Jornalistas se mobilizam no exterior para incentivar doação de sangue e medula óssea

Trio de comunicadoras moradores de Portugal e Inglaterra alertam para a importância do gesto de doar

Montagem de fotos da jornalista Caroline Ribeiro e do documento que ela preencheu para o banco de doadores de medula
Legenda: Caroline Ribeiro morou por muitos anos em Fortaleza e em Portugal fez segunda doação, aproveitando para se cadastrar como doadora de medula
Foto: Reprodução/Instagram

Jornalistas que moram no exterior estão se mobilizando para promover a doação de sangue e o cadastro para doação de medula óssea. Movidas pela solidariedade com a repórter da TV Verdes Mares (TVM) Marina Alves, que está em tratamento contra um linfoma, Caroline Ribeiro, que mora em Portugal, e Patrícia Nielsen e Juliana Lobo, que vivem na Inglaterra, fortalecem a corrente de generosidade mesmo longe de casa.

Caroline Ribeiro doou sangue pela primeira vez em Lisboa, onde reside, e ainda se cadastrou no banco de doadores de medula óssea português. O cadastro é internacional e pode servir para ajudar pessoas até em outros países. "É importante alargar essas opções, pois já é difícil encontrar doadores na família, e fora mais ainda", define a cearense.

Mais do que um ato de solidariedade, a doação de sangue é, para ela, uma dádiva. E o sentido vai além de um presente ou oferta, como o dicionário define, é literal. Em Portugal, o ato é chamado "dádiva de sangue". 

"Aqui em Portugal você faz uma dádiva de sangue. É uma palavra maravilhosa. Muito lindo, não é? E combina muito e se aplica perfeitamente a esse caso porque de fato vai fazer diferença na vida de alguém. Estou muito feliz que algumas pessoas aqui vão poder receber a dádiva que eu fiz", comenta.

Caroline doou sangue e aproveitou para fazer o cadastro no Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (Cedace) no mesmo dia, a última segunda-feira (13), no Instituto Português de Oncologia (IPO), referência em Lisboa.

Solidariedade

Ao Diário do Nordeste, Ribeiro conta que o diagnóstico de Marina Alves, com quem trabalhou muitos anos na TVM, despertou um sentimento adormecido: "A nossa rotina às vezes faz a gente esquecer", diz. 

Me passava completamente batido ter essa iniciativa de doar sangue. Acompanhando a situação da Marina e tendo refletido sobre isso, eu pensei que não ia mais adiar. Apesar de minha doação não ajudar diretamente ela, eu fiz em nome dela e consciente que é uma ação que vai beneficiar muitas outras pessoas
Caroline Ribeiro
Jornalista

Para a jornalista, que trabalha como correspondente da TV Cultura em Portugal, além da redação brasileira da Rádio França Internacional (RFI), a experiência faz com que se perceba "o valor desse gesto [doação]" e como "a vida passa rápido". 

"Sendo jornalista e tendo trabalhado muitos anos em Fortaleza vendo apelos que são feitos em momento de muita dificuldade, como pelo Hemoce, por exemplo, a gente vê que esse gesto pode ajudar não só uma pessoa, mas várias", diz a comentarista do grupo de comunicação português RTP.

Campanha 

A doação de sangue, apesar de não ser a nível internacional como cadastro em banco de medula, é uma ação de suma importância, seja no Brasil, em Portugal ou na Inglaterra.

Patrícia Nielsen Juliana Lobo estão se mobilizando em Londres para organizar uma campanha de doação de sangue e cadastro de doadores. 

"Longe eu fico angustiada, querendo ajudar de alguma forma. Tenho uma audiência alta do Ceará nas minhas redes sociais, então estou tentando ajudar dessa forma. Incentivando meu público", comenta Nielsen. 

Patrícia Nielsen em parque na Inglaterra
Legenda: Patrícia Nielsen se solidarizou com o caso de Marina Alves e resolveu doar sangue e incentivar a ação
Foto: Reprodução/Instagram

Patrícia diz que, no Reino Unido, o serviço nacional de saúde aceita cadastrar doadores de medula óssea de até 40 anos, diferente do Brasil, onde a idade limite é 35 anos. 

"A ideia é espalhar a campanha aqui na Inglaterra também. Queremos fazer isso o quanto antes", conta.

Mobilização 

Juliana Lobo, que atua em Londres como diretora comercial e de marketing, conta ao Diário do Nordeste que já agendou a doação junto a Patrícia. Elas irão doar sangue neste próximo domingo (19). 

Juliana Lobo de óculos escuro andando em parque em Londres
Legenda: Juliana Lobo espera que a mobilização pela doação e pelo cadastro de medula seja intensificada
Foto: Reprodução/Instagram

"Queremos convocar o maior número de pessoas para essa corrente de amor e solidariedade. 
Eu acredito muito no poder da solidariedade e, acima de tudo, no poder da palavra união, principalmente quando essa união tem como pilar fundamental algo tão nobre que é salvar vidas", declara a cearense. 

Lobo cita o caso de Marina e conta que se sentiu convocada a fazer sua parte: "O caso dela nos fez acordar para o fato de que podemos mudar a vida de muitas outras pessoas por meio de um gesto muito simples. Afinal, todos nós um dia podemos precisar".

O que motivou ela e Patrícia e agendarem a doação e o cadastro no banco de doadores é a cooperação mundial entre os países. "Após doarmos, caso haja compatibilidade, podemos ajudar pessoas de qualquer parte do mundo. Seja a Marina ou qualquer pessoa que esteja lutando para sobreviver", comenta. 

Campanha para Marina Alves 

Como realizar as doações:

  • Doação de sangue

Para efetuar a doação de sangue, os candidatos precisam estar saudáveis, bem alimentados, pesar acima de 50 kg e ter entre 16 e 69 anos.

É ainda necessário apresentar um documento oficial com foto e um termo de consentimento formal dos responsáveis legais para os menores de idade.

Para doar para Marina, as pessoas devem se dirigir ao Fujisan, localizado na Av. Barão de Studart, 2626, no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.

O horário de atendimento de segunda a sexta-feira é de 7h30 às 16h30, e no sábado, de 7h30 às 13h.

  • Doação de plaquetas

Para doar plaquetas, é necessário estar saudável, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 60kg e não ter recebido transfusão de sangue anteriormente.

Ainda é recomendado estar bem alimentado, ter repousado pelo menos seis horas na noite anterior, não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação e evitar fumar pelo menos por duas horas antes do procedimento.

Os interessados devem também procurar o Fujisan portando documento de identificação com foto de segunda a sexta-feira, entre 7h30 e 15h, e no sábado, entre 7h30 e 11h.

  • Doação de medula óssea

Já para a doação de medula óssea, é necessário realizar um cadastro em um dos postos do Hemoce. Os requisitos são: ter entre 18 e 35 anos, não ter tido câncer e apresentar documento de identidade.

Ao realizar o cadastro, será recolhida uma amostra do sangue do candidato para verificar a compatibilidade com os pacientes que estão aguardando um transplante.

O cadastro de doação de medula óssea é nacional e os voluntários podem ser chamados para doar para qualquer paciente que precise em todo o Brasil.

O procedimento pode ser realizado na sede do Hemoce, no bairro Rodolfo Teófilo, ou nos demais postos de atendimento do órgão no IJF, na Praça das Flores ou no Shopping RioMar Fortaleza.

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