Quando o medo de desagradar cria líderes fracos e empresas perdidas
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Nos últimos anos, o modelo de liderança tem mudado. Sai de cena o chefe autoritário e entra o gestor que busca proximidade com a equipe. O problema é que, nesse movimento, muitos líderes passaram a temer desagradar seus colaboradores, tornando-se reféns da aceitação. O resultado? Empresas enfraquecidas, decisões postergadas e times cada vez mais despreparados.
Em 2022, após o fim da pandemia de COVID-19, a pesquisa Carreira dos Sonhos entrevistou mais de 117.000 pessoas no Brasil (jovens, média gestão e alta gestão) e revelou que, no ambiente de trabalho, os entrevistados priorizam o bem-estar e a qualidade de vida, além de valorizarem experiências que favoreçam o seu crescimento e promovam o sentido de pertencimento. Ao longo dos anos, intensificou-se o movimento em prol da promoção e da valorização da saúde mental e muitos outros aspectos que foram vividos no período pandêmico, tais como: flexibilidade no horário de trabalho, home office e trabalho híbrido.
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E em 2025? Neste ano, o foco continua em manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, cuidar da saúde mental e ter flexibilidade no trabalho. Nesse contexto, a Portaria nº 1.419, revisada e publicada em 27 de agosto de 2024, reforça este cenário, exigindo das empresas a identificação, monitoramento e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, tornando imprescindível que elas revisem suas práticas de feedback, avaliação de desempenho e, principalmente, o perfil de seu grupo gestor e os programas de desenvolvimento da liderança.
Embora essas mudanças representem uma evolução na relação com o trabalho, elas também podem impactar a atuação dos líderes e a sustentabilidade das empresas. As constantes ‘cobranças’ em torno do bem-estar e da saúde mental do trabalhador, assim como os constantes debates que envolvem as expectativas das gerações mais jovens, podem enfraquecer a capacidade de liderança eficaz, tornando ainda mais difícil para as empresas enfrentarem os desafios do mercado atual. O líder se vê perdido, sem saber exatamente como equilibrar empatia, autoridade e foco em resultados.
O medo de desagradar e a paralisia da liderança
Liderar exige tomar decisões difíceis, e nem sempre elas serão populares. No entanto, em um cenário onde gestores têm receio de dar feedbacks diretos, corrigir erros ou cobrar resultados, cria-se um ambiente permissivo. O líder, em vez de guiar, torna-se um espectador, podendo adoecer emocionalmente, pois dificilmente, quando se sente assim, tem espaço de fala para expor suas vulnerabilidades.
A falta de uma direção clara leva à paralisia da liderança. Quando ninguém quer desagradar, problemas são varridos para debaixo do tapete, funcionários sem entrega permanecem na empresa e o nível de exigência cai. O medo do conflito, de ser visto como um líder ‘tóxico’ ou, ainda, o medo de ser prejudicado nas avaliações de desempenho, substituem a responsabilidade pela gestão. Quando isso acontece, quais são os impactos?
Do líder fraco ao time medíocre
Um líder inseguro gera equipes desmotivadas, sem comprometimento e sem direcionamento claro. O resultado disso são colaboradores acomodados porque não são responsabilizados pelas suas entregas e não entendem os impactos do baixo desempenho. Se não há consequências, por que se esforçar? Não é verdade?
Além disso, a cultura organizacional torna-se frágil. Em vez de profissionais preparados para desafios, formam-se funcionários dependentes de validação constante, incapazes de lidar com adversidades. Isso compromete não apenas o desempenho interno, mas também a reputação da empresa no mercado.
A falta de liderança forte não prejudica apenas uma empresa, mas todo um setor. Quando o mercado se acostuma com profissionais medianos e decisões mornas, a inovação e a competitividade sofrem. Empresas que deveriam estar crescendo perdem espaço para concorrentes mais preparados. A médio e longo prazo, isso cria um efeito dominó: clientes insatisfeitos, perda de talentos qualificados e enfraquecimento da marca. No final, quem paga a conta são os próprios negócios, que se tornam reféns da própria omissão.
O que fazer para reverter esse cenário?
O equilíbrio entre empatia e autoridade é essencial. Ser um bom líder não significa ser amado o tempo todo, mas sim ser respeitado por sua capacidade de tomar decisões estratégicas e formar equipes de alta performance. É importante entender que é possível exercer a autoridade atuando com respeito, empatia e imparcialidade. O que foi acordado na relação de trabalho, e é justo, deve ser cumprido e os integrantes do ‘jogo’ devem cumprir, cada um, o seu papel. O líder deve assumir isso e o colaborador, também.
Algumas ações são fundamentais para resgatar a liderança eficiente:
• Estudar conteúdos que são importantes para uma atuação humanizada.
• Realizar ciclos de feedback e oferecê-los como honestidade, objetividade e transparência.
• Definir expectativas claras e negociar entregas com coerência.
• Não sobrecarregar quem entrega mais, porém desenvolver quem precisa cumprir suas responsabilidades.
• Criar um ambiente onde desafios e crescimento sejam incentivados, reconhecidos e recompensados.
• Valorizar profissionais que demonstram comprometimento e resultados.
O medo de desagradar não pode ser maior que a responsabilidade de liderar. Empresas bem-sucedidas são aquelas que têm gestores preparados para tomar decisões difíceis, formar equipes de excelência e construir um legado sólido no mercado. Afinal, liderança não é sobre ser popular – é sobre ser efetivo.
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