Janela partidária aumenta tensão entre governistas enquanto Cid e Elmano negociam chapas

Em reserva, parlamentares admitem que são muitas as pendências nas disputas entre filiados a PT e PSB.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Na última segunda-feira (9), Elmano de Freitas e Cid Gomes tiveram nova reunião para tratar das chapas proporcionais
Foto: Fabiane de Paula

O início da janela partidária tem ampliado a tensão entre deputados da base governista no Ceará. Nos bastidores, parlamentares aguardam com ansiedade as definições que devem sair das conversas entre o governador Elmano de Freitas (PT) e o senador Cid Gomes (PSB), dois dos principais articuladores do grupo político que hoje sustenta o governo. 

Enquanto o comando do bloco discute o desenho das chapas proporcionais, os deputados vivem uma espécie de limbo político. Sem clareza sobre a configuração final das chapas, muitos estão com as estratégias eleitorais travadas, em compasso de espera. 

Ainda assim, ninguém está parado. Em paralelo às negociações oficiais, praticamente todos os governistas têm anotações sobre o que seriam as "melhores condições" para a eleição individual, considerando partidos da base. Além disso, tentam antecipar cenários para garantir condições mais seguras de disputa.  

Poucos, entretanto, têm informações privilegiadas do comando. 

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Pressão sobre as negociações 

No centro das atenções está a relação entre PT e PSB, hoje as duas maiores legendas do grupo governista. As tratativas estão sendo conduzidas diretamente por Elmano e Cid, que vêm mantendo reuniões frequentes, inclusive a última na última segunda-feira (9), para tentar organizar o tabuleiro eleitoral. 

Nos bastidores, a avaliação é de que dessas conversas sairão os principais encaminhamentos sobre o futuro partidário de boa parte dos aliados. 

Cid chegou às negociações com uma lista de pendências levadas por parlamentares do PSB. Entre as reclamações apresentadas ao governador estão problemas com a articulação política do governo e disputas abertas entre lideranças locais das duas siglas. 

Entre os pontos levantados estão: 

  • Cooptação de lideranças no Interior que antes orbitavam em torno de deputados do PSB;
  • Atrasos na liberação de recursos estaduais para bases eleitorais de aliados;
  • Disputas diretas entre lideranças locais dos dois partidos em alguns municípios. 

Do lado do PT, também há incômodos. Em várias regiões do estado, aliados petistas relatam dificuldades de convivência política com quadros do próprio grupo governista. 

Há ainda situações consideradas praticamente insolúveis: municípios onde PT e PSB são adversários, realidade que nem mesmo os principais líderes do bloco acreditam conseguir pacificar completamente. 

Hegemonia em disputa 

Por trás das queixas e negociações, está uma disputa silenciosa: a hegemonia política dentro do próprio campo governista. 

O PT trabalha com o objetivo de eleger a maior bancada da Assembleia Legislativa, consolidando a força do partido no estado. 

O PSB, no entanto, também joga pesado nessa disputa. O senador Cid Gomes tem usado como referência o desempenho eleitoral do PDT em 2022, partido que liderava à época. Naquele pleito, a legenda elegeu 13 deputados estaduais, a maior bancada da Assembleia, e cinco deputados federais, um dos maiores números da bancada cearense na Câmara. 

Clima de espera e apreensão 

Enquanto o impasse segue nas mesas de negociação, deputados governistas vivem dias de expectativa e, em alguns casos, de preocupação.

A cada semana que passa sem definição, cresce entre os aliados a sensação de que a disputa dentro do próprio grupo governista pode ser tão dura quanto a eleição que virá pela frente.