Recados a Ciro em Sobral mostram que Girão está disposto a manter divisão no campo de direita

Senador é pre-candidato do Novo ao governo do Estado e ganhou o apoio nacional de Moro e Michelle Bolsonaro contra o Ferreira Gomes.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 15:09)
Legenda: Senadores Eduardo Girão e Sérgio Moro reuniram aliados em Sobral, berço político de Ciro Gomes, no Ceará
Foto: Divulgação/Partido Novo

O evento de pré-campanha do senador Eduardo Girão (Novo) em Sobral, no último fim de semana, teve mais relevância pelo alvo escolhido do que pelo tamanho do ato. O parlamentar cearense levou à Zona Norte, o colega Sérgio Moro, do Paraná, para demarcar território contra Ciro Gomes (PSDB), mais até do que ao PT, que comanda o Estado neste momento.  

Após as críticas duras contra o ex-ministro cearense ocorridas no sábado, a confirmação do movimento político veio no domingo, quando Michelle Bolsonaro publicou em suas redes sociais as falas de Moro em apoio a Girão. O episódio deixa claro que há um setor da direita conservadora que não pretende se alinhar automaticamente ao projeto de Ciro Gomes. 

A fala de Moro, ao resgatar a declaração de Ciro sobre ser recebido “na bala” em Sobral, funcionou como provocação política e como demarcação de terreno dentro da própria oposição no Estado. 

A pedra no sapato de Ciro 

O episódio reforça algo que já vinha sendo desenhado: Girão quer apostar em ser expressão local de uma ala conservadora que resiste à liderança de Ciro na oposição cearense. Em Sobral, esse movimento ganhou maior dimensão. 

Na conjuntura atual, Ciro é o nome que tem conseguido angariar mais apoios contra Elmano.  

Ao adotar a estratégia de enfrentamento, Girão indica que está disposto a levar a divisão na direita até mais parto da formatação das chapas majoritárias. 

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O impasse do PL 

Agora, a expectativa gira em torno da visita de Flávio Bolsonaro ao Ceará, prometida para bril. A leitura entre aliados é de que ele poderá ajudar a destravar o impasse e dar uma direção ao PL no Estado, sobretudo pela proximidade com André Fernandes, que continua peça central nesse tabuleiro. 

Nos bastidores, o grupo considera “pontual” o desentendimento causado por Michelle. Até porque o diálogo com o grupo de Ciro nunca foi totalmente interrompido. Entretanto, o fato de Girão incorporar as críticas pode causar problemas ao grupo hegemônico do PL.