Produção industrial cearense cai 24,3% em janeiro; segunda maior queda do País

Segundo especialistas, os resultados negativos devem continuar em fevereiro e março antes de começarem a ser revertidos lentamente

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: A confecção de artigos do vestuário e acessórios foi o segmento mais afetado em janeiro, com queda de 48,5%.
Foto: Rayane Oliveira/Fiec

Após encerrar 2021 com um crescimento acumulado de 3,7%, a produção industrial cearense despencou 24,3% em janeiro deste ano em comparação com igual mês do ano passado. A queda foi a segunda maior do País, atrás somente do Pará (-24,4%).

Um recuo de 3,8% também foi observado na passagem de dezembro para janeiro, segundo monitoramento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre as atividades consideradas, somente duas apresentaram variação positiva: o grupo da metalurgia em geral (2,1%) e a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (1,1%).

No entanto, segmentos como a confecção de artigos do vestuário e acessórios alcançou um declínio de 48,5%, seguida pela fabricação de outros produtos químicos (-40,4%), pela fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-39,9%), e pela preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-31,4%).

Queda no ritmo

Olhando para o acumulado dos últimos 12 meses, o ritmo da produção local vem reduzindo constantemente desde junho do ano passado, quando chegou a 15,2%, ficando em 0,5% em janeiro de 2022.

O gerente do Observatório da Indústria do Sistema Fiec, Guilherme Muchale, explica que a queda observada em janeiro se deve à alta base de comparação registrada em 2021.

Ele esclarece que, as restrições de funcionamento às atividades econômicas em 2020, aliadas às medidas emergenciais que amenizaram os impactos para a população geral e seguraram o nível de consumo, reduziram os estoques ao mínimo.

Dessa forma, o setor retornou com um forte ritmo para recompor o fornecimento e os estoques durante o primeiro trimestre de 2021.

"Os estoques no mínimo, somado ao otimismo da recuperação apresentado no início do ano passado, explica essa queda intensa, que deve ser diluída ao longo de 2022", afirma Muchale.

Os resultados negativos ainda devem ser observados durante os meses de fevereiro e março antes da tendência de queda ser revertida.

Pontos de atenção

O gerente do Observatório da Indústria ressalta três pontos que devem contribuir para manter a perspectiva de crescimento da produção modesta ao longo deste ano:

  • O primeiro deles é a interferência da pandemia na atividade econômica, apesar do avanço da vacinação e a possibilidade da contaminação ser reduzida a uma endemia e levar a menos impactos na cadeia global.
  • O segundo é a recente alta do valor do petróleo com a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia.
  • E o terceiro é o processo eleitoral, que promete ser acirrado e polarizado.

"O que pode fazer com que parte dos agentes econômicos aguardem o resultado da eleição para realizarem, por exemplo, novos investimentos, principalmente se houver agendas econômicas muito distintas entre os principais candidatos", acrescenta Muchale.

Hub de hidrogênio verde

Apesar dos desafios a serem enfrentados ao longo do ano, o especialista ressalta que a guerra na Ucrânia pode acelerar a programação de investimentos no hub de hidrogênio verde.

Segundo ele, mais do que nunca, a Europa deseja reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, uma vez que a Rússia é um grande fornecedor de petróleo e gás aos países do continente.

São investimentos privados, sobretudo, que podem trazer um fluxo importante de recursos, por mais que em termos de impacto no PIB, isso talvez só venha de fato em 2023"
Guilherme Muchale
Gente do Observatório da Indústria do Sistema Fiec

Além dos aportes internacionais, o fortalecimento da agenda pode contribuir para a melhora do otimismo local e possibilitar investimentos no segundo semestre do ano.