Mesmo com queda de 22% nas refinarias, preço da gasolina em Fortaleza sobe 16% em 3 anos
Valor necessário para completar tanque de 50 litros subiu R$ 47.
O preço de venda da gasolina às distribuidoras pela Petrobras caiu 22% nos últimos três anos, mas essa queda não foi sentida no bolso dos consumidores. Em Fortaleza, o valor do combustível nos postos aumentou 16% nesse período.
A Petrobras está em um movimento de redução do preço da gasolina. O último reajuste ocorreu em 27 de janeiro, com queda de R$ 0,14 por litro.
Desde janeiro de 2023, o preço médio do combustível vendido às distribuidoras caiu R$ 0,74, saindo do patamar de R$ 3,31 para R$ 2,57.
A gasolina dos postos de Fortaleza, por outro lado, subiu quase R$ 1 no mesmo período. O preço médio do combustível na última semana de janeiro de 2023 era de R$ 5,59, segundo balanço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Já no último balanço, de 25 a 31 de janeiro de 2026, o combustível era encontrado a uma média de R$ 6,52 nos postos da Capital.
O valor necessário para completar um tanque de 50 litros, por exemplo, passou de R$ 279,6 para R$ 326, com alta de R$ 47.
O Ceará tem com a gasolina mais cara do Nordeste e a décima mais cara do Brasil. A média nacional do preço do combustível nos postos é de R$ 6,33 - valor que registrou aumento de 27% nos últimos três anos.
O QUE EXPLICA A ALTA DOS PREÇOS NOS POSTOS, MESMO COM REDUÇÃO DA PETROBRAS?
O cenário de alta nos preços aos consumidores, mesmo com redução do preço da Petrobras, pode estar associada ao aumento da margem de distribuição de revenda no preço final, segundo Iago Montalvão, pesquisador da área de Preços e Fiscal do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep).
O componente, que inclui custos e o lucro dos postos, passou de 16,8% para 19,1% de representatividade no preço final em quase dois anos.
“Em contrapartida, o valor do preço na refinaria correspondia a 35% do preço total da gasolina em julho de 2023 e recuou para 30,1% em dezembro de 2025”, aponta Iago Montalvão.
Ou seja, o valor de venda nas refinarias, que vêm diminuindo, tem menor participação na precificação.
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Recentemente, também houve mudança na proporção do etanol na gasolina, passando para 30% o que levou à alta no seu preço, destaca Bruno Iughetti, consultor na área de petróleo e gás.
Além disso, a participação dos tributos estaduais no valor pago sofreu aumento. “Leva-se em consideração outros componentes na formação dos preços finais, como o impacto tributário, em especial o ICMS, que teve reajuste a partir de janeiro de 2026”, aponta.
O Diário do Nordeste questionou ao Sindicato dos Postos de Combustíveis do Estado do Ceará (Sindipostos-CE) sobre a alta ao longo dos últimos três anos, mas não obteve resposta até a publicação da matéria. O espaço segue aberto em caso de retorno.
QUEDA NO PREÇO DO PETRÓLEO
A redução de preços nas refinarias da Petrobras decorre principalmente da queda no preço internacional do petróleo, com queda acumulada de 21% entre janeiro e dezembro de 2025.
Com a redução do custo do principal insumo, ainda há espaço para novas reduções no preço do combustível, projeta Iago Montalvão.
A Petrobras ressaltou que as tarifas ao consumidor são aprovadas pelas agências reguladoras estaduais, conforme legislação e regulação específicas.