Mika Safro para desfile de Angela Brito

Assim como seus colegas conterrâneos, a profissional de Limoeiro do Norte leva o Ceará aonde for. “Primeiro no meu sotaque, mas não só no jeito de falar, como também na forma o que eu me relaciono com as pessoas, nesse abraço, nesse calor. Sinto que trago o sol nas minhas relações, em especial no meio da moda que, às vezes, é inóspito”.

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