Seguros de automóveis têm aumento de até 50% no Ceará; faturamento do setor cresce

Valorização dos carros usados fez com que o prêmio de seguros automobilísticos ficasse mais caro

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

Negócios
Legenda: O analista de risco Celso Corrêa teve aumento de mais de 16% no seguro
Foto: Arquivo pessoal

Para além do aumento nos custos com IPVA, a valorização dos seminovos em meio à pandemia também elevou as apólices de seguros para quem tem carro usado. Proprietários de veículos relatam reajustes de até 50% em 2022

O setor de seguros teve aumento na arrecadação em 2021, sendo o crescimento no Ceará superior ao nacional. No Brasil, foram R$ 38 bilhões em prêmios, um crescimento de 8,7% em relação ao ano passado; no Ceará, o montante foi de R$ 755 milhões, 13,1% maior que 2020. 

De acordo com o representante do Sindicato das Seguradoras do Norte e Nordeste (Sindsegnne) no Ceará, Cefas Rodrigues, a valorização dos seminovos começou a imprimir preços maiores nas apólices desde julho do ano passado. Ele destaca que houve um aumento médio de 20% no valor dos seminovos no último ano, o que se refletiu também nos seguros. 

Apesar do aumento no valor do prêmio, ele afirma que a aprovação da Circular 639 da Superintendência de Seguros Privados (Susep) beneficiou o setor e possibilitou seguros mais baratos para os consumidores. 

Aumento fora do normal 

A dona de casa Francy Dantas, de 45 anos, sempre teve seguro de carro, mas, neste ano, o reajuste pesou no bolso. No ano passado, o seguro de seu carro, um Toyota Etios 2014, havia custado por volta de R$ 1.600; neste ano, houve um aumento na faixa de R$ 800. 

“Eu até me espantei, pensei se valeria a pena eu fazer seguro de novo porque meu carro é 2014. Mas eu preferi optar pela segurança”, conta. 

Segundo ela, a seguradora justificou o aumento em janeiro deste ano pelo aumento dos combustíveis, o que a deixa preocupada para os próximos reajustes, dada a elevação recente. Ela disse que foi alegado que, por o carro ser mais antigo, as peças se tornavam mais caras e mais difíceis de encontrar. 

O analista de risco Celso Corrêa, de 28 anos, também considerou deixar de renovar o seguro de seu Nissan Versa 2015. Ele comenta que o reajuste anual consumava ser equivalente à inflação, descontada a desvalorização do carro ano a ano.  

Em setembro do ano passado, o reajuste do seguro foi na faixa de 16,5%, justificado pela seguradora pela valorização dos carros em razão da falta de componentes industriais. O segurado se preocupa com o patamar em que será o aumento de 2022. 

Levando em consideração que eu não uso tanto meu carro, principalmente estando de home office, estou cogitando desistir do seguro, correr o risco. Apesar de ter descontos pela minha idade, por não utilizar o sinistro, minhas expectativas são as piores possíveis. Os carros continuam tendo aumentos elevadíssimos, o combustível tá subindo muito e não tem muito o que fazer, talvez eu realmente tenha que cancelar o seguro para conter gastos
Celso Corrêa
analista de risco e proprietário de seminovo

No caso da funcionária pública Isabela Oliveira, de 24 anos, houve um aumento de 38% no valor pago pelo seguro entre fevereiro de 2021 e o mesmo mês de 2022. A parcela do seguro do seu Renault Clio 2014 saltou de R$ 158,12 para R$ 219,51. 

Ela considera trocar de carro, mas reconhece que pode ter dificuldades devido à valorização de seminovos ser generalizada. 

“Fiquei muito chateada considerando que eu já estava acostumada com outro valor. Eu nem sei mais se vou ficar com meu carro, eu estava querendo trocar ele para outro usado, mas isso também é uma questão considerando que todos os usados estão mais caros. Agora vou ter que arcar com esse custo maior esse ano”, lamenta. 

Seguros mais personalizados 

Apesar do impacto da valorização dos seminovos no valor dos seguros, Cefas Rodrigues, do Sindsegnne, destaca que houve um aumento no número de contratos fechados após a Circular 639 entrar em vigor em setembro do ano passado. 

A maior vantagem foi a possibilidade de personalizar o pacote do seguro de acordo com as necessidades do consumidor, o que possibilitou uma redução de preços de até 30%. 

Em alguns casos ajudou o consumidor no custo das apólices. Antigamente o consumidor tinha necessariamente contratar cobertura de roubo, colisão e outras. Hoje ele pode contratar só a mais próxima a sua realidade
Cefas Rodrigues
representante do Sindsegnne no Ceará

O maior desafio do setor no momento é ampliar a cobertura no estado. Hoje, apenas 30% dos veículos no Ceará são segurados, conforme o Sindsegnne. 

“Para esse ano a gente espera popularizar ainda mais os seguros, com lançamento de produtos para consumidores que não tinham acesso a apólice de seguros. Nossa expectativa é de conseguir atingir esse público lançando apólices populares”, espera. 

Busca de soluções 

Com o aumento, fechar contrato com um corretor de seguros e não se limitar a apenas uma empresa pode ser uma opção para economizar. É o que faz o programador Matheus Pericini, de 29 anos. 

Desde 2012, o seguro de seu Uno Vivaci já foi realizado por diversas seguradoras ano a ano. O consumidor afirma que não percebeu diferença de valores neste ano. 

“Eu devo estar pagando por volta de R$ 1.400 e ano passado paguei o mesmo valor. Mas foi porque eu fiz uma troca de seguradora. Eu sempre mudo por questão de valor. Eu não tive uma diferença muito grande na questão de atendimento”, afirma. 

De acordo Cefas Rodrigues, a contratação do profissional também pode ajudar o segurado a escolher uma cobertura mais adequada. 

“Com todas essas regras novas que começaram a valer a partir de setembro, é de fundamental importância que o consumidor procure um corretor de seguros, que é o profissional que entende, que é autorizado para orientar o cliente a aquisição da cobertura que é a sua necessidade”, ressalta.