O que pensam e como vivem os super-ricos no Brasil, segundo autor infiltrado entre milionários

Michel Alcoforado contou o que aprendeu durante os 15 anos infiltrado na alta sociedade brasileira

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
Michel Alcoforado posando em frente a painel azul escrito Summit 2025 GEQ
Legenda: Michel Alcoforado participou do Summit GEQ, evento corporativo do Grupo Edson Queiroz (GEQ).
Foto: Divulgação / GEQ

O rico brasileiro não se reconhece como tal. Está sempre convencido de que existe alguém em posição superior e busca, a qualquer custo, aparentar maior prosperidade do que realmente possui. Esse é o retrato etnográfico do 0,01% mais abastado da população, apresentado pelo antropólogo Michel Alcoforado, que participou do Summit GEQ, evento corporativo do Grupo Edson Queiroz (GEQ).

Alcoforado é autor do livro “Coisa de rico: A vida dos endinheirados brasileiros”, lançado em agosto deste ano. A obra já conta com milhares de exemplares vendidos e é resultado de 15 anos de pesquisa de Alcoforado sobre a elite brasileira, apresentando mais de 80 entrevistas com pessoas de patrimônio acima dos R$ 26 milhões

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o antropólogo compartilhou as principais visões sobre os endinheirados. Segundo ele, no Brasil, ter dinheiro não é suficiente para ser rico. Na verdade, o segredo do pertencimento à elite brasileira estaria na eterna busca pela diferenciação e validação externa. 

De acordo com o antropólogo, “toda vez que a gente acha que alguém tem mais do que precisa, a gente atribui alguma riqueza a essas pessoas. A gente sempre acha que o rico é aquele que tem mais do que precisa”

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No entanto, quando o rico de verdade olha para si, nada parece desnecessário. Assim, na falta do reconhecimento individual, a identificação como grupo vem do esforço exaustivo para validar o pertencimento à elite brasileira. 

“Não importa quanto dinheiro você tenha, todo mundo quer batalhar fortemente para parecer mais rico do que é. A gente compra objetos, adota hábitos que dão para gente uma percepção de que o outro vai reconhecer a gente como parte de um determinado grupo. Então, os ricos não se acham ricos, mas eles batalham para que os ricos os reconheçam como tal. Nessa estratégia de reconhecimento, eles vão conseguindo dar contornos e formar grupos”
 

O que é comportamento de rico?

Um desses hábitos, segundo o especialista, é o de estar sempre ocupado. “Um dos primeiros pontos que eu descobri quando entrei em contato com os ricos brasileiros era de que eles eram, ou gostavam de vender, que eram muito ocupados. Esse é um processo para dizer que não é gente como a gente”, explica. 

Outra condição fundamental na invenção da riqueza, na visão do antropólogo, são as tendências, “porque um rico convence aos outros que ele é rico quando ele adota um comportamento que parece novo”. A ideia é estar sempre buscando um ponto de diferenciação, algo inédito que valide para os outros o aspecto único do indivíduo frente aos demais. 

Nesse sentido, os mais endinheirados estão, sistematicamente, criando e copiando tendências. “Tem dois caminhos para gerar esse processo de diferenciação: ou eles olham para fora, a última moda em Miami, por exemplo; ou eles olham para as classes populares. Aqui no Ceará, o cara vai lá nas rendeiras do Cariri, pega um monte de renda, transforma, embala numa bolsa bonita, e isso vira marca de luxo em São Paulo. É um traço clássico dessa busca pela diferença”, ilustra

Entre as últimas tendências desse grupo, a procura por viagens e pela prática de exercícios físicos são os principais critérios de distinção atuais na sociedade brasileira destacados por Alcoforado. “O rico que é rico agora busca competir por viagem, para onde viaja, como viaja… E o outro campo é o do exercício físico. Eles fazem kitesurf, triathlon, mergulho…”, exemplifica. 

Para o especialista, seja um rico do Nordeste ou do Sudeste, o movimento é o mesmo: todo mundo no Brasil quer parecer mais rico do que é.

“E todo mundo no Brasil tem aquele rico de estimação, que é aquele que a gente olha e fala: 'Rapaz, se eu tivesse essa vida, minha vida ia ser maravilhosa'. Só que quando você chega lá, você descobre que tem um outro mundo com uma vida muito mais sofisticada e que parece que é melhor ainda. Então, essa coisa no Brasil não acaba nunca. Nunca é suficiente”, resume. 

Summit GEQ

O Summit GEQ, evento corporativo do Grupo Edson Queiroz, chega a sua sexta edição em 2025 com o tema “Conexões que inspiram o futuro”. O evento online é aberto ao público e acontece de 6 a 10 de outubro com palestras gratuitas de grandes nomes em áreas como gestão, consumo, desenvolvimento pessoal, tecnologia e inovação.

O Summit GEQ oferece reflexões e práticas que contribuem para o desenvolvimento pessoal e corporativo, ampliando o debate sobre os rumos da sociedade e do mercado. Inscrições online pelo site.

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