Atriz de 'A Hora da Estrela', Marcélia Cartaxo é homenageada no Cariri cearense
Em 40 anos, a artista, que interpretou Macabéia, tornou-se a principal referência de atuação cinematográfica para todos que trabalham com audiovisual no Nordeste
Atriz nascida em Cajazeiras, no sertão da Paraíba, Marcélia Cartaxo recebeu homenagem neste sábado (29), penúltimo dia do Tela Cariri, evento que ocorre no Crato, Ceará, neste fim de semana.
Feliz em voltar ao Sul do Ceará, a atriz disse ter esquecido a data de quando veio pela última vez: “Eu acho que vim aqui quando fazia teatro.”
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Faz tempo. No cinema, são quatro décadas, desde o trabalho icônico como Macabéa em “A Hora da Estrela”, longa de Suzana Amaral com roteiro adaptado da obra de Clarice Lispector.
“Eu fiquei muito feliz com essa homenagem. Não conhecia este lugar [o Centro Cultural do Cariri]. Aqui vai ser a grande representação da maior cultura que vai existir no Nordeste, porque em nenhum lugar existe um espaço enorme como este e todo mundo com fome das artes, de todo tipo de arte”, disse a atriz.
Reencontro entre amigos
Em 40 anos, Marcélia tornou-se a principal referência de atuação cinematográfica para todos que trabalham com audiovisual no Nordeste. E há quem defenda que ela é o ícone do cinema no Brasil.
Em 1985, quando ela surgiu na telona e conquistou prêmios, inclusive o Leão de Prata, em Berlim, muita gente encontrou inspiração e motivação no trabalho dela.
“Quando Marcélia começou a brilhar no Brasil e no exterior, saindo do sertão da Paraíba, aquilo nos encheu de energia, de coragem”, afirma Rosemberg Cariry, outro homenageado do evento.
Neste domingo (30), às 18h40, será exibido o longa “Corisco e Dadá”, dirigido pelo cineasta nascido em Farias Brito. O filme lançado em 1996 será exibido em qualidade superior porque parte da obra de Rosemberg está passando por remasterização.
“São 12 filmes de longa-metragem. Já estamos com oito desses prontos, em 4K, com som remasterizado.”
O colunista teve a satisfação de ter menos de 10 minutos de prosa com esses dois profissionais. Viu o carinho e o respeito entre eles e ouviu um convite.
“Ela se tornou uma musa do cinema de vanguarda que se faz no Nordeste. O sonho de todo mundo é trabalhar um dia com Marcélia. Eu vivo sonhando com isso há 30 anos”, disse Rosemberg.
“Mas o filho dele foi quem realizou”, respondeu Marcélia, em referência ao longa “A Praia do Fim do Mundo”, de Petrus Cariry, obra de 2021 em que Marcélia interpreta Helena, uma senhora que não quer deixar a casa onde vive mesmo com o avanço do mar e a insistência da filha.
O colunista despediu-se. Marcélia e Rosemberg ficaram conversando um pouco mais. Que possam trabalhar juntos e em breve, afinal, como diz o lema do evento, não há dúvida, o Nordeste é coisa de cinema.