Comércio e restaurantes estão sem conseguir pagar as contas, apontam empresários

Governo anunciou nesta sexta (7) a manutenção das regras de funcionamento das atividades econômicas em horário reduzido por conta de aumento da taxa de positividade de testes de Covid-19 no Estado

Restaurante self-service e uma pessoa se servindo
Legenda: Segmento de alimentação fora do lar teve o pior mês desde o início da pandemia
Foto: Helene Santos

A gradual reabertura das atividades e a aplicação de medidas de apoio para o setor econômico, como o Programa de Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), não foram suficientes para aplacar a situação do comércio e restaurantes cearenses, que não estão conseguindo arcar com as contas.  

De acordo com Maurício Filizola, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), o segmento, com o ritmo de funcionamento atual, não está “dando nem para cobrir as despesas mensais”.  

Na noite desta sexta-feira (7), o governador Camilo Santana anunciou que as medidas da retomada econômica não avançam nesta semana, pela preocupação com as taxas altas de positividade de testes de Covid-19, o que indica alta circulação viral no Estado.  

Com isso, o comércio de rua, restaurantes e outras atividades econômicas podem funcionar de 10h às 16h na semana e, aos fins de semana, de 10h às 15h. Já os shoppings ficam abertos de 12h às 18h e, aos sábados e domingos, de 12h às 17h.  

Reabertura não trouxe fôlego 

Embora o comércio vá reagindo aos poucos, a reabertura ainda não trouxe fôlego ao setor por conta das restrições de horários impostas pelo decreto, conforme Filizola. “Poderíamos atender até de uma forma mais segura se tivéssemos uma ampliação do horário de funcionamento”, afirma.  

“Essa restrição torna vulnerável a manutenção de empregos, porque isso enfraquece a saúde financeira das empresas. Com uma maior extensão de horário de funcionamento, podemos cuidar ainda mais nos protocolos e evitar aglomerações”.   
Maurício Filizola
presidente da Fecomércio-CE

O presidente da Fecomércio pontua ainda que o setor tem cumprido os protocolos sanitários e, por isso, a decisão de manutenção do decreto não é satisfatória. “Vamos dizer que esses números permaneçam sempre desse jeito, você acha que o País aguenta ficar com o setor produtivo todo tempo dessa maneira?”, argumenta.  

Para ele, a economia funcionando contribui, inclusive, para a saúde. "No momento, em que você está empregando você dá oportunidade de as pessoas realizarem seus sonhos. É por meio do trabalho que nutrimos nosso lazer, a sustentabilidade das nossas famílias, a educação, o lado emocional. Claro que precisamos ter cautela por conta da Covid-19, mas é preciso analisar com amplitude”.   

O retorno do programa de redução de jornadas e suspensão de contratos, em vigor desde o dia 28 de abril, ainda não causou muito impacto ao setor após lockdown. “Não temos como buscar o que ficou. O setor produtivo agradece cada medida, mas o que queremos é trabalhar e gerar renda”, ressalta.  

Pior mês desde o início da pandemia 

O cenário é semelhante para o segmento de alimentação fora do lar. Segundo Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), o mês de abril foi o pior desde o início da pandemia, com situação ainda pior do que no lockdown.  

“Voltamos apenas com 20% do setor e, com isso, os custos de fornecedores, aluguel, impostos. No lockdown, ainda conseguíamos renegociar dívidas, agora nem isso”, relata. O setor teve ainda uma queda de 60% no faturamento com relação à retomada do ano passado.   

Mesmo com o Dia das Mães, comemorado neste domingo (9), a expectativa é de que haja um maior movimento, mas não que tenha tanto impacto no faturamento. Conforme Taiene, a restrição de horário também é uma questão para o setor.  

Além disso, o segmento só deve começar a sentir os efeitos do BEm no mês de junho, quando é pago os salários de maio. Taiene pontua que 80% ainda não conseguiu pagar as folhas de abril e, para o mês de maio, as expectativas não são positivas.

“Não vislumbramos uma flexibilização interessante, este mês será muito duro para a gente ainda. A economia cearense está muito fechada, mesmo com os números em estabilidade”.  
Taiene Righetto
presidente da Abrasel

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