Legenda:
Grupo da Uece é formado apenas por mulheres para garantir maior conforto.
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Acervo pessoal.
Há quase dois anos, um projeto de extensão da Universidade Estadual do Ceará (Uece) acolhe e dá apoio a mulheres vítimas de violência, seja sexual, psicológica, moral, física ou patrimonial. O Plantão Acolhe(dor) realiza atendimentos psicológicos para mulheres que vivenciam dores profundas. O serviço é totalmente gratuito e disponibilizado para todas as mulheres que procuram o projeto, sem distinção. Desde a fundação, o Acolhe(dor) já atendeu mais de cem mulheres.
Uma novidade deste ano é que, além de mulheres adultas, o Acolhe(dor) vai atender crianças e adolescentes que tenham sido vítimas diretas ou indiretas de violências. As meninas precisam da autorização de um responsável para receber o atendimento. Segundo Layza Castelo, psicóloga, professora do Curso de Psicologia da Uece e coordenadora do projeto, muitas vezes, a criança vê a mãe sofrendo uma violência e acaba sendo afetada também, geralmente de forma psicológica.
O projeto da Uece funciona na modalidade de plantão psicológico. Esse tipo de atendimento trabalha com sessões mais curtas e focadas em questões específicas. No caso do Acolhe(dor), o foco é a violência sofrida pelas mulheres. As mulheres têm direito a até três atendimentos.
Todas as sessões são presenciais, para garantir a delicadeza do "olho no olho" e o sigilo da conversa. Depois do número máximo de sessões, se a mulher não puder pagar por um atendimento em outro local, ela é encaminhada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), uma rede integrada de serviços dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) que atende pessoas com sofrimento mental.
Layza afirma ainda que, quando terminam os três atendimentos, a equipe continua "segurando na mão das pacientes", vendo para onde vai encaminhar cada mulher, em qual bairro elas moram, qual psicólogo poderia atendê-las e se elas têm condição de pagar por um atendimento com um preço mais acessível.
A gente sabe que mulher nenhuma, em lugar nenhum do mundo, está 100% segura, mas a gente fica com elas até perceber que elas estão parcialmente seguras."
Mesmo com a greve de 2024 nas universidades do país, que veio pouco tempo depois do início do projeto, o Acolhe(dor) não parou devido à importância da realização do serviço. Foi preciso diminuir alguns dias de atendimento, o que prejudicou o projeto e algumas pacientes, mas o trabalho continuou.
Todas as quinze pessoas que colaboram com o projeto são mulheres, algumas são estudantes do final do curso de Psicologia da Uece e outras são psicólogas já formadas, que faziam parte do projeto durante a graduação e decidiram continuar, mesmo sem receber remuneração por isso, após a conclusão da faculdade.
Vidas mudadas
Uma das mulheres vítimas de violência atendida pelo Plantão Acolhe(dor) - que não será identificada por questões de privacidade e segurança - contou à reportagem que foi acolhida três vezes e que, em todas as ocasiões, sentiu-se respeitada e merecedora de cuidado e atenção.
Ela disse ainda que, no primeiro atendimento, não conseguia nem falar direito, só chorar. No segundo, já estava mais calma e se sentindo em um espaço seguro. "O impacto dos atendimentos é mais clareza e presença na minha vida e nos meus relacionamentos", comenta.
Após os três atendimentos, ela foi encaminhada a um outro projeto da Uece a fim de seguir com o acompanhamento psicológico: o Grupo de Psicoterapia para Mulheres Vítimas de Violência. Essa é uma outra opção pela qual a mulher pode optar caso se sinta à vontade para compartilhar sua experiência com outras pessoas ou caso não haja vaga na RAPS.
Outra vítima, que também não será identificada, sofreu o que ela chama de manipulação sexual. Ela procurou a Delegacia da Mulher para registrar o ocorrido, mas lá informaram que não podiam dar a ela uma medida protetiva ou um abrigo seguro.
Depois do ocorrido, a vítima conheceu o atendimento psicológico ofertado na Uece. "O acolhimento que recebi lá foi o suficiente para acreditar que não estou sozinha e para me sentir vista como humana, como mulher, como alguém de valor", conta. Segundo ela, na sessão, não há críticas, julgamentos ou palpites, apenas o intuito de fazer as mulheres superarem o ocorrido e descobrirem que podem ser fortes.
Como ter acesso aos atendimentos
As sessões ocorrem de segunda a sexta, nos turnos da manhã e da tarde, no campus da Uece do bairro Itaperi, no bloco do curso de Psicologia. Para ser atendida pelo Plantão Acolhe(dor), basta entrar em contato pelo WhatsApp com o número de telefone (85) 98420-1584. Após esse contato, a mulher é direcionada para uma das integrantes da equipe do projeto. A solicitação do atendimento precisa ser por mensagem, não pode ser por ligação.
Onde buscar ajuda
Caso sofra ou presencie violência doméstica, qualquer pessoa pode denunciar por meio de diversos canais, desde os gerais aos especializados. Caso não haja Delegacia de Defesa da Mulher no município, qualquer distrito policial deve acolher a vítima para a denúncia.
Gerais
190 – Polícia Militar
Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher
Grande Fortaleza
Delegacia de Defesa da Mulher (Fortaleza) – DDM – 24h
Rua Tabuleiro do Norte, S/N. Bairro Couto Fernandes. Telefone: (85) 3108-2999
Delegacia de Defesa da Mulher (Fortaleza) – DDM – 8 às 17h
R. Valdetário Mota, Nº 970, Papicu
Delegacia de Defesa da Mulher (Pacatuba)
(85) 3384-5820 / ddmpacatuba@policiacivil.ce.gov.br
Av. Marginal Nordeste, sn – Conj. Jereissati 3, Pacatuba
Delegacia de Defesa da Mulher (Caucaia)
(85) 3101-7926 / ddmcaucaia@policiacivil.ce.gov.br
Rua Porcina Leite, 113 – Parque Soledade, Caucaia
Delegacia de Defesa da Mulher (Maracanaú)
(85) 3371-7835 / ddmmaracanau@policiacivil.ce.gov.br
Av. Padre José Holanda do Vale, 1961 – Cagado, Maracanaú
Interior do Ceará
Casa da Mulher Cearense de Juazeiro do Norte – Av. Padre Cícero, 4501. Bairro São José. Telefone: (85) 98976-7750
Casa da Mulher Cearense de Quixadá – R. Luiz Barbosa da Silva, s/n. Bairro Planalto Renascer.
Casa da Mulher Cearense de Sobral – Av. Monsenhor Aloísio Pinto, s/n. Bairro Cidade Gerardo Cristino.
Delegacia de Defesa da Mulher (Crato)
(88) 3102-1250 / ddmcrato@policiacivil.ce.gov.br
Rua Dom Quintino, Nº 704, Centro
Delegacia de Defesa da Mulher (Iguatu)
(88) 3581-9454 / ddmiguatu@policiacivil.ce.gov.br
Av. Monsenhor Coelho – São Sebastião, Iguatu
Delegacia de Defesa da Mulher (Icó)
(88) 3101-7922 / ddmico@policiacivil.ce.gov.br
Rua Padre José Alves de , 963 – Novo Centro, Icó
Delegacia de Defesa da Mulher (Sobral)
(88) 3677-4282 / ddmsobral@policiacivil.ce.gov.br
Avenida Mons. Aloísio Pinto, s/n, Gerardo Cristino
Sala Lilás – Delegacia Municipal de Jaguaruana
(88) 3418-1370 / dmjaguaruana@policiacivil.ce.gov.br / 08h – 12h I 13h – 18h
Rua José Cláudio de Melo, 10, Jaguaruana
*Estagiária sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo.
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