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Eleições 2026: configuração da Alece no ano eleitoral tem volta de secretários e trocas partidárias

Assembleia Legislativa do Ceará entra no segundo ano sob a presidência de Romeu Aldigueri.

Escrito por
Marcos Moreira marcos.moreira@svm.com.br
(Atualizado às 17:15)
Foto geral mostra Plenário 13 de Maio da Alece durante votação de deputados estaduais.
Legenda: Composição da Alece deve mudar no ano eleitoral com retorno de deputados titulares e rodízios partidários.
Foto: Júnior Pio/Alece.

A configuração da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) deve passar por mudanças no último ano do atual mandato dos deputados estaduais, visando as eleições gerais de 2026. As novidades englobam o retorno de parlamentares licenciados para o secretariado do Governo Elmano de Freitas (PT) e trocas nos quadros dos partidos para o pleito.

Além da agenda própria do Executivo e da base governista no Parlamento, a Alece entra na reta final da presidência do deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB). Eleito para o biênio 2025-2026 em dezembro de 2024, o parlamentar já anunciou a pré-candidatura para a Câmara dos Deputados. 

Por outro lado, a Casa tem sido ponto de encontro semanal das articulações da ala opositora a Elmano visando um palanque único em 2026, por meio do “Café da Oposição”. O espaço deve ganhar mais protagonismo no ano eleitoral, tendo em vista que o grupo vive uma nova crise, após o PL Ceará suspender as negociações em torno da possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado.

Já as novidades voltadas para o pleito não devem ser observadas de imediato no retorno dos trabalhos no Plenário 13 de Maio — a 1ª sessão ordinária de 2026 está programada para 3 de fevereiro, data da primeira terça-feira após o fim do recesso parlamentar. Isso, porque as principais atualizações estão diretamente ligadas aos prazos da Justiça Eleitoral

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De antemão, as trocas nas legendas passam pela janela partidária. De 6 de março a 5 de abril de 2026, deputados podem mudar de partido político sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade. O período é considerado central na definição da composição das siglas para a disputa eleitoral.

Outro aspecto que mexe com o Parlamento estadual é o prazo para a chamada desincompatibilização. Até 4 de abril de 2026, os postulantes devem se afastar de cargos na administração pública para estarem aptos a disputar as eleições. É o caso dos secretários do Executivo que são deputados licenciados. 

1º vice-presidente da Assembleia, o deputado Danniel Oliveira (MDB) avalia que as mudanças são naturais dentro do Parlamento, principalmente visando o pleito eleitoral, mas o papel do Legislativo deve ser a prioridade. "Embora talvez 90% ou mais estejam correndo atrás de um novo mandato, a gente não pode esquecer que nós temos uma obrigação de que nós precisamos cumprir”, pontuou. 

“Nossa expectativa também é de que se definam os nomes para a eleição do ano que vem, até porque facilita a vida de todo mundo, e que a gente possa aprovar projetos importantes que possam ajudar o Estado do Ceará nessa alavancagem que vem acontecendo nesses últimos anos”
Danniel Oliveira
1º vice-presidente da Alece

MIGRAÇÃO ENTRE PARTIDOS

O período de janela partidária deve concretizar mudanças na configuração do Parlamento estadual, com legendas que podem ter a bancada até mesmo esvaziada, como é o caso do PDT. Atualmente, a sigla tem quatro deputados estaduais: Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho. 

Contudo, o quarteto sinalizou a saída do partido para março deste ano. Enquanto Antônio e Lucinildo já confirmaram a ideia de migrar para o PL, Cláudio e Queiroz ainda alinham se seguirão os passos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ou do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), todos ex-filiados ao PDT.

Líder do PDT na Alece, Cláudio Pinho afirma já ter sinalizado ao diretório que fica “desconfortável” a permanência na legenda, tendo em vista a posição em relação ao Governo.

"Nós vamos procurar um partido, dentro do União Brasil ou do PSDB para que a gente possa fazer a nossa filiação. Não só minha, como do grupo também, e alguns poderão ir também para o PL, dentro desse arco de aliança que está sendo montada na união das oposições no Ceará”, indicou o deputado. 

Fotos mostram deputados Antônio Henrique (PDT), Cláudio Pinho (PDT), Lucinildo Frota (PDT) e Queiroz Filho (PDT) durante discursos na tribuna da Alece.
Legenda: Deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho devem deixar o PDT na próxima janela partidária.
Foto: Júnior Pio/Alece | Marcos Moura/Alece | Dário Gabriel/Alece.

Partido com o maior número de deputados estaduais eleitos em 2022 — 13 ao todo —, o PDT já tinha sofrido a primeira debandada com rompimento do senador Cid Gomes (PSB), a partir do pleito eleitoral daquele ano. O racha se deu em meio às divergências entre aliados da então governadora Izolda Cela (à época, PDT) e do ex-prefeito Roberto Cláudio (então PDT) sobre o nome a ser lançado para disputar o Governo do Ceará pelo grupo. 

O episódio fez Cid e aliados migrarem para o PSB em 2023, uma equação que envolveu também a saída de 11 deputados estaduais do PDT — entre titulares e suplentes. Foram eles:

  1. Evandro Leitão (PT) - Atual prefeito de Fortaleza.
  2. Sérgio Aguiar (PSB)
  3. Romeu Aldigueri (PSB)
  4. Osmar Baquit (PSB)
  5. Guilherme Landim (PSB)
  6. Marcos Sobreira (PSB)
  7. Jeová Mota (PSB)
  8. Lia Gomes (PSB)
  9. Oriel Filho (PT)
  10. Salmito (PSB)
  11. Bruno Pedrosa (PT)

Em paralelo, a legenda tenta empreender um novo momento na disputa eleitoral de 2026, sob a liderança do presidente estadual, o deputado federal André Figueiredo (PDT), e de outros remanescentes. Atualmente, o PDT comanda cinco prefeituras e tem quatro deputados federais.

Outra mudança na configuração da Assembleia Legislativa envolve o deputado estadual Leonardo Pinheiro (PP). O parlamentar anunciou a saída da atual legenda, que ainda formaliza um processo nacional de Federação com o União Brasil, e a ida para o PT em fevereiro de 2025. A migração aguarda a janela partidária para ser concretizada.

As indefinições da Federação entre União e PP também devem mexer com a configuração da Alece, já que outras saídas podem acontecer, como sinalizam lideranças nos bastidores.

O arranjo partidário vive uma disputa interna acerca do apoio a Elmano entre nomes ligados ao Palácio da Abolição, como os deputados Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), e opositores declarados, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União). Simultaneamente, o PP compõe a base governista e ainda aguarda essas definições para os encaminhamentos eleitorais.

RETORNO DE TITULARES

Fotos dos deputados estaduais Fernando Santana (PT), Lia Gomes (PSB),Moisés Braz (PT), Oriel Filho (PT), Osmar Baquit (PSB) e Zezinho Albuquerque (PP) durante discurso na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Fernando Santana (PT), Lia Gomes (PSB),Moisés Braz (PT), Oriel Filho (PT), Osmar Baquit (PSB) e Zezinho Albuquerque (PP) devem voltar aos mandatos de deputados estaduais em abril de 2026.
Foto: Júnior Pio/Alece | Dário Gabriel/Alece.

O período de desincompatibilização provocará uma dança de cadeiras na Assembleia Legislativa. Seis deputados licenciados devem se afastar dos cargos na administração pública e ficar disponíveis para os seus partidos, tendo em vista o prazo eleitoral. São eles:

  1. Fernando Santana (PT) – Secretário de Recursos Hídricos;
  2. Lia Gomes (PSB) – Secretária das Mulheres;
  3. Moisés Braz (PT) – Secretário do Desenvolvimento Agrário;
  4. Oriel Filho (PT) – Secretário da Pesca e Aquicultura;
  5. Osmar Baquit (PSB) – Coordenador especial de Apoio à Governança das Regionais de Fortaleza (CEGOR);
  6. Zezinho Albuquerque (PP) – Secretário das Cidades.

Oriel, Moisés e Zezinho tomaram posse, mas não chegaram a exercer o cargo de deputado na atual legislatura, já que viraram secretários logo no início da gestão de Elmano, em janeiro de 2023. A situação foi diferente para Lia, Fernando e Osmar. O trio só se afastou do Parlamento no primeiro semestre de 2025.

Consequentemente, o retorno do grupo ocasiona a saída dos seus respectivos suplentes: Guilherme Sampaio (PT); Antônio Granja (PSB); Nizo Costa (PT); Guilherme Bismarck (PSB); TIn Gomes (PSB); e Almir Bié (PP). 

Fotos dos deputados estaduais Almir Bié (PP), Antônio Granja (PSB), Guilherme Bismarck (PSB), Guilherme Sampaio (PT), Nizo Costa (PT) e Tin Gomes (PSB) durante discurso na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Suplentes Almir Bié (PP), Antônio Granja (PSB), Guilherme Bismarck (PSB), Guilherme Sampaio (PT), Nizo Costa (PT) e Tin Gomes (PSB) podem deixar a Alece em abril de 2026.
Foto: Júnior Pio/Alece | José Leomar/Alece | Marcos Moura/Alece | Máximo Moura/Alece.

No entanto, novos rodízios partidários entre titulares e suplentes podem manter ou trazer nomes para a Casa, principalmente como forma de dar visibilidade aos políticos no ano eleitoral.  

O caso mais expressivo entre as trocas envolve Guilherme Sampaio, atual líder do Governo Elmano de Freitas na Alece. Antes da ida de Fernando Santana para a Pasta do Executivo, foi necessário um rodízio de licenças entre os titulares para deixá-lo em exercício.

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Agora, com a desincompatibilização de Santana, será preciso uma nova rodada de trocas para garantir a presença da liderança do Executivo na Casa. Foi o que sinalizou o próprio Guilherme Sampaio, em retorno ao PontoPoder

“Quando se aproximar o retorno dos titulares, trataremos com a bancada sobre como ocorrerão eventuais rodízios em 2026, não somente para atender a solicitação do governador Elmano em relação a minha permanência na liderança do governo, mas também para a eventual participação de outros suplentes que possam diversificar e fortalecer a atuação de nossa bancada”
Guilherme Sampaio
Líder do Governo Elmano na Alece

Já o líder do PSB na Alece, deputado Marcos Sobreira, afirmou que o partido deve realizar um novo rodízio de licenças dentro da bancada, a partir do retorno dos secretários. A ideia é, segundo o parlamentar, garantir a permanência dos parlamentares em atuação na Casa. 

"Nós temos um cronograma interno de revezamento de licenças de deputados, que desde o começo do mandato temos praticado isso. Eu já tirei licença, deputado Guilherme Landim, o deputado Jeová (Mota), outros deputados que não tiraram agora vão tirar, para que os suplentes continuem todos em exercício do cargo"
Marcos Sobreira
Líder do PSB na Alece

A posição é reforçada pelo suplente em exercício Guilherme Bismarck. "Alguns deputados têm se disponibilizado a tirar (licença) nos primeiros quatro meses, após o início do retorno de todos os outros, e nos outros quatro meses que seria pegar o último mês, que seria o mês de campanha. Então, por exemplo, começando em 2 de abril: 2 de maio, 2 de junho, 2 de julho e 2 de agosto. Aí você acabaria o primeiro (rodízio). Aí agosto, setembro, outubro e novembro, (seriam) outros deputados”, explica. 

OUTROS SUPLENTES

Deputados suplentes Pedro Matos e Tomaz Holanda durante discursos na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Deputados suplentes Pedro Matos e Tomaz Holanda estão no exercício dos mandatos após as licenças dos titulares das vagas.
Foto: Marcos Moura/Alece | Paulo Rocha/Alece.

Ainda no primeiro semestre de 2026, os deputados suplentes Pedro Matos (Avante) e Tomaz Holanda (Avante) devem deixar a Casa. Os titulares das duas vagas retornarão às cadeiras após saírem de licença no final do ano passado. 

Vereador de Fortaleza, Pedro Matos garantiu seis meses consecutivos no cargo após as licenças de Dra. Silvana (PL) — por motivos de saúde, em junho de 2025 — e de Alcides Fernandes (PL) — para tratar de assuntos particulares, em outubro de 2025 —, ambas com o prazo de 120 dias.

Pedro Matos está no Avante atualmente, mas concorreu a deputado estadual pelo PL em 2022, ficando na 1ª suplência do partido na Alece.

Por sua vez, o ex-vereador da Capital, Tomaz Holanda, está na vaga de Stuart Castro (Avante). O titular saiu de licença de saúde para tratar uma bulimia nervosa. O prazo de 120 dias de afastamento iniciou em 11 de dezembro de 2025. 

Em 2025, a Alece chegou a ter 13 deputados suplentes em exercício, o que representa 28% do total de vagas da Casa (46). A maior parcela das trocas envolveu licenças para tratar de assuntos particulares, por 120 dias. Na modalidade, o salário e outros benefícios do cargo são pagos somente para quem estiver em exercício.

Internamente, esse tipo de afastamento é usado como estratégia para dar visibilidade aos que ficaram na suplência, principalmente em ano pré-eleitoral. Foi o caso dos suplentes David Vasconcelos (PL), Gordim Araújo (PSDB), Keivia Dias (PSD), Léo Suricate (Psol), Manoel Duca (Republicanos) e Pedro Lobo (PT) — todos chegaram a exercer o cargo em 2025.

MOVIMENTAÇÃO NA PRESIDÊNCIA

Romeu Aldigueri durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará no final do ano passado.
Legenda: Romeu Aldigueri durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará no final do ano passado, enquanto imagem de Tainah Marinho aparece no telão.
Foto: Júnior Pio/Alece.

O ano eleitoral também marca o fim do biênio de Romeu Aldigueri (PSB) como presidente da Alece. O parlamentar foi alçado ao cargo em dezembro de 2024, encabeçando uma chapa única para a Mesa Diretora. No entanto, a escolha passou longe de ser tranquila na base aliada. 

A partir da renúncia do então presidente Evandro Leitão (PT) para assumir a Prefeitura de Fortaleza, o comando da Alece entrou em processo de sucessão ainda em 2024. Logo, o então vice-presidente Fernando Santana (PT) lançou a candidatura ao posto, mas a indicação causou mal-estar junto a um membro de peso da ala governista: o senador Cid Gomes.

À época, Cid chegou a ameaçar, em conversar com aliados, deixar a base do governador Elmano, queixando-se da concentração de poderes do PT — o partido acumula a presidência da República, o governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. A postura representou um revés para a indicação de Fernando, fazendo o deputado renunciar à candidatura em 22 de novembro de 2024

Com isso, as articulações para a definição de um novo postulante precisaram ser aceleradas, com o objetivo de compor uma chapa de consenso na eleição marcada para 2 de dezembro de 2024. Foi aí que passou a ganhar força o nome de Romeu Aldigueri, à época ainda no PDT e líder do Governo na Assembleia. O parlamentar é um aliado direto de Cid e integra a ala do partido brizolista que migrou para o PSB ao lado do senador. 

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A chapa única para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa também envolveu uma composição de assentos com PT, MDB, PP, União Brasil, Cidadania, PSDB e Republicanos. A partir desse arco de alianças, Romeu tornou-se o 83º presidente da história do Parlamento Estadual. Por sua vez, Fernando Santana recebeu o comando da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará, como parte do acordo dentro da base governista.  

A partir de abril, Romeu e Santana devem voltar a dividir o Plenário 13 de Maio. Além disso, o presidente terá a missão de lidar com forças distintas na Casa, em pleno ano eleitoral. O próprio político antecipou esse clima durante o balanço de 2025, na última sessão antes do recesso parlamentar, ao pedir um “debate em alto nível” aos pares.  

“Venho aqui já a pedir antecipadamente, eu acredito que tivemos um ano muito bom, respeitoso, mas é importante que a gente exercite ano que vem, onde os corações vão estar mais acalorados, que a gente deixe algumas questiúnculas municipais para se resolver nos municípios”
Romeu Aldigueri
Presidente da Alece

Sobre o último ano do biênio da atual Mesa Diretora, Danniel Oliveira (MDB) salienta que a expectativa é ampliar os serviços da Casa para a população de uma forma geral. “Não se limitando ao Legislativo, também fortalecendo esse papel que não é nosso, mas que a gente contribui ajudando ao Executivo, que é o que a gente tem feito bastante", acrescentou o 1º vice-presidente da Casa.  

Romeu Aldigueri deve encerrar o ciclo na Casa ao mesmo tempo em que busca uma vaga de deputado federal, tendo confirmado a postulação ao longo do ano passado. Enquanto isso, o nome da primeira-dama da Alece, Tainah Marinho (PT), já é ventilado como pré-candidata para o Parlamento estadual. 

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