Diesel deve ter novas altas, mas ano eleitoral pode segurar reajustes; entenda

Cenário global é instável, mas dependência do combustível para frete deve levar governo a tentar segurar repasse ao consumidor

Escrito por Heloisa Vasconcelos, heloisa.vasconcelos@svm.com.br

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Legenda: Novo valor do diesel passa a valer a partir desta terça-feira (10)
Foto: Fabiane de Paula

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (9) o terceiro reajuste do ano no diesel. Agora, litro do combustível nas distribuidoras vai passar de R$ 4,51 para R$ 4,91

A alta veio após quase 60 dias sem novos reajustes, mesmo em meio a instabilidades com relação ao câmbio e ao preço do petróleo no mercado internacional.

Para o doutor em economia e professor da FACC-UFRJ, Joseph Vasconcelos, o diesel deve ter novos aumentos ao longo do ano, mas o governo deve tentar segurar os reajustes em meio ao ano eleitoral.

"Quando a gente fala no preço do diesel, toca em um ponto muito delicado, porque mexe na estrutura de fretes do país, há uma alta pressão para que não haja mudanças repentinas e corriqueiras no preço. O governo pode fazer uma pressão no comando da Petrobras para que esses aumentos não sejam constantes", analisa.

Terceira alta do ano

O diesel já acumula alta de 47% em 2022. O primeiro aumento, de 8%, foi anunciado pela Petrobras no dia 12 de janeiro, subindo o litro do combustível nas refinarias para R$ 3,61.

Em 11 de março, o preço subiu para R$ 4,51, um aumento de 24,9%. Essa havia sido a última alta desde a anunciada nesta segunda, de 8,87%.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel no Ceará na semana entre 1º e 7 de maio foi de R$ 6,945. O valor representa um acréscimo de 18,51% em relação ao preço registrado na semana entre 27 de fevereiro e 5 de março.

O diesel também se manteve abaixo nos postos cearenses do que nos nacionais. Nas primeiras semanas de abril, em comparação a março, houve um aumento de 1,8% no Ceará, enquanto no Brasil o índice atingiu elevação de 4,8%.  

O combustível que registrou a maior alta no Ceará neste mês, em comparação ao passado, foi a gasolina comum. O preço médio do litro aumentou 4,15%, percentual acima dos 2,8% observados no País. 

Oferta e demanda

Joseph explica que a alta foi aplicada pela Petrobras para corrigir a defasagem no preço, que não era reajustado já há quase 60 dias. A nota divulgada pela estatal também alega uma baixa oferta global de petróleo.

"O que acontece para essa oferta ficar baixa é a questão do refino. As refinarias globais precisam refinar o petróleo bruto e transformar ele no insumo para o combustível. A capacidade de refino já está atingindo o seu limite", diz.

Segundo ele, são necessários investimentos para ampliar a capacidade de refino da Petrobras, mas essa não seria uma solução de curto prazo. "Isso resolveria dois problemas, o problema da dependência do combustível internacional refinado e reduziria as oscilações do preço externo", coloca.

Para o professor, o cenário internacional ainda é de instabilidade, mas os repasses devem ser segurados na medida do possível.

"O que pode acontecer e aí é algo que pode ser uma razão interna, é que tem um ano eleitoral que o governo tem a pressão política para que os combustíveis oscilem o mínimo possível. O governo pode conseguir fazer pressão para que haja um menor repasse. Mas ainda havendo esporadicamente algum repasse para poder equilibrar o caixa da empresa", projeta.