"O Farol" traz narrativa envolvente sobre a loucura do isolamento, além de referências mitológicas

O novo longa-metragem de Robert Eggers conta com diálogos teatrais e fotografia impecável

Legenda: Willem Dafoe e Robert Pattinson vivem os guardiões do farol de uma ilha localizada no norte dos Estados Unidos
Foto: Reprodução

O quebrar das ondas do mar, o gorjeio das gaivotas e o barulho da chuva tempestuosa envolvem o cenário de "O Farol", novo longa-metragem de Robert Eggers, também diretor de "A bruxa", que chega para reafirmar a potência da natureza e do isolamento sobre as frágeis mentes humanas. Mesclando traços de realidade e fantasia, o suspense de Eggers se estabelece como uma obra-prima desesperadamente incrível.

O filme trata-se de um conto alucinatório que acompanha dois guardiões de um farol em uma ilha remota de Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, na década de 1890. Os protagonistas, o veterano Thomas Wake e o novato Ephraim Winslow, interpretados, respectivamente, por Willem Dafoe e Robert Pattinson, têm que lidar com as diferentes personalidades para ajudarem um ao outro durante uma forte tempestade.

A sinopse parece simples mas é neste ponto que mora o louvor da história. Presos na ilha e sem previsão de libertação, a narrativa que, de início, se mostra calma e contemplativa, vai sendo construída sutilmente até culminar na agitação que perpassa as alucinações e terrores da trama.

Detalhes

A diferença de hierarquia, a solidão e o tédio das tarefas diárias começam a afetar a convivência dos faroleiros, que têm seus comportamentos humanos e mundanos cada vez mais aflorados. Com a contribuição da natureza e da crença em mitos náuticos e marinhos, o filme mexe com a confiança de quem o assiste, que passa a não discernir o que é real e o que é fruto da cabeça dos personagens.

Por ser rodado em 35mm, em câmeras que datam de 1930, a fotografia do filme é memorável. As imagens em preto e branco são marcadas por altos contrastes de luz e sombra, reforçando a dramaticidade. Com a proporção de tela reduzida em 1.19:1, ou seja, mais quadrada, o espectador é lançado para dentro da narrativa claustrofóbica de forma a enlouquecer junto aos protagonistas.

A história é, ainda, envolta por longos diálogos e monólogos, em paralelo às cenas impecáveis de apreciação do ambiente, trazendo uma forte referência do teatro. Tais artifícios são utilizados de forma a melhor representar aquele cotidiano sombrio e severo. Minuciosamente pensado, "O Farol" é um terror que assola mesmo a quem não é fã do gênero e que desafia qualquer tentativa de explicação clara sobre o que significa, exatamente porque talvez não a tenha.

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