13ª edição do Festival Ponto.CE traz música e ações solidárias em formato digital

Entre os dias 17 e 29 de agosto, a lista de apresentações traz nomes Lucas Silveira (Fresno) e Selvagens à Procura de Lei (CE)

Legenda: Camila Marieta faz parte da programação do festival com trabalhos autorais
Foto: Divulgação

A pandemia estabeleceu outro panorama no setor de entretenimento. Sem qualquer previsão do completo retorno das atividades, experimentar novas ferramentas de transmissão tornou-se uma realidade para artistas e produtoras. O festival Ponto.CE aposta no virtual para consolidar a realização da 13ª edição.

De 17 a 29 de agosto, o evento acontece pela primeira vez no formato totalmente digital. Sem o calor dos palcos e a presença efetiva da plateia dos anos anteriores, entra em cena a ferramenta do YouTube. A programação reúne ações solidárias e duas semanas de cursos gratuitos de formação. Outra iniciativa é disponibilizar debates entre profissionais da cultura que fazem o circuito independente acontecer no Brasil.

Diariamente, sempre às 21h, uma banda se apresenta no festival. Ontem, o trio Nova Polaris teve a missão de iniciar a agenda musical do Ponto.CE. A lista de atrações inclui nomes consolidados da cena cearense, bem como novas apostas dos palcos. Projeto Matéria + Chicones, Filanos, Corja, Os Senhores da Casa Azul, Garotos da Capital, Orfãos de Iracema, The Good Garden, Conte! e A.R.S. Darão o seu recado.

Legenda: Lucas Silveira (RS), vocalista e guitarrista da Fresno
Foto: Divulgação

No dia 29 de agosto, data do encerramento, o palco será vez de Selvagens à Procura de Lei, Camila Marieta, Singular e Camaleoa. Lucas Silveira (RS), vocalista e guitarrista da Fresno, completa uma edição que já se tornou histórica para os organizadores. O desafio de tocar o Ponto.CE em 2020 começou em 15 de março, com a histórica apresentação dos suecos do Hellacopters no Órbita bar. Dias depois, infelizmente, a Covid-19 invadiu nossas vidas.

"A edição estava toda planejada, estava na rua", resgata Denor Sousa, produtor geral do Ponto.CE. Duas apresentações tinham sido anunciadas. O Deicide (USA) tocaria em abril e a banda Maneva (SP) em maio. "Quando começou a pandemia, ficamos no aguardo, para entender o que iria acontecer e esperar as coisas se encaminharem. Chegamos à conclusão que não poderíamos deixar de fazer. Veio o virtual. Não é mais novidade para ninguém esse formato, mas para nós foi benéfico. É um trunfo, pois nos permitiu ter uma acessibilidade maior para gente do Brasil inteiro", aponta o realizador.

A pandemia também trouxe mudanças drásticas na trajetória do Selvagens à Procura de Lei, detalha o baixista Caio Evangelista. Os cearenses tinham acabado de lançar o álbum "Paraíso Portátil" e tinham uma turnê engatilhada. O ano, então, se tornou de adaptação. "As lives e redes sociais possibilitam aos artistas que se esteja próximo do seu público mesmo em isolamento. Assim como as bandas, os festivais também tiveram que se adaptar a esse momento", aponta o músico.

Para Caio, a edição online do Ponto.CE mantém a tradição do evento em levar música para todos. "Será nosso primeiro show com a banda completa desde o início do isolamento, já que estávamos separados entre Fortaleza e São Paulo", descreve.

Legenda: Selvagens à Procura de Lei
Foto: Divulgação

Formação

A programação começa às 15h com o "Trajetórias Ponto.CE", que conta histórias de personagens que fazem parte da trajetória do festival. Em seguida, será vez das oficinas de formação gratuitas. Os cursos ofertados são de "direção técnica de shows", "produção de clipes", "dicas sobre distribuição online em selos independentes", "marketing na música", "composição musical" e até "construção de pedais de guitarra".

A diversidade dos temas que serão explorados nas atividades formativas revela que o mercado da música, e da cultura como um todo, é fruto de inúmeros trabalhadores. Por detrás de uma banda, músico, concerto ou festival estão profissionais dos mais diferentes setores. Com 12 anos de experiência na área, a produtora Sylvia Sussekind conhece esse mercado.

A convidada fará a oficina sobre distribuição online em selos independentes. Em pauta, a difusão digital e estratégias de distribuição ao redor do mundo. Dona da agência Collapse Agency, Sylvia é diretora do selo Electric Funeral Records, com mais de 400 bandas nacionais e internacionais no Brasil.

Se sua banda quer fazer o som circular, uma dica logo de cara é entender que além da composição, o músico precisa investir em produção. "Hoje, as pessoas escutam com os olhos, não é só a música. São os clipes, Instagram e toda uma comunicação visual e textual", exemplifica. A quantidade de bandas em busca de um lugar ao sol é farta. Gravar ficou mais acessível. Sylvia divide que é possível encontrar o público e os meios de distribuição certos.

"A competição é grande. Os selos pequenos são essenciais, pois falta uma valorização dos músicos e da indústria como um todo. Tem muito selo no Brasil, selo bom, que ganha muito no fluxo de lançamentos", avalia a profissional.

Circulação

Os painéis de debate reforçam o caráter múltiplo do mercado musical e trazem jornalistas, empresários, produtores, escritores, músicos de todo o País. Entre eles, nomes como Pedro Antunes (Rolling Stone Brasil), José Norberto Flesch, Ana Morena (Festival DoSol-RN), Ana Garcia (Festival Coquetel Molotov), Fabiane Pereira (Faro, Papo de Música), Tony Alex (Tenho Mais Discos Que Amigos), Diogo Damasceno (Nando Reis), Lucio Ribeiro (Popload Festival) e Paulo Baron (Top Link Music).

O público pode participar de rifas virtuais e concorrer a prêmios únicos. Denor Sousa aponta que entre os itens estão peças valiosas como um shape de skate doado pela banda Charlie Brown Jr, um tênis autografado pelo cantor Nando Reis. Diversos objetos também foram doados por bandas como Sepultura, Gabriel O Pensador, Shaman e Edu Falaschi.

O valor arrecadado será integralmente revertido em cestas básicas, e doados para as instituições Fundação Espírita Maria de Nazaré e Sociedade Espírita de Fortaleza, que auxiliam e acolhem pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social.

O festival Ponto.CE adiciona outro belo capítulo nessa jornada. "Em duas semanas, teremos uma série de conteúdos para o público. Não poderíamos deixar de ficar a bandeira do festival enquanto divulgador da cultura. É algo que vai além da música" finaliza o produtor Denor Sousa.

Serviço
Festival Ponto.CE XIII
Até o dia 29 de agosto
Gratuito, no formato digital
Programação: www.pontoce.com.br
Transmissões em: Youtube.com/PONTOCE
Mais informações em
@​pontoce

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