Retrospectiva 2018: Seis nomes da cultura cearense debatem sobre o ano que passou

Em 2018, a cultura brasileira entrou no centro da discussão política e estabeleceu um novo cenário para os artistas. Selecionamos seis pessoas que se destacaram nas respectivas áreas de atuação e que trouxeram algum tipo de debate ou transformação na maneira de criar e se relacionar com o público

Resgatar e listar os acontecimentos do ano possibilita um determinado exercício reflexivo. Elencar nomes de destaque na área da cultura, portanto, se lança como estratégia de mapeamento social, político e até comportamental. Marcado pelo ressurgimento e circulação de ideias retrógradas, principalmente com o acirramento das eleições, 2018 testemunhou diferentes ataques a setores culturais. Alvo de críticas, o Ministério da Cultura (Minc) possui futuro incerto no novo governo que toma posse no primeiro dia de janeiro. Será incorporado ao novo Ministério da Cidadania e transformado em secretaria.

O termo censura retornou como um fantasma e a dor de cabeça para os artistas atravessa até mesmo a questionável demonização em torno da Lei Rouanet. Diante do tenso cenário, as obras desenvolvidas por boa parte destas mentes criativas tiveram o embate e provocação como vetores essenciais. No âmbito local, antigos dilemas como o atraso no pagamento de cachês e a diminuição de espaços culturais aptos a receberem estas manifestações se fizeram presentes.

>Veja os principais destaques na literatura cearense em 2018

O Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) celebrou 12 anos de atuação e segue como local transformador nos bairros que formam o grande Bom Jardim. Um reencontro necessário com a população de Fortaleza aconteceu com a reinauguração do Teatro São José no mês de setembro, após oito anos fechado. A rua ampliou-se como palco para apresentações culturais e o espectro da resistência e da crítica foram sabores adicionados a este caldeirão.

Conhecido como uma criatura errante, o cearense se embrenha nas mais diferentes realidades e contextos. A música, a interpretação, o traço, as letras também se firmam como ingredientes da diáspora. São nomes premiados, comentados na mídia especializada e capazes de reunir em torno das obras as heranças sociais do pedaço de chão onde nasceram. Diante da peculiaridade de cada linguagem e da força expressiva que carregam, uma perspectiva otimista para o novo ano não é exagero. A frase "ninguém solta a mão de ninguém", aqui, significa compartilhar empatia. Nada mais humano e necessário.

Mailson Furtado

Foto: FOTO: HELENE SANTOS

Ser poeta no sertão cearense rendeu versos dignos de um Jabuti. Mailson Furtado que o diga: alavancou, em novembro, o mais importante prêmio da literatura nacional. "A conquista mudou rotina, planos, e trouxe uma nova energia pra continuar minha produção. E vem 2019. Por conta do cenário social-político, vejo como um ano de interrogações. Acredito, porém, que muitas coisas deste 18 ecoarão nos meios literários", torce.

Armando Praça

A recente conquista do mais novo projeto assinado pelo realizador aracatiense o colocou como destaque do cinema do Estado neste ano. "Greta", o primeiro longa-metragem da carreira de Armando, foi anunciado, no último dia 18, como um dos selecionados para a Mostra Panorama, seção paralela à competição principal do Festival de Berlim. Inteiramente filmada em Fortaleza, a obra tem Marco Nanini como protagonista. 

Clau Aniz 

Com o álbum "Filha de Mil Mulheres", a cearense entregou uma obra densa e poética, fincada em referências diretas ao feminino. Clau cercou-se de amigos para construir as nove canções do álbum e destilou elementos sonoros como o experimentalismo, a psicodelia e o post-rock. Além da qualidade entregue, o trabalho da cantora evidencia o atual bom momento da música criada na capital alencarina. 

David Lee 

A consolidação do estilista abre os caminhos para o ano que se inicia. Em 2018, David Lee, ex-aluno de moda do Senac Ceará, foi o único brasileiro selecionado a expor no International Fashion Showcase (IFS) na Somerset House, em Londres. O evento acontecerá em fevereiro de 2019, paralelamente ao LFW (London Fashion Week). Por terras londrinas, o cearense recebeu mentoria do IFS para a sua exposição. 

Démick Lopes 

Foto: FOTO: Estevan Avelar/Globo

Um dos grandes destaques da supersérie "Onde Nascem os Fortes", exibida entre abril e julho na Globo, Démick Lopes não parou em 2018, resultado da potência de seu trabalho e versatilidade. Além da produção citada, o ator integrou o elenco de "Greta", longa de Armando Praça, no qual faz par romântico com Marco Nanini, e colecionou elogios pela atuação em "Inferninho", sensação no circuito internacional de festivais. 

Juca Máximo 

Foto: FOTO: Cícero Humberto

Finalista no Jackson's JOPP 2018, em Londres, com a obra "Ausências", o artista plástico integrou a seleta lista de ilustradores da revista austríaca de publicidade Lurzer's Archive. Um total de 17 trabalhos produzidos entre 2017 e 2018, todos com algum tipo de reconhecimento em países como Canadá, Estados Unidos e Áustria, foram apresentados na primeira mostra do artista em Fortaleza.

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