Como os ambientes podem impactar na saúde mental e no vínculo familiar
Entenda como a arquitetura emocional pode melhorar seu lar.

A série “Adolescência” está em alta na Netflix e nos traz uma reflexão importante sobre a geração do quarto. O que a arquitetura tem a ver com isso? A forma que planejamos a nossa casa para total independência de cada cômodo pode nos afastar enquanto família. Repensar nossas escolhas e criar ambientes que convidam ao encontro pode mudar o cenário de isolamento. Isso é arquitetura emocional.
Vivemos uma era em que talvez a sala e a cozinha estão mais frias usadas como lugar de passagem. Enquanto os quartos surgem super atrativos com TV, computador e banheiro, tornando-se um universo particular paralelo, especialmente, dos adolescentes. E a casa que deveria ser lugar de conexão, separa seus moradores com cada um no seu canto.
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E é isso que a história da série mostra em apenas quatro episódios com cenas chocantes e reais. A solidão de um adolescente de 13 anos que parece estar em segurança no seu quarto, mas que com uma tela em mãos abre-se um portal para um mundo nem tão seguro assim. Isso pode ter consequências irreversíveis, então a coluna de hoje é para voltarmos o nosso olhar para a nossa casa e o comportamento da nova geração nela.

Uma casa que conecta
A arquitetura emocional valoriza a experiência do morador e a relação entre o espaço e as emoções das pessoas. Que tal ressignificar alguns ambientes criando espaços que abraçam como uma sala com amplo sofá para momentos de cinema com todos reunidos, criar o hábito de realizar as refeições na mesa de jantar, além de ter uma cozinha organizada e atrativa para preparação de receitas e boas conversas.

O arquiteto Jonas Lourenço trouxe esse tema à tona em sua rede social (@jonaslourenco) com mais de 81 mil seguidores em um post com mais de 9 mil compartilhamentos. Como profissional da área, ele fez um convite para olharmos para nossa casa com intencionalidade. “Talvez mudar a disposição de um móvel, abrir um espaço na cozinha, criar um cantinho de escuta seja mais transformador do que imagina”, escreveu na legenda.
Talvez seja mesmo a hora de pensarmos que oferecer o melhor dos mundos dentro de um ambiente como o quarto de um adolescente, pode criar uma barreira para a afetividade que acontece do lado de fora.
Mais afetividade
Uma atmosfera confortável e aconchegante de um ambiente tem o poder de criar vínculos fortes. Cores claras, iluminação quente, plantas, tapetes e cortinas podem ajudar na estética desses espaços de encontros familiares.
Ainda no conceito da arquitetura emocional, os ambientes têm o poder de evocar sentimentos diferentes como paz, felicidade e até tristeza. Já parou para pensar o que cada ambiente da sua casa lhe faz sentir? Pequenas mudanças como revelar fotos para preencher porta-retratos contam a nossa história e nos dão a sensação de pertencimento.

Merecemos amar estar nas nossas casas, ou melhor, merecemos amar estarmos juntos de quem amamos nas nossas casas. Juntos no espaço físico, na troca de olhares, na conversa sobre como foi o dia, lavando louças e curtindo a preguiça no sofá. Juntos em ambientes que nos conectam e nos proporcionam momentos de convivência com menos distanciamento emocional.
*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora