Cid Gomes mantém restrições, mas indica que permanecerá no grupo governista

Os atos do fim de semana serviram para dar outra direção aos rumores do grupo governista: Cid deve ficar com os aliados.

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 11:33)
Legenda: Camilo dirige van com aliados para evento do MEC em Pindoretama, no último sábado (28)
Foto: Divulgação

Os movimentos ocorridos na semana passada mostram que a sucessão estadual de 2026 passa, inevitavelmente, pela relação entre Cid Gomes (PSB) e Camilo Santana (PT). Em meio a declarações que alimentaram rumores de afastamento, os atos do fim de semana indicam outra direção: apesar das restrições, Cid tende a permanecer no grupo governista.  

O gesto mais eloquente foi o almoço reservado com o governador Elmano de Freitas, no Palácio da Abolição, na sexta-feira (27), seguido da participação de Cid em um evento com Elmano e Camilo no sábado em Pindoretama. 

Almoço reservado e sem vetos 

Segundo apurou a coluna, a conversa foi franca e sem temas proibidos. Cid levou demandas do seu grupo político, tratou de espaços, ouviu ponderações e saiu “acertado” com o governador.  

O almoço reservado, sem assessores, mostra que a relação está preservada. Mais do que isso: sinaliza que há canais de diálogo funcionando num momento em que qualquer ruído ganha dimensão ampliada. 

No dia seguinte, em evento em Pindoretama, Cid dividiu palanque com Elmano e Camilo. A imagem pública reforçou o que o encontro reservado já indicava: o senador não está em rota de colisão com o governo. Ao contrário, fez questão de defender a reeleição de Elmano. 

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A divergência sobre a desincompatibilização 

Isso não significa ausência de tensão. Cid não esconde a discordância em relação à decisão de Camilo de se desincompatibilizar do Ministério da Educação dentro do prazo legal para disputar eleições.  

Na avaliação do senador, o movimento é “ruim” para Elmano, pois alimenta a hipótese de substituição do governador na cabeça de chapa, ainda que interlocutores do petista sustentem tratar-se apenas de estratégia preventiva. 

Nos bastidores, Cid foi além. A aliados do PSB, deixou claro que não apoiaria uma eventual candidatura do ministro ao Governo. Em reunião recente, chegou a afirmar que, se esse for o plano, ele estaria fora da composição.  

Permanência com condicionantes 

O ponto central é que a divergência tem foco específico: a preservação da candidatura de Elmano. Ao defender publicamente a reeleição do atual governador, Cid estabelece sua linha vermelha, mas não rompe com o projeto político em curso. Trata-se de uma disputa interna por rumos, não de um desembarque iminente. 

O contexto ajuda a explicar a cautela. A quase pré-candidatura de Ciro Gomes, irmão de Cid, adiciona pressão ao ambiente. Uma eventual aliança robusta da oposição ampliaria o custo de qualquer divisão no governismo. Cid sabe disso e seus movimentos recentes indicam que ele não pretende ser o fator de fragmentação. 

Senado fora do radar, por enquanto 

Nos últimos dias, cresceu também o debate sobre as vagas ao Senado. Cid tem defendido publicamente o nome de Júnior Mano, mas o tema não foi central na pauta do almoço com Elmano. A mensagem do governador aos apressados foi direta: essa discussão ficará para julho. A definição tardia serve para esfriar disputas e evitar que o foco saia da montagem da chapa majoritária. 

O cenário, portanto, é de convivência tensa, porém estável. Cid mantém restrições, sobretudo quanto a uma eventual candidatura de Camilo ao Governo. Mas seus gestos,  diálogo aberto com Elmano, presença em agendas públicas e defesa da reeleição,  mostram que ele seguirá no campo governista, ao menos enquanto suas condicionantes forem respeitadas. 

Nas conversas, Cid voltou a dizer que está dentro do grupo, mas não quer ser pego de surpresa com decisões “não conversadas”.