Ministério cancela anúncio do Auxílio Brasil que estava marcado para as 17h

Com proposta de pagar R$ 400 aos beneficiários, o programa que deve substituir o Bolsa Família extrapolaria o teto de gastos, o que teria desagradado o mercado financeiro

cartão do bolsa família
Legenda: O governo pretendia lançar nesta terça-feira o programa assistencial para substituir o Bolsa Família com valor de R$ 400 em 2022.
Foto: Alina Souza

O Ministério da Cidadania cancelou o evento de lançamento do Auxílio Brasil, que estava marcado para as 17h desta terça-feira (19).

A informação foi repassada à reportagem pela assessoria de imprensa da Pasta. Ainda não há uma nova data para o anúncio oficial do programa.

O governo pretendia lançar nesta terça-feira o programa assistencial para substituir o Bolsa Família com valor de R$ 400 em 2022, ano em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, buscará a reeleição.

Parte desse valor, cerca de R$ 100, seria contabilizado fora do teto de gastos, em uma vitória da ala política do governo sobre a equipe econômica e gerando repercussão negativa na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O valor extrateto é estimado em R$ 30 bilhões.

A notícia de que a equipe econômica cederia à ala política afetou o humor do mercado financeiro durante todo o dia e levou a bolsa a chegar no menor nível desde março.

Principais mudanças

Dentre as mudanças, o redesenho do programa terá 3 milhões a mais de pessoas assistidas e o benefício será até R$ 211 superior ao pago atualmente.

Parte desse valor será de recursos do atual Bolsa Família. Já a outra será oriunda de auxílio temporário, totalizando quantia extra de R$ 50 bilhões. Por ser um recurso provisório, não irá infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Apesar das adoções de estratégias para não esbarrar na LRF, a equipe econômica está preocupada com a possibilidade de os benefícios e valor a serem pagos sejam ampliados nas mãos do Congresso. 

Parlamentares teriam mencionado que o auxílio poderia ser destinado para 35 milhões de família. Além disso, causa temor que a cifra fora do teto passe de R$ 100 para R$ 200. Desta forma, haveria necessidade de emendas ao Orçamento.

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