CE precisa concluir 108 escolas para finalizar universalização do tempo integral no Ensino Médio
Meta da gestão de Elmano de Freitas é concluir unidades ainda em 2026.
O ano letivo de 2026 na rede pública estadual, responsável por ofertar o Ensino Médio no Ceará, começa com 108 escolas em obras a serem concluídas para cumprir a meta de universalizar o ensino integral no Estado.
A informação foi compartilhada pelo governador Elmano de Freitas, durante a inauguração do novo prédio da Escola Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Paulo Ayrton, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, na manhã desta segunda-feira (2).
Segundo Elmano, todas as unidades devem ser entregues até o fim do ano. “Nós estamos construindo para que a gente possa ter uma escola de qualidade ainda maior para a juventude cearense, para termos todos os nossos alunos em tempo integral, para que os sonhos desses alunos possam acontecer”, ressaltou.
Até o fim de 2025, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) havia informado que cerca de 80% da rede estadual já ofertava a modalidade. A implementação ocorre de modo gradual: a universalização começa com estudantes do 1º ano e, nos anos seguintes, é estendida a todas as turmas das escolas que passam pela transição.
escolas pertencem atualmente à rede estadual de ensino, atendendo a quase 400 mil estudantes.
A universalização foi anunciada ainda na gestão de Camilo Santana e reafirmada como compromisso de campanha pelo atual chefe do Executivo. A medida foi reforçada no Estado pela lei 17.995/2022.
A modalidade de tempo integral tem jornadas de 45 horas semanais (cerca de 9h por dia), garantindo três refeições diárias. As atividades se iniciam às 7h e se encerram às 17h.
A titular da Seduc, Eliana Estrela, ressaltou que o tempo integral não significa apenas mais tempo na escola, mas traz “oportunidades para a nossa juventude estar mais tempo na escola, com segurança alimentar com três refeições, professoras e professores preparados e material adequado”.
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Adaptações das escolas
Sobre o prazo de conclusão de mais de 100 escolas até o fim do ano, a secretária informou que o cronograma deve “avançar para ser entregue o mais rápido possível”.
Para isso, além das adaptações físicas dos espaços, a Seduc precisa reorganizar turmas, redefinir a quantidade de alunos em cada escola, ajustar a jornada de trabalho dos professores e reformular o currículo.
“Tem escola que eles estão ainda na escola do prédio antigo aguardando o prédio novo para transferir. Em outras, a construção é necessária para poder dividir a escola. Então são várias situações”, declarou.
Conforme a Seduc, o tempo integral favorece o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais, além do protagonismo estudantil, por meio de escolhas das Unidades Curriculares Eletivas (UCE).
Para atingir a meta de universalização, um pacote de 138 novas escolas foi planejado pelo Governo do Ceará, totalizando investimento projetado de R$ 1,6 bilhão.
Materiais de apoio a estudantes
Além das novas estruturas, em conversa com os alunos, o governador Elmano de Freitas se comprometeu a “comprar os tablets para todos os alunos do 1º ano que estão chegando na escola”.
Depois, afirmou que já foi licitada a compra de calçados para todos os matriculados na rede estadual. “Daqui a pouco, a empresa vai ser anunciada e vai começar a fazer todos os tênis”, disse.
O governador lembrou que, em 2023 e 2024, quase 50.000 alunos da escola pública ingressaram em faculdades por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), “o que demonstra a transformação que está acontecendo”.
Nova escola em Fortaleza
Reinaugurada neste início de ano letivo (a estrutura original é de 1975), a EEMTI Paulo Ayrton pode receber até 540 estudantes. O novo prédio, com 12 salas de aula, 4 laboratórios, biblioteca, cozinha/refeitório, auditório com 120 assentos e quadra poliesportiva coberta, teve investimentos de mais de R$ 16 milhões.
Segundo o diretor da unidade, Júnior Sampaio, o processo de universalização do tempo integral para o Ensino Médio deve ser concluído em 2028, já que a escola ainda atende turmas dos Anos Finais do Ensino Fundamental.
Assim, sem fechar turmas, a estratégia consiste em permitir que os alunos atuais avancem - os do 8º ano viram 9º, e os do 9º ingressam no 1º ano integral - até que a oferta do Fundamental seja encerrada.
O foco imediato é a conclusão da integralização total antes de se considerarem outras mudanças, como a possível transformação em escola profissionalizante no futuro.
Conforme Júnior, houve aumento da procura por vagas na unidade, que atende não apenas moradores das Cajazeiras, mas também estudantes de bairros vizinhos e até de outros municípios, como Itaitinga.
“A nossa expectativa é a melhor possível. A gente não perdeu aluno por causa disso. A gente, pelo contrário, recebeu muito aluno devido tanto à estrutura como também ao regime. E os pais também preferem que o filho passe o dia todo na escola”, concluiu.
*Sob supervisão da jornalista Dahiana Araújo