Em cartaz com "Hebe - A Estrela do Brasil", Georgina Castro fala do amor por contar histórias

Além de atriz e roteirista, o próximo passo da cearense é a carreira de diretora

Legenda: Natural de Fortaleza, atriz também investe na produção de roteiros para teatro e cinema
Foto: Tiago Marinho

A primeira personagem veio aos 14 anos. No auditório lotado, resgata, encarnou a imagem de Santa Clara. A reação e a presença da plateia foram suficientes para despertar o amor pela interpretação. Ana Georgina de Castro queria mais e a opção foi arriscar uma vaga no curso Princípios Básicos do Teatro, do Theatro José de Alencar. Integrar a importante formação, que resiste em Fortaleza desde 1991 e realiza relevante papel na área, foi um primeiro passo decisivo. Dali não parou mais.

Logo depois integrou a segunda turma do Colégio de Direção Teatral do Instituto Arte e Cultura do Ceará (Iacc). Foram, relembra afetuosa, sete anos de dedicação aos palcos no Ceará. 2004 testemunhou outra decisiva escolha, Georgina Castro estabeleceu morada em São Paulo.

O destino pregou uma peça das mais deliciosas e irônicas. Com apenas seis meses de Sudeste retornou ao Estado de origem para trabalhar pela primeira vez com cinema. E que estreia. O premiado longa-metragem "O Céu de Suely" (2006), de Karin Ainoüz.

"Quando é um projeto meu, que eu penso, sempre de alguma forma tem o Ceará ligado. Não tem como e nem quero me desvincular dessa forma. Por mais que você vá para outro lugar, tenha este olhar do estrangeiro, são as minhas raízes, é a minha família, foi quando eu comecei a me descobrir como artista. Tudo que eu penso tem o Ceará ligado", divide.

Legenda: Em “Hebe - A Estrela do Brasil”, a intimidade de um ícone nas telonas do Brasil
Foto: Divulgação

A sétima arte tornou-se um território fértil para o desenvolvimento de outras habilidades. "Escrever sempre foi uma coisa que gostei, fazia, mas demorei um pouco para me assumir, sabe?". O primeiro roteiro deu origem ao curta "Pão com Mortadela" (2009), vencedor do prêmio Sesi Fiesp de Melhor Curta-Metragem Paulista de 2009.

Teatro, cinema, TV e mercado internacional. Georgina participou das produções "Nasceu Maria" (2011), curta filmado em Nova Iorque com a direção de Elena Grenlee e supervisão de Spike Lee. Antes, atuou na produção dinamarquesa "Rosa Morena" (2010), de Carlos Augusto de Oliveira. A premiada série Espanhola "Descalç sob la terra Vermella" e a série francesa "Crime Time".

Fôlego

Em 2016 esteve em cartaz nos Cinemas com os filmes "Trago Comigo", remontagem da série de TV guiada por Tata Amaral. Outros destaques foram "Vidas Partidas" e a cinebiografia do lutador José Aldo, em "Mais forte que o Mundo". Nas telonas ainda atuou em "Corpo Elétrico" (2017).

Atualmente, Georgina pode ser vista no papel de Luisa em "Hebe - A Estrela do Brasil", filme estrelado por Andréa Beltrão, que dá vida à ícone da televisão e dirigido por Maurício Farias ("O Coronel e o Lobisomem"). A obra se destaca por iluminar parte da trajetória de uma artista reconhecida em todo País.

Apresenta Hebe Camargo (1929-2012) nos bastidores, às voltas com dilemas pessoais. Por detrás da imagem de sucesso, o longa resgata a história de uma mulher em conflito com a censura e sofrendo um relacionamento abusivo. A fortalezense exalta o trabalho por trazer paralelos e discutir o Brasil de 2019.

Legenda: Dedicação ao teatro, cinema e TV

"Como mulher e falando também como profissional. É muito difícil até hoje, por mais que tenhamos adquirido tantos direitos e tenha andado em tantas coisas, vemos situação tão semelhante ainda. Infelizmente é atual, não deveria ser. Não tem como deixar de comparar com os dias de hoje. É inevitável", alerta.

Outro destaque na jornada da cearense é "Os Pobres Diabos" (2013), de Rosemberg Cariry. A oportunidade rendeu frutos com outro nome da família prodigiosa na área do cinema. Georgina acabou de filmar "Pequenos Guerreiros", estreia de Bárbara Cariry em longas. As filmagens aconteceram no Ceará entre maio e junho deste ano.

Cenas de alguns trabalhos da atriz

A história apresenta uma família composta por pai, mãe e três filhos que vivem no litoral cearense, em Beberibe. O grupo viaja de jipe até Barbalha para pagar uma promessa feita pelo patriarca, que é pescador. O pagamento é carregar o Pau da Bandeira. Georgina interpreta a mãe e o filme gira em torno das crianças, que com a mudança de cidade irão explorar um universo diferente do qual estão acostumadas.

Outra demanda da recente safra de projetos é o desenvolvimento do roteiro de "Hamster". O texto foi vencedor do prêmio Cabíria (2017), iniciativa que estimula o protagonismo feminino no cinema. Será a chance da cearense escrever o nome na direção. Georgina Castro divide esperanças de concretizar ainda mais seus projetos, mesmo em tempos belicosos para a classe artística nacional.

Legenda: Cena da produção inédita “Pequenos Guerreiros”, da diretora Bárbara Cariry
Foto: Priscila Smith

"Demorei tanto para começar a querer escrever. Aí vou inventar de escrever agora, nesse momento tão incerto, mais difícil ainda, com essa coisa de editais e festivais cancelados, filmes censurados, 'por que agora?' É agora que realmente temos que nos movimentar. Não deixar tudo isso que está acontecendo fazer nós engolirmos ou calar o que queremos falar. Agora que é o momento", finaliza.

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