Fenômeno nas redes, 'dancinhas de TikTok' ganham espaço nas academias com procura por aulas

Do virtual para os palcos de verdade, diferentes públicos encontram nestas coreografias o incentivo de práticas saudáveis

dancinha
Legenda: Coreografias com influências de ritmos urbanos como o hip hop
Foto: Alisson de Alencar

Descer até o chão, bailar, arrasta-pé, bate-cabelo. Seja qual for o termo preferido, dançar diverte e carrega traços da identidade. Movimentar o corpo também é expressão nas redes sociais. Na última semana de setembro, o TikTok atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos por mês. Parte deste público tem nas "dancinhas" o seu diferencial. 

Para o instrutor de FitDance, Lucas InDancer, a ferramenta abriu muitas portas quem trabalha com a dança. "É de fácil acesso. Não precisa estar com um celular caro ou câmera profissional. Basta um aparelho simples. Trouxe esse mundo da dança para quem estava em casa, sem fazer nada, ansioso. Fez muito bem e encorajou a dançar o passinho", completa.

A procura pela novidade fez Lucas abrir turmas exclusivas para TikTok. O público que procura as aulas vai de adolesecentes a adultos de até 50 anos. Lucas afirma que toda semana tem um música diferente bombando. Se existe um caratecrística sonora, ele avalia que são trechos curtos e com muita batidas, o que favorece a realização dos movimentos. 

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"O TikTok tem inspiração nas danças urbanas, como o hiphop. Outra coisa que percebo é a interação da letra com os passos. Ou seja, acontece uma espécie de intepretação na idealização das coreografias", explica o instrutor. 

Mistura de movimento e diversão 

A personal trainer Luciana Félix reafirma que a prática de dançar e expor nas redes sociais ganharam força durante o isolamento social. Das pessoas se divertirem pelos memes e músicas que era sucesso naquele período. Trabalhando com dança e exercícios físicos há 20 anos, ela define que o TikTok não resume um estilo de dança.

"Acaba pegando movimentos, um pouquinho de tudo e joga num certo momento. Usa dança, a comédia, tudo com o 'faça você mesmo'". 

No entanto, Luciana pondera que o modo "tiktoker" reúne alguns movimentos que o identificam (o braço cruzando por detrás do quadril, por exemplo). "Poderia ser mais explorado", conta a entrevistada. Em outro sentido, defende, o aplicativo é útil por ser democrático e fazer outros públicos conhecerem a dança. "Vai da criança até o adulto".

Luciana gravou vídeo em que dança acompanhada do marido, que não é da área. 

Dançar melhora o sono, o sistema cardiorrespiratório e a definição muscular. A paixão pelo movimento, a liberdade e prazer entram na questão psicológica. Se eu dançar e não melhorar o meu humor, e por que o negócio está sério. Dançar te dá outro astral", reforça a educadora física.

Mercado da música

Criada em 2016, a plataforma chinesa popularizou-se durante a pandemia da Covid-19. De olho na concorrência, o Instagram passou a investir na ferramenta "reels". Nem aí para essa disputa, diferentes gerações passaram a usar a tela do celular como palco. 

A febre das coreografias e vídeos engraçados passou a interferir até no meio musical. Ter um viral pode alavancar a audiência dos músicos. Um marco ocorreu em abril deste ano, quando Orlandinho do Piseiro emplacou um vídeo dançando o brega "Linda Bela". 

 

 

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