Restaurantes de Fortaleza reabrem com cardápio digital e luvas no self-service

Movimentação nos estabelecimentos visitados pela reportagem foi tímida no horário de almoço

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: O setor de serviços é o maior empregador do país, responsável por 47% do estoque de postos formais do mercado de trabalho.
Foto: Helene Santos

O início da fase 2 do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais nesta segunda (22) em Fortaleza permitiu que os restaurantes retomassem o atendimento presencial. Diante de uma série de restrições impostas pelo decreto governamental que libera a nova etapa, empresários tiveram que reorganizar o layout dos estabelecimentos e lançar mão da criatividade para garantir uma operação segura e exitosa.

A movimentação nos estabelecimentos visitados hoje pela reportagem era tímida no horário de almoço. Os restaurantes de Fortaleza ficaram de portas fechadas por mais de 90 dias, autorizados apenas para as modalidades delivery e retirada. O horário de atendimento ao público estabelecido pelo decreto para os restaurantes na fase 2 é de 11h às 16h.

No restaurante Tio Armênio, a quantidade de mesas foi reduzida de 46 para 20 e agora elas comportam, em sua maioria, dois clientes. "Tínhamos mesas de oito lugares que agora são para apenas duas pessoas. Ficaram apenas três mesas para atender mais clientes, caso sejam todos da mesma família", pontua o gerente da casa, Wellington Elias.

Sem itens expostos

A quantidade de itens expostos - a exemplo de condimentos e paliteiros - nas mesas também diminuiu. Wellington lembra que as mesas antes eram cobertas com toalhas e montadas com pratos, talheres e guardanapos de pano. "Nós não estamos mais montando a mesa com pratos e talheres. Ficam todos higienizados e embalados. Contamos agora com dois funcionários somente para a higienização dessas mesas", diz. "Fica diferente do nosso layout normal", frisa.

Para uma operação com novo layout, também foi necessário orientar os funcionários do atendimento, que retornaram ao trabalho, a adotarem uma nova postura. "Garçons, cumins e o pessoal do atendimento em geral receberam a orientação de não cumprimentar os clientes com aperto de mão ou qualquer contato físico, mesmo ambos estando com a proteção”, acrescenta Wellington.

Tecnologia

O restaurante Cabana del Primo agora parece mais espaçoso, resultado do distanciamento maior entre as mesas - exigência registrada no decreto do executivo estadual. A maior parte delas também comporta duas pessoas.

O “novo normal” inclui - além de tapetes sanitizantes e disponibilização de álcool em gel - reforço da tecnologia: além do cardápio físico, o estabelecimento conta com um cardápio digital que pode ser acessado por QR Code. De acordo com Crica Bezerra, presidente do grupo, os funcionários foram treinados para lidar com todos os perfis de clientes, dos mais aos menos cuidadosos. "Preparamos a equipe para passar segurança aos clientes e para orientar os consumidores sobre o cumprimento do decreto", diz.

Uma das medidas do estabelecimento nesse sentido é dispor de máscaras de proteção extras para garantir que nenhum consumidor adentre o local sem o item. "Nossa preocupação maior é sobre o comportamento do consumidor diante dessas restrições e, por isso, apostamos no treinamento e orientação dos nossos funcionários para as adversidades que podem ocorrer", arremata Crica Bezerra.

Self-service

Também foram muitas as mudanças no restaurante Nova Casa, que opera na modalidade self-service. Fábio Barbosa, proprietário, explica que o esforço para esses estabelecimentos se adequarem aos protocolos é muito maior. De acordo com o decreto do Governo do Estado, nesses locais, um funcionário deve fazer a higienização das mãos do cliente, que recebe luvas antes de ter acesso às pistas quentes e frias para se servir.

Legenda: No self service do Nova Casa, os clientes recebem luvas antes de ter acesso aos pratos e às pistas quentes e frias
Foto: Helene Santos

“É o que nós estamos fazendo. Estamos fornecendo as luvas descartáveis no momento que o cliente vai se servir e os pratos agora ficam embalados”, diz Barbosa. Além disso, o restaurante deixou de utilizar o sistema de comandas.

"O buffet agora é servido de um lado só. O cliente faz o prato, pesa e já paga. Isso evita que ele retorne ao caixa e que tenha mais um contato. Se continuássemos com a comanda, seria mais uma superfície de contato. Também temos pias na entrada e totem com álcool em gel, além da aferição de temperatura", detalha.

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