Projetos da rede pública ajudam a descomplicar o ensino da matemática

Como forma de solucionar problemas e desmistificar o receio relacionado à matéria, professores da rede pública têm se dedicado a novos projetos de incentivo ao conhecimento

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Legenda: Além das olimpíadas, também foram desenvolvidos outros dois projetos: Matemática do 0, que retorna a conteúdos explicados durante o ensino fundamental, e o Intensivão do Enem
Foto: Arquivo pessoal

É muito comum que alunos do Ensino Médio elejam matemática como uma das disciplinas de maior dificuldade de aprendizagem, seja porque se identificam com a área das ciências humanas ou por se confundirem com os números e fórmulas. Como forma de solucionar esses problemas e desmistificar o receio relacionado à matéria, professores da rede pública têm se dedicado a novos projetos de incentivo ao conhecimento. Nesta quinta-feira (6), considerado o Dia Nacional da Matemática, professores e alunos celebram essas iniciativas. 

Na EEFM Deputado Paulino Rocha, desde o ano passado, os estudantes de todas as séries do ensino médio são preparados para participar de olimpíadas de matemática, além de receberem conteúdos extras apresentados anteriormente no ensino fundamental. A professora Keila Leitão foi responsável por introduzir a prática das olimpíadas aos alunos, e o método tem dados bons resultados, tanto para a escola quanto para o nível de aprendizagem individual.

“Eles têm apresentado melhor desempenho. A gente percebeu também de 2020 para 2021, uma maior presença deles na aula online. A gente tinha um alcance de 30% dos alunos na interatividade, hoje a gente tem um alcance de 60%. As notas melhoraram bastante, a entrega de tarefas tem sido surpreendente”, comenta Keila.

Como participar

Para participar das olimpíadas, os alunos passam por uma preparação preliminar e recebem uma bonificação na nota do bimestre. No ano passado, 30 estudantes da escola foram inscritos nas Olimpíadas Canguru, e neste ano, o número chegou a 45 inscritos. 

Para Keila, a explicação do aumento de alunos deve-se ao estímulo do desafio que as olimpíadas possibilitam. “O objetivo é proporcionar desafios criativos porque as questões olímpicas têm um nível de complexidade mais elevado, e a partir do momento que os alunos do ensino médio são submetidos a esses desafios, amplia a capacidade deles de resolver problemas, de saber lidar com interpretação de dados”, esclarece. “É um projeto que tem crescido bastante, a gente tem conseguido medalhas com esses alunos, então aumenta o engajamento”, conclui. 

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Legenda: As notas de Paula melhoraram depois da participação nos projetos
Foto: Arquivo pessoal

A estudante Paula Ticiani, de 16 anos, confirma o sucesso do método e vê os resultados em suas notas, depois de passar por um período difícil por causa das aulas remotas. "Todos os projetos da escolas ajudam nessa caminhada para os vestibulares. Minha notas estão melhores, as dos meus colegas também”, afirma. 

Além das olimpíadas, também foram desenvolvidos outros dois projetos: Matemática do 0, que retorna a conteúdos explicados durante o ensino fundamental, e o Intensivão do Enem. O projeto conta com um material fornecido pela Secretaria de Educação do Ceará (Seduc) e é exibido online todos os dias.

“A gente tem também o projeto Intensivão Enem, que acontece no Youtube todas as noites. E desde quando a gente passou a utilizar esse material estruturado nas aulas, os alunos têm participado, interagido, se engajado de uma forma mais constante. Ele traz textos científicos, traz curiosidades, exemplos que não explicam a matemática de uma forma decorativa, e sim de uma forma criativa”, conta a professora.

Outras iniciativas

O Intensivão Enem, que ocorre na EEFM Deputado Paulino Rocha, faz parte de uma iniciativa do Governo Estadual em parceria com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), chamada Programa Cientista-Chefe em Educação Básica. 

Dessa forma, outras ações como o Mestrado Profissional para os professores (Profmat) e o Foco na Aprendizagem, ambos com o intuito de aperfeiçoar o currículo e a formação dos docentes, têm gerado repercussões positivas na aprendizagem dos estudantes, com resultados comprovados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). 

A rede pública cearense superou a meta do Ideb e alcançou o melhor resultado do País nos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) na última edição da avaliação, realizada em 2019 e divulgada em 2020. Além disso, o estado ficou em terceiro lugar do Brasil nas séries iniciais (1º a 5º ano) e em quarto no Ensino Médio, conforme o Ministério da Educação (MEC).

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