MPF recomenda paralisação imediata de obras em Jericoacoara; entenda

Órgão avalia que autorização do ICMBio não dá validade para liberação das construções na área de conservação

Escrito por
Lucas Monteiro lucas.morais@svm.com.br
(Atualizado às 06:45, em 07 de Agosto de 2025)
Obras em andamento na Vila de Jericoacoara pode ser paralisada por recomendação do MPF
Legenda: MPF pede que todos os procedimentos técnicos de avaliação sobre os impactos ambientais sejam feitos antes das intervenções na área de preservação
Foto: Ricardo Silva / Conselho Comunitário de Jericoacoara

Em pedido enviado na segunda-feira (4) ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), o Ministério Público Federal (MPF) solicitou a paralisação imediata das obras na vila de Jijoca de Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará. O órgão avalia que as construções podem causar danos irreparáveis no Parque Nacional.

“O perigo de dano, advindo da demora da prestação judicial definitiva, é evidenciado no caso dos autos, já que se tratam de obras de grande porte e com sérias alterações de ecossistemas que podem causar danos irreparáveis”, diz um trecho do documento, que reitera a necessidade de realização de novos estudos prévios sobre as consequências ambientais.

Obras em andamento na Vila de Jericoacoara
Legenda: MPF entrou com novo pedido no Tribunal Regional Federal da 5ª Região pedindo a suspensão das obras
Foto: Ricardo Silva / Conselho Comunitário de Jericoacoara

A manifestação do MPF é uma resposta à decisão proferida pelo Desembargador Federal Paulo Machado Cordeiro, do mesmo tribunal, que de forma monocrática indeferiu o pedido da prefeitura de Jijoca de Jericoacoara, que pede a interrupção das obras, iniciadas em novembro do ano passado.

O MPF destaca que a construção das estruturas de estacionamento, lojas, bares, banheiros, terraplanagem, pavimentação e drenagem, que ocupam uma área de 70.000 m², além de uma estrada com 10 km, podem afetar o fluxo do vento e a movimentação das dunas do Parque Nacional, além do risco de soterramento e uso de maquinário pesado.

Veja também

Outro ponto levantado pelo órgão está relacionado às espécies ameaçadas de extinção dentro da área de conservação, além de outras espécies que podem vir a ser ameaçadas por conta da realização das intervenções, que estão sob responsabilidade da Urbia + Cataratas Jericoacoara, empresa vencedora da licitação de concessão. Por contrato, o consórcio investirá cerca de R$ 1 bilhão ao longo de 30 anos.

“As legislações destacadas determinam a necessidade de licenciamento ambiental e da realização de estudos prévios para qualquer intervenção dentro de um Parque Nacional, não bastando somente a autorização do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)”, diz o MPF, destacando que o instituto não é um órgão licenciador, pois apenas gere Unidades de Conservação Federais.

No documento, o MPF ressalta que o “empreendimento está sendo executado com base em autorizações fragmentadas”. 

Para Lucimar Marques, presidente do Conselho Comunitário da Vila de Jericoacoara, o pedido traz tranquilidade para a comunidade local. "Mostra que o povo sempre esteve certo em cobrar todos os estudos de impacto ambiental para um empreendimento desse tamanho. É o bom senso prevalecendo, é a justiça sendo feita pelo bem de Jeri", afirmou.

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado
Assuntos Relacionados