Conheça vilas de pescadores para se hospedar no Ceará

Ambientes proporcionam imersão no cotidiano de comunidades litorâneas

Barco de vela vermelha no mar
Legenda: Em comunidades como Caetanos de Cima, é possível acompanhar a rotina de pescadores
Foto: Temaiseme

Imagine acordar cedinho e ver as jangadas chegando com os frutos do mar que vão compor seu almoço. Depois, passar o dia entre banhos, passeios e trocas de ideias com moradores da comunidade; e, na boca da noite, fazer uma fogueira para curtir entre amigos.

Essas são algumas das experiências que a hospedagem em uma vila de pescadores pode proporcionar, e, nos 500 km de faixa litorânea cearense, não faltam opções para isso.

O servidor público Klinger dos Santos Sales, 41 anos, sempre tira uns dias em família para viver assim na Praia de Retirinho, a 175 km de Fortaleza. Localizada no município de Aracati, ela fica a 29 km da badalada Canoa Quebrada, então pode ser uma opção para esticar a estadia de quem já tem esse outro destino nos planos.

Legenda: Praia de Retirinho
Foto: Acervo pessoal Klinger Sales

“É uma realidade diferente, menos acelerada, mais contemplativa, que impacta principalmente os filhos, que fazem parte da geração tecnológica. O dia todo podemos curtir a praia, o banho de mar, as paisagens e a noite fazemos a tradicional fogueira, assamos peixe, marshmallow e contamos histórias”, destaca.
Klinger dos Santos Sales
Servidor público

Os moradores, segundo ele, são bem receptivos e preparam também pratos por encomenda. Assim, se você não quiser cozinhar, vale a pena comer uma verdadeira comida de pescador, e o melhor, com ingredientes frescos.

“Gostamos muito de tranquilidade e natureza. E esse tipo de lugar nos permite experimentar vivências simples e ao mesmo tempo ricas, cheias de interação entre as pessoas e o ambiente”, completa o servidor.

Hábitos de viagem

Buscas como essa, aliás, estão em alta na pandemia. Pelo menos é o que avalia pesquisa realizada pela MaxMilhas, em parceria com a Opinion Box, entre 18 e 22 de junho deste ano. Os dados, coletados a partir de 1.011 entrevistas virtuais, apontam que:

  • 86% das pessoas pensam em viajar   
  • 74% tem preferência por destinos nacionais 
  • 48% querem praias 
  • 43% tem intenção de viajar entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022 
  • 51% querem locais isolados e poucos visitados (aumento de 23% em relação à pré-pandemia)

 

“O que está sendo mais procurado pelas pessoas é o turismo de áreas abertas, e o Ceará é privilegiado nisso. Temos visto uma tendência da retomada do setor para esse tipo de escolha: ecoturismo, turismo de aventura”, comenta Murilo Santa Cruz, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens do Ceará (Abav-CE).

Para se ter uma ideia, ainda de acordo com as pesquisas da MaxMilhas, Fortaleza aparece entre os dez destinos nacionais mais comprados no terceiro semestre de 2021, na quinta colocação, entre Recife (4º) e Salvador (6º). E a dobradinha com Jericoacoara lidera a venda de pacotes MaxExperiências.

Turismo comunitário

Mas bem antes de chegar em Jeri, um destino já internacionalmente consolidado, você pode conhecer, ali pelo litoral oeste, a vila de pescadores da Emboaca, em Trairi, a 138 km da Capital. Quem fez isso foi a produtora cultural Giordana Frapiccini, 26 anos, ao lado da esposa.

Em dezembro passado, a véspera de natal delas foi diferente. Nada de peru e farofa, pois lá o foco era na bolinha de peixe e no pastelzinho de arraia.

“Acompanhamos uns pescadores voltando com a embarcação de três dias no mar. No dia 24 de dezembro, antes da ceia, várias pessoas foram ajudar a descarregar o barco. Foi lindo demais", lembra.
Giordana Frapiccini
Produtora cultural

Na ocasião, Giordana também visitou os quintais produtivos e diz ter sido muito bem recebida pela comunidade. Por meio de uma Associação Comunitária, os moradores administram por lá a Pousada Corais do Mar, a 12 km de Trairi, entre as praias de Flecheiras e Mundaú.

Legenda: Praia da Emboaca
Foto: Pousada Corais do Mar

“O viajante que vem para nossa praia encontra uma visão maravilhosa:  o lindo pôr do sol e o nascer da lua refletindo sobre o mar, dunas cascudas e o corrente das lavadeiras, onde pode tomar um banho. No período das marés altas, há belos recifes de peixe, onde podem praticar a pesca com vara de linha”, explica Rození Ferreira dos Santos, gerente da Pousada.

A renda de bilro é outro fator cultural a ser apreciado nesta região. “Todas as mulheres nativas de Emboaca sabem fazer, é uma cultura/arte passada de geração a geração”, reforça a moradora.

Rede Tucum

caetanos de cima
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Temaiseme

Outra vila que Giordana visitou, em janeiro de 2021, foi Caetanos de Cima, em Amontada, a 175 km de Fortaleza.

Segundo ela, uma boa ideia é  ir nos meses pós-chuva, para fazer os passeios nas dunas e tomar banho nas lagoas que surgem entre elas. 

“Além disso, para alimentação, eu indicaria os lugares na comunidade que trabalham com culinária, como o Espaço Cabaça de Colo, da chefe Ana Lima, e o Restaurante das Mulheres. Eles utilizam alimentos agroecológicos dos quintais produtivos”, observa ela, que esteve por lá filmando o documentário “Quimanga, comendo como os povos do mar”.

Giordana buscou a hospedagem via Rede Tucum, uma articulação formada, desde 2008, por grupos de comunidades da zona costeira que realizam o turismo comunitário no Ceará. 

“Geralmente, o perfil de nossos visitantes são pesquisadores, professores, famílias que procuram um roteiro mais tranquilo, com vivências dentro das comunidades, e parceiros dos movimentos sociais, pessoas que entendem e valorizam a nossa proposta. As faixas etárias são variadas, pois os destinos estão repletos de experiências que podem ser vividas por toda família”, partilha Ana Sueli de Lima Pinto, da Coordenação Executiva da Rede Tucum e coordenadora do Grupo de Turismo Local de Caetanos de Cima.

Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Helena Soares
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Vylena Sousa
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Ana Lima
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Ana Lima
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Vylena Sousa
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Helena Soares
Legenda: Caetanos de Cima
Foto: Ana Lima

Ana adianta que os passeios e atividades levam os visitantes a conhecerem mais sobre a cultura alimentar, a pesca artesanal, a agricultura, os quintais produtivos, a cultura local, os artesanatos e, principalmente, promovem a interação com a família que hospeda. 

“Cada destino conta com suas peculiaridades e histórias que servem como base para deliciosos roteiros de conhecimento sobre a luta comunitária e defesa de territórios”, diz.
Ana Sueli de Lima Pinto
Coordenação Rede Tucum

Além de Caetanos de Cima, ela indica ainda outras vilas de pescadores para se hospedar via Rede Tucum:

  • Ponta Grossa, Icapuí
  • Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde, Beberibe 
  • Praia do Batoque, Aquiraz
  • Vila da Volta, Aracati
  • Quilombo do Cumbe, Aracati 
  • Assentamento Maceió, Itapipoca
  • Curral Velho, Acaraú 
  • Tatajuba Vila Nova, Camocim 

 

Tem opção de sobra, basta se programar!

Serviço

Praia de Retirinho, em Aracati
Onde ficar: Chalé Marisol
Diária: R$100, com café da manhã
Contato: (88) 9 9343-2290 ou (88) 9 9460-9823

Praia da Emboaca, em Trairi
Onde ficar: Pousada Corais do Mar
Diária: R$ 280 a família (4 pessoas), R$ 200 o casal e R$80 solteiro, com café da manhã
Contato: (85) 9 9409-8405 ou (85) 9 9104-4436

Praia de Caetanos de Cima, em Amontada 
Onde ficar: Casa da Mazé, Chalés do Antônio, Casa do Roberto e Espaço Cabaça de Colo
Contato: (85) 9 9922-1987

Outros destinos da Rede Tucum
Mais informações no site da Rede
Contato: (redetucumceara@gmail.com) e Instagram: @redetucum

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