Indústria se adapta aos novos hábitos

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Há 46 anos no mercado de alimentos, a Betânia tem investido em produtos diferenciados, como a linha zero gordura Belle Light
Foto: Foto: Helene Santos

As empresas que apostam em tipos de produtos diferenciados, entre eles o light, diet, zero açúcar e zero gordura, têm obtido sucesso nos negócios, pois este mercado está em constante ascensão no Brasil e no Ceará. O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), Carlos Eduardo Gouvêa, observa que este fator é consequência das mudanças de hábito na vida das pessoas e da percepção de consumo há décadas.

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Gouvêa relembra que o setor de alimentos tem sofrido mudanças grandes. Desde o pós-guerra, com a adesão de alimentos in natura quando as pessoas passaram a se reunir às mesas. Depois com a Revolução Industrial, quando passaram a se alimentar fora de casa e a consumir alimentos processados.

Evolução

"Aí veio a grande evolução desta indústria com novos cursos como o de engenharia de alimentos e o surgimento de grupos de consumidores para fins especiais, como diet e sem glúten. Essa foi a segunda grande onda do segmento", diz.

Mas o vice-presidente lembra que nas décadas de 1960, 1970 e 1980 os produtos diet, sem isenção de um nutriente que pode ser açúcar, sódio, proteína ou outro, eram "horríveis" e caríssimos, pois eram produzidos em baixa escala.

Já na década de 1990, veio a terceira grande onda da alimentação, com o consumidor mais preocupado com o corpo e em busca de consumir produtos light, que apresentam redução de 25% de caloria, sódio, gordura, açúcares ou outras substâncias.

Momento atual

"A segunda fase da terceira onda surgiu nos anos 2000 com os alimentos diet e light que vão de leite até chocolate, passando por leite condensado e balas, entre outros. Tudo isso foi reduzindo o preço e facilitando o acesso ao produto e maiores volumes de produção", detalha.

Em relação a preço, Gouvêa considera que no lançamento eles podem ter um valor mais elevado, mas depois ele vai diminuindo e pode ficar com preço igual ao tradicional, a exemplo de alguns leites e iogurtes.

"A indústria buscou uma forma de se manter na prateleira tão concorrida, o supermercado está atento a tendência e tem setores especializados e até oferece serviços de nutricionistas, e o cliente viu a importância da saudabilidade acessada pelos produtos", analisa.

Em paralelo a esta terceira onda existe a quarta, a dos alimentos funcionais que ajudam a reduzir o risco de determinado problema, como os probióticos. "O consumidor está mais consciente e sabe que além dos alimentos é necessário praticar atividades físicas. Ele sabe que o alimento sozinho não faz tudo, tem que se manter hábitos saudáveis. E isso dá uma melhor qualidade de vida por muito mais tempo", diz

Investimentos

Há 46 anos no mercado de alimentos e com cinco unidades industriais nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Sergipe, a Betânia vem apostando bastante em alimentos para quem deseja dar uma atenção maior ao corpo e a qualidade de vida.

"A Betânia vem com bastante investimento nesta área, pois é uma tendência da vida moderna. Há cerca de cinco anos, trouxe as versões lights (de alguns produtos), e há três, uma linha completa de zero gordura e zero açúcar, a Belle Light", comentou a diretora de marketing da Betânia Cynthia Serretti.

A linha light ainda traz vitamina B12, ácido fólico, ferro e zinco em alguns sabores. "A linha Belle Light representa 5% do faturamento anual de iogurtes", disse a diretora. Serretti também informa que a linha Greco vem crescendo muito, pois tem consistência e sabor.

Lançamentos

Para 2017, no primeiro semestre, a empresa vai lançar um leite dentro da linha light. Uma versão desnatada com mais cálcio e, possivelmente colágeno, ainda em estudo.

"Como estes produtos têm ingredientes que possuem maior cuidado no processo custam um pouco a mais, em torno de 15% e 20% do que a linha regular de iogurtes", diz

Entre janeiro e novembro de 2016 houve um crescimento de 25% no volume de vendas dos iogurtes se comparadas a 2015.