Só três cidades cearenses estão sem receber chuvas há mais de uma semana; veja quais são

Duas delas estão com situação de emergência decretado devido a estiagem

Escrito por André Costa, andre.costa@svm.com.br

Ceará
Praça matriz de Jaguaribara
Legenda: Em três cidades do Ceará a chuva deu trégua e por lá não há precipitações há mais de uma semana
Foto: Thiago Gadelha

Mesmo ainda restando um mês e meio para o fim da quadra chuvosa (fevereiro-maio), o Ceará já se aproxima de atingir a média histórica para o período, que é de 600,7 mm. Até agora, já choveu o acumulado a 70% deste índice, o que indica bons e frequentes volumes no Estado. No entanto, para três cidades, o momento atual é outro. A chuva deu trégua e por lá não chove há mais de uma semana.

Os municípios de Parambu e Tururu são os que estão há mais tempo sem precipitações: 9 dias ao todo. Jaguaribara vem logo atrás, com oito dias sem pluviometria. Os dados foram levantados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) a pedido do Diário do Nordeste

A cidade Parambu, no Sertão Central e Inhamuns, só registrou chuvas acima da média em janeiro e, ainda assim, foi um desvio discreto, de apenas 6,8%.

Nos dois primeiros meses da quadra chuvosa, precipitações aquém da normal climatológica. Em fevereiro, o Município fechou com quase 80% abaixo da média e, no mês passado, 47% abaixo da normal. 

  • janeiro - média: 106,8 mm / observado: 114 mm / variação: 6,8%
  • fevereiro - média: 100,6 mm / observado: 21,3 mm / variação: -78,8%
  • março - média: 185,4 mm / observado: 98,2 mm / variação: -47%

Em Tururu, o cenário é melhor. Em janeiro choveu mais que a metade da média histórica (150,2 mm). Em fevereiro, novamente chuvas além da normal climatológico, com desvio positivo de 44,2% e, em março, discreto queda, com 6% de pluviometria abaixo da média. 

  • janeiro - média: 94,9 mm / observado: 192,3 mm / variação: 102,7%
  • fevereiro - média: 150,2 mm / observado: 216,6 mm / variação: 44,2%
  • março - média: 268,2 mm / observado: 252 mm / variação: -6%

O município de Jaguaribara teve arranjo semelhante. Choveu bastante no primeiro mês do ano, com precipitações 190% acima da média, que é de 91 mm. No mês seguinte, queda nos índices, tendo o período encerrado com chuvas 20% da média e, em março, novamente pluviometrias significativas. Março choveu 60% acima da média.

  • janeiro - média: 67 mm / observado: 194,2 mm / variação: 190%
  • fevereiro - média: 91,5 mm / observado: 73 mm / variação: -20,2%
  • março - média: 190,3 mm / observado: 305 mm / variação: 60,3%

Lacuna pode crescer

Em se confirmando as previsões para os próximos dias, essa ausência de chuvas nos três municípios deve crescer. A Funceme prevê baixa possibilidade de precipitações paras as regiões as quais estão situadas essas cidades.

Nesta quinta-feira (14), a previsão do órgão para "há alta possibilidade de chuva isolada" é apenas para o Litoral Norte e região da Ibiapaba. Para a sexta-feira (15), possibilidade de chuva isolada "em todas as macrorregiões".

Já o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) que há 13 dias consecutivos emitia alertas para risco de chuvas e ventos fortes no Ceará não renovou o aviso meteorológico para amanhã, dia 14, quebrando a sequência iniciada desde o início do mês. Portanto, para hoje, é baixa a possibilidade de intensos volumes no território cearense.

Estado de emergência

Das três cidades há mais dias sem chuva, apenas Tururu não está com decreto de emergência vigente. No fim de novembro do ano passado, Parambu teve a situação de calamidade reconhecida devido a ausência de chuvas. O decreto no Município é válido até o dia 29 de maio deste ano.

Já a cidade de Jaguaribara decretou estado de emergência em 9 de fevereiro deste ano e tem o período de calamidade vigente até o dia 12 de agosto.

De acordo com a Defesa Civil do Estado, "a decretação de situação anormal tem o objetivo de estabelecer uma situação jurídica especial a fim de facilitar a gestão administrativa pública para a execução das ações de socorro e assistência humanitária à população afetada, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas atingidas por desastre".