Cid Gomes mantém restrições, mas indica que permanecerá no grupo governista
Os atos do fim de semana serviram para dar outra direção aos rumores do grupo governista: Cid deve ficar com os aliados.
Os movimentos ocorridos na semana passada mostram que a sucessão estadual de 2026 passa, inevitavelmente, pela relação entre Cid Gomes (PSB) e Camilo Santana (PT). Em meio a declarações que alimentaram rumores de afastamento, os atos do fim de semana indicam outra direção: apesar das restrições, Cid tende a permanecer no grupo governista.
O gesto mais eloquente foi o almoço reservado com o governador Elmano de Freitas, no Palácio da Abolição, na sexta-feira (27), seguido da participação de Cid em um evento com Elmano e Camilo no sábado em Pindoretama.
Almoço reservado e sem vetos
Segundo apurou a coluna, a conversa foi franca e sem temas proibidos. Cid levou demandas do seu grupo político, tratou de espaços, ouviu ponderações e saiu “acertado” com o governador.
O almoço reservado, sem assessores, mostra que a relação está preservada. Mais do que isso: sinaliza que há canais de diálogo funcionando num momento em que qualquer ruído ganha dimensão ampliada.
No dia seguinte, em evento em Pindoretama, Cid dividiu palanque com Elmano e Camilo. A imagem pública reforçou o que o encontro reservado já indicava: o senador não está em rota de colisão com o governo. Ao contrário, fez questão de defender a reeleição de Elmano.
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A divergência sobre a desincompatibilização
Isso não significa ausência de tensão. Cid não esconde a discordância em relação à decisão de Camilo de se desincompatibilizar do Ministério da Educação dentro do prazo legal para disputar eleições.
Na avaliação do senador, o movimento é “ruim” para Elmano, pois alimenta a hipótese de substituição do governador na cabeça de chapa, ainda que interlocutores do petista sustentem tratar-se apenas de estratégia preventiva.
Nos bastidores, Cid foi além. A aliados do PSB, deixou claro que não apoiaria uma eventual candidatura do ministro ao Governo. Em reunião recente, chegou a afirmar que, se esse for o plano, ele estaria fora da composição.
Permanência com condicionantes
O ponto central é que a divergência tem foco específico: a preservação da candidatura de Elmano. Ao defender publicamente a reeleição do atual governador, Cid estabelece sua linha vermelha, mas não rompe com o projeto político em curso. Trata-se de uma disputa interna por rumos, não de um desembarque iminente.
O contexto ajuda a explicar a cautela. A quase pré-candidatura de Ciro Gomes, irmão de Cid, adiciona pressão ao ambiente. Uma eventual aliança robusta da oposição ampliaria o custo de qualquer divisão no governismo. Cid sabe disso e seus movimentos recentes indicam que ele não pretende ser o fator de fragmentação.
Senado fora do radar, por enquanto
Nos últimos dias, cresceu também o debate sobre as vagas ao Senado. Cid tem defendido publicamente o nome de Júnior Mano, mas o tema não foi central na pauta do almoço com Elmano. A mensagem do governador aos apressados foi direta: essa discussão ficará para julho. A definição tardia serve para esfriar disputas e evitar que o foco saia da montagem da chapa majoritária.
O cenário, portanto, é de convivência tensa, porém estável. Cid mantém restrições, sobretudo quanto a uma eventual candidatura de Camilo ao Governo. Mas seus gestos, diálogo aberto com Elmano, presença em agendas públicas e defesa da reeleição, mostram que ele seguirá no campo governista, ao menos enquanto suas condicionantes forem respeitadas.
Nas conversas, Cid voltou a dizer que está dentro do grupo, mas não quer ser pego de surpresa com decisões “não conversadas”.