Fortaleza tenta zerar fila de 3 mil à espera de creches com vagas próximo ao trabalho de pais e busca ativa

Mais de 3 mil crianças aguardam por uma vaga na educação infantil.

Escrito por
Clarice Nascimento, Paulo Roberto Maciel* e Nicolas Paulino producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 14:21)
Educadora sentada em tapete colorido interage com três crianças pequenas em uma creche. Elas brincam com blocos de montar e observam um cartaz educativo com o alfabeto na parede.
Legenda: Conforme o Plano Municipal de Educação (PME) de Fortaleza, até junho deste ano, pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos devem estar matriculadas em creches.
Foto: Helene Santos/SVM.

Em 2026, a Prefeitura de Fortaleza quer avançar de forma significativa para solucionar uma demanda histórica na educação infantil: a fila de espera por vagas em creches públicas. Para tentar atender a mais de 3 mil crianças que ainda precisam de espaço, a gestão municipal, além de ampliar o número de instituições, promete duas novidades, realizar busca ativa e oferecer vagas em unidades próximas ao trabalho de mães e pais. 

Segundo a coordenadora da Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza, Conceição Cavalcante, cerca de 3 mil crianças de até três anos de idade aguardam por um espaço para ingressar em um Centro de Educação Infantil (CEI) até o início de fevereiro. Esse número já reduziu em cerca de 50% ao longo de 2025, segundo a gestão. 

O acesso de crianças a vagas em creches, revelam especialistas, é diferencial tanto para o seu desenvolvimento quanto por questões socioeconômicas, já que sobretudo mães solo precisam dos equipamentos como suporte para conseguirem estar no mercado de trabalho.

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Desde o início da gestão, mais de 2 mil vagas foram criadas a partir do edital estruturante, da construção de novos CEIs públicos e adaptação das “salas de diversão” em salas de aula, diz ela. Dar fim ao déficit de acesso a vagas é promessa de campanha do prefeito Evandro Leitão (PT).

A ampliação da capacidade dos equipamentos deve ser continuada por meio da inauguração de seis novas instituições em parceria com os Governos do Estado e Federal, além de adaptações na infraestrutura já existente.

Outras estratégias são o aumento de vagas em CEIs e em creches conveniadas e aproveitamento de espaços ociosos das unidades, que devem ser transformados em salas de aula. Com isso, a estimativa é de que 1.800 novas vagas sejam disponibilizadas.

“São estratégias mesmo de tentar resolver a nossa demanda de fila de espera em todo o território de Fortaleza. A ideia é que a gente não deixe nenhuma área descoberta, consiga zerar essa fila”, diz a coordenadora. 

Busca ativa pelas famílias 

O acompanhamento da fila por vagas em creches em Fortaleza é feito, desde 2014, por meio do Registro Único (RU), processo contínuo de inscrição das crianças nas instituições de ensino desejadas. É no RU que a necessidade de ampliação é identificada, priorizando o atendimento às crianças em situação de vulnerabilidade.

Com o registro, a família vai até a creche desejada, busca por uma vaga e, caso não tenha, se inscreve no RU para aguardar a oportunidade de matrícula

Agora, a Prefeitura vai criar uma equipe para fazer a busca ativa dessas famílias para encontrar alternativas. Se não houver vaga na unidade de preferência, serão oferecidas matrículas em unidades próximas à residência ou ao local de trabalho da família. 

Esse processo também vai atender os requisitos de vulnerabilidade exigidos pelo RU, priorizando crianças em famílias cadastradas em programas sociais, filhos de mães que trabalham ou de adolescentes, e crianças em casas de acolhimento.

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Parcerias com as organizações civis

Além das creches públicas, a gestão também celebra parcerias com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para gerenciamento de unidades escolares em prédios públicos e privados, firmadas a partir de editais. São as chamadas creches parceiras

A SME iniciou 2026 com um edital que oferecia cerca de 2 mil novas vagas em creches e, ao longo do ano, aposta em estratégias de credenciamento e atuação setorizada, com 3 mil oportunidades, para acelerar a redução da fila de espera. 

Conforme Conceição, esse primeiro edital “amplo para a toda cidade” não atendia plenamente áreas que possuíam mais necessidade. 

“Acontecia muitas vezes de a gente ter a proposta de uma creche num local onde não tem demanda. E aqueles locais onde tem uma fila de espera enorme, bairros que tem 300 crianças, acabava não tendo nenhuma proposta de creche”, explica.

Foi assim que surgiu o edital setorizado, que visa aumentar o número de vagas nos bairros com demanda represada, tendo como base o Registro Único. A coordenadora afirma que o foco são regiões da cidade onde há maior quantidade de crianças esperando vaga, como Messejana e Barra do Ceará.

Já o edital de credenciamento foi criado “sem prazo para acabar”, segundo o secretário de Educação, Idilvan Alencar. “A ideia é que com ele a gente tenha essa possibilidade de credenciar em qualquer época do ano”, afirma Conceição.

Isso é possível porque, no atendimento em creche, existe a possibilidade de atender as crianças durante todo o ano, diferentemente do que ocorre no ensino médio e no fundamental, por exemplo.

“Às vezes, a gente tinha propostas de creches, tinha alguma OSC interessada em participar de um chamamento e não havia edital aberto, porque só abrimos no final do ano”, detalha. O credenciamento permite, assim, que novas creches parceiras comecem a operar assim que houver um prédio disponível e demanda registrada. 

“Se continua com uma demanda registrada na Messejana, no mês de maio, e a gente tem uma OSC que conseguiu um prédio naquela região, vamos poder atender no mês de maio através desse edital de credenciamento”, diz Conceição.

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